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A dupla-poda

  • Posted on April 7, 2026
  • by Didu
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Ontem eu postei no instagram esse vídeo acima indagando o Patricio Tapia a respeito da dupla-poda. Nele colocava as três coisas principais que me incomodavam a respeito; a intervenção drástica numa planta que há milênios tem sua manifestação de dormência e brotação num ciclo de um ano, a questão do Dormex proibido em diversos países e do quase inexistência de vinhos de fermentação espontânea.

Bem, o vídeo está aí para quem quiser assistir. Surgiram diversos detratores com ataques, com ofensas e com ironias sobre esse vídeo. Todos defendendo a dupla-poda e todos defendendo o vinho brasileiro.

Ora, eu sempre defendi o vinho brasileiro, especialmente os sinceros, bem feitos que não querem imitar outros vinhos, mas que ao contrário têm orgulho de expressar seu sotaque, sua aptidão. Quem me conhece bem sabe disso.

Depois é importante as pessoas que se sentiram ofendidas, entenderem que não é o elogio, normalmente falso, que constrói não. Ao contrário, é a crítica.

Não é possível que se considere sensato justificar o Dormex lembrando que outros cultivares também se utilizam deles. Por favor, não é por isso que o Dormex se torna algo inofensivo… que argumento mais pueril. E depois todos sabem que as aplicações de agrotóxicos são dobradas em relação a um vinhedo comum convencional. O consumidor tem o direito de estar informado sobre isso.

Depois não disse que não há vinho bom e bem feito. O que digo é que esses vinhos não representam seus trerroirs. Desculpe, são internacionais. Ganham prêmios não por representatividade de um terroir, mas por terem qualidade de determinada casta, algo conseguido com interferência enológica.

Insisto na levedura indígena e na fermentação espontânea como a forma mais autêntica de se mostrar um terroir de verdade, não no discurso enganoso.

Claro que tudo está engatinhando nesse negócio de dupla-poda, muita coisa ainda vai evoluir e tal, mas me desculpem, não são prêmios nem investimentos milionários que só serão pagos com o eno-turismo e não com o vinho, que vão me convencer a comprar um vinho a preço de Bourgogne por ser brasileiro e de dupla-poda.

O lado bom, como digo sempre será o eno-turismo trazendo a cultura do vinho e o consumo cotidiano dessa bebida que é o grande desafio do Brasil com o Vinho.

Então era isso, livrem-se do dormex, façam um vinho de fermentação com suas próprias leveduras, se for espontânea ainda melhor e me chamem. De resto guardem seu desagravo para vocês… Bacio do chatododidu

Explore: Didú Russo, Dupla-Poda, Fermentação Espontânea., Patricio Tapia

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