Os vinhos de Oscar Guglielmone ainda vivos! E como!

Eu tenho tanta sorte por escrever de vinhos e não de parafusos… Imaginem que lá na década de 80 eu estava trabalhando na Editora Abril, dos áureos tempos de dignidade e independência editorial, da aura do Sr. Victor e tal, que tanta saudade deixou. O Celso Nucci, que era o grande cara do Guia 4Rodas, (que estou perplexo em saber que não existe mais), sabendo que eu gostava de vinhos, me fala de um tal de Adega Medieval.

Não conhecia, era de um amigo dele, Oscar Guglielmone, cara doidão, genial e controverso, que tirava as filhas do conforto de seu quarto para hospedar o Celso, que vez por outra ia fazer uma espécie de retiro lá em Viamão, na grande Porto Alegre.

Por conta dessa indicação fui parar no representante do produtor em São Paulo, num certo La Cave, pequeno restaurante e loja de vinhos, fiquei amigo e tive o prazer de desfrutar dos conhecimentos do saudoso Clovis Siqueira.

Pois bem, imaginem que na Feira de Naturebas da Enoteca Saint Vin Saint, me encontro com o Celso Nucci, que não sabia, é freguês assíduo da Enoteca e adora o Ramatis, bem, quem não adora o Ramatis?…

Pois conversa daqui e dali conto ao Ramatis que fora o Celso quem havia me apresentado o Clovis Siqueira, dono do La Cave, que era representante dos vinhos Adega Medieval de Oscar Gulielmone que gostamos tanto e que o Ramatis teve a oportunidade de provar por duas vezes, uma num evento do Caderno Paladar com vinhos cedidos pelo Ennio Federico e outro na própria Enoteca com vinhos Brasucas do Cabral que também adora o Ramatis e até lhe deu uma foto rara do sr. Oscar Guglielmone que está na parede da Enoteca…

Bem, não é que o Celso me conta que tinha algumas garrafas do Adega Medieval? Combinamos de abri-las e foi hoje, juntou-se a nós o Cabral que trouxe mais duas…, além das histórias deliciosas, e ainda o Marco Merguizzo que trabalhou conôsco na Abril daquels bons tempos, e o Pagliari. O Dias Lopes que estava no grupo não apareceu, o que foi uma pena para todos, mas sobrou mais vinho… Muita história e uma experiência invcrível com vinhos que não sei por que razão deixaram de existir no Brasil.

Vinhos elegantes, nobres até, sinceros, vivos ainda hoje, verdadeiras relíquias que degustamos entre histórias, até aquela triste de um produtor que tentou registrar as marcas do Guglielmone que ele não registrara… Que vergonha. aliás várias histórias de vergonha de nosso passado recente, como a revolta de produtores com a Editora abril e o Guia 4Rodas quando fez a primeira degustação às cegas, com vinhos comprados no mercado e que deu a medalha de ouro de primeiro lugar ao nebbiolo de Viamão da Adega Medieval.

Pois a grita foi tanta, que o Celso nunca mais bebeu um vinho brasileiro até pouco tempo quando conheceu alguns naturebas lá na Enoteca e também o Pinot Noir do Marco Daniele. Vejam a cabeça do nosso mercado. Estamos falando de 1983!!! Um pecado. As pessoas envolvidas nesses fatos, muitas delas ainda estão vivas para confirmar ou se envergonhar…

Mas voltemos ao que é bom, ou era bom… os vinhos exepcionais do Oscar Guglielmone. Eles estavam vivos, bem vivos, elegantes, com tipicidade, o Nebbiolo mais uma vez se mostrou um verdadeiro Barolo, o Cabernet Franc super elegante, msotrando a grande aptidão dessa casta, o Merlot era um Bordeaux, vinhos longos, classudos, evoluídos com ekegância e finesse. Nós precisamos resgatar esse Brasil que já fomos gente. Quando e por que perdemos esse rumo?. Isso que me pergunto. Na foto do guglielmone se vê toda a rsuticidade italiana e dos botes de 5 mil litros, que deram vinhos que têm qualidade européia e que estão vivos 40 anos depois, sem química, sem leveduras selecionadas, sem manipulações de cantina.  abaixo meus prediletos e tres vinhos prediletos e tres vídeos depoimentos do Celso Nucci, do Carlos Cabral e do Pagliari.

Agradeço ao Celsinho pela generosidade, ao Cabral o mesmo e ao Ramatis e a Lis pelo belo almoço.

 

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