Don Vinagre e a economia em MKT…

Don Vinagre
O limite da economia no marketing é preservar a imagem da marca. O resto é liquidação da reputação.
Existe uma doença que anda se espalhando pelo mercado do vinho. Não é míldio, nem oídio, tampouco Brettanomyces. É muito pior. Chama-se economia burra.
É aquela síndrome em que algum iluminado resolve provar seu valor cortando orçamento justamente daquilo que construiu a marca durante décadas. Afinal, cortar custos dá um belo PowerPoint. Recuperar reputação destruída… ah, isso fica para o próximo gestor.
Ando sinceramente impressionado com a facilidade com que empresas tradicionais conseguem transformar anos de credibilidade em troco de pinga.
Existe uma regra simples no marketing que deveria estar escrita na porta de toda diretoria:
O limite da economia é preservar a imagem da marca.
Passou disso, deixou de ser economia. Virou vandalismo corporativo.
No mercado do vinho então, a epidemia parece fora de controle. Empresas conhecidas trocam de assessoria de imprensa como quem troca de filtro do Instagram. Escolhem quase sempre pela proposta mais barata. Depois descobrem, da pior maneira, que barato e competente raramente resultam em boa harmonização…
Claro que orçamento importa. Sempre importou.
O problema começa quando quem decide acredita que assessoria de imprensa serve apenas para disparar convites por e-mail.
Aí entrega toda a operação para alguém que nunca ouviu falar de metade das pessoas que ajudaram a construir aquela marca.
E o resultado é previsível.
No lançamento aparecem dezenas de influenciadores que descobriram o vinho na terça-feira passada… enquanto ficam de fora jornalistas, professores, comunicadores, formadores de opinião e profissionais que passaram anos — alguns décadas — defendendo aquela empresa quando ela ainda nem sonhava em ter o prestígio que tem hoje.
Mas tudo bem.
Afinal, um professor com quarenta anos de estrada não faz dancinha no TikTok.
Logo, para certas planilhas de Excel, ele simplesmente deixou de existir.
Depois perguntam por que a marca perdeu prestígio.
Porque respeito não entra na coluna de custos.
Só entra na conta quando faz falta.
E faz.
Muito.
O problema não são os jovens. Muito pelo contrário.
Sou um grande defensor dos jovens, dos novos comunicadores e até dos influenciadores quando fazem um trabalho sério.
O problema é confundir juventude com competência.
Confundir número de seguidores com conhecimento.
Confundir audiência com relevância.
Confundir mailing com relacionamento.
Confundir disparo automático de convite com inteligência de comunicação.
Isso não é modernidade. É amadorismo embalado em planilha.
Cansei de assistir a eventos que conseguiram a proeza de esquecer alguns dos maiores especialistas do país. Professores respeitados internacionalmente. Jornalistas históricos. Gente que ajudou a colocar aquela marca onde ela está hoje.
E tudo isso por quê?
Porque alguém resolveu economizar alguns milhares de reais.
Parabéns.
Economizaram na assessoria. Gastaram a reputação. Excelente negócio.
Depois ainda existe quem ache que educação, respeito, memória e elegância são coisas de velho.
Talvez sejam mesmo.
Mas a falta delas continua sendo coisa de mal-educado.
E quem paga essa conta não é o gerente de marketing.
É a marca. Sempre a marca.
Então, antes de trocar uma assessoria apenas porque apareceu outra cobrando menos, façam um favor ao patrimônio que receberam para administrar.
Descubram se ela conhece o mundo do vinho.
Se sabe quem é quem.
Se entende a história da empresa.
Se conhece aqueles profissionais que ajudaram a construir a credibilidade da casa muito antes dos algoritmos decidirem quem é relevante.
Porque relacionamento não se compra em planilha.
Prestígio não nasce em briefing.
E respeito não se terceiriza.
Caso contrário, façam o mínimo: revisem pessoalmente cada lista de convidados se é que você os conhece…
Porque quando a incompetência encontra a economia porca, quem cai na cachoeira não é a assessoria.
É a marca.
E, convenhamos…
Já passou da hora de pararem de fazer merda.