Deixe a bola rolar… pensar fica para depois.

Don Vinagre
Esqueça. Agora é Copa do Mundo até o fim de julho. E o Brasil adora isso. Não porque goste de futebol — isso é detalhe. O brasileiro gosta mesmo é de qualquer assunto que permita torcer sem precisar pensar.
E a imprensa, sempre pronta para servir o prato que o freguês pede, entrou em campo com a mesma disposição de sempre: copiar, colar e publicar. Apurar? Verificar? Confirmar? Que ideia antiquada.
Se a notícia encaixa na narrativa do momento, publica-se primeiro. Se estiver errada, corrige-se nunca.
Foi exatamente o que aconteceu com o Mercosul. Todos comemoraram. Quase ninguém leu. Ninguém entendeu. E agora que os europeus começaram a criar dificuldades, exigir revisões e ameaçar engavetar o acordo, o silêncio tomou conta dos especialistas de ocasião.
Curioso.
Quando era para posar de visionário havia fila. Agora que seria necessário explicar o assunto, sumiram todos. Devem estar ocupados compartilhando frases motivacionais no LinkedIn.
Mas o melhor exemplo continua sendo a famosa pesquisa estampada pelo New York Times.
Uma manchete.
Só isso.
E foi o suficiente para que jornalistas, influenciadores, burocratas, especialistas de Instagram e uma infinidade de analfabetos científicos corressem para reproduzi-la como se fosse a nova tábua dos mandamentos.
Ninguém leu.
Ninguém conferiu.
Ninguém questionou.
Aliás, questionar virou atividade de risco. Hoje, se a informação confirma seus preconceitos, ela já nasce verdadeira.
Dias depois, médicos sérios desmontaram a pesquisa peça por peça. Mostraram inconsistências metodológicas, conclusões forçadas e uma coleção de problemas que fariam qualquer estudante de primeiro ano corar de vergonha.
Mas aí surgiu uma questão fascinante:
Quem tinha interesse em divulgar aquilo?
Por que razão incluir o vinho na mesma categoria de drogas pesadas, tabaco e comportamentos de risco?
Coincidência?
Claro.
E eu sou o próximo Papa.
Talvez a resposta esteja naquele misterioso personagem que aparece toda vez que o vinho ameaça receber uma notícia positiva.
Uma espécie de “Lorde Voldemort” da saúde pública.
Aquele-que-não-pode-ser-nomeado.
O sujeito que aparentemente passa os dias tentando apagar mais de dois mil estudos que apontam benefícios do consumo moderado de vinho.
Uma missão difícil, mas alguém precisa justificar o orçamento.
Vai saber.
Quem sabe daqui a pouco descubram que Louis Pasteur era um influencer irresponsável do século XIX e que sua frase sobre o vinho ser “a mais saudável e higiênica das bebidas” era apenas desinformação patrocinada pela Borgonha.
Nos tempos atuais, qualquer absurdo tem chance de virar consenso desde que venha acompanhado de um gráfico colorido e um selo de autoridade.
Enquanto isso, segue firme a tropa do “copy & paste”.
Não plantam.
Não produzem.
Não pesquisam.
Não verificam.
Não constroem.
Mas compartilham.
Ah, como compartilham.
Copiam de um lado, colam do outro e recebem aplausos de quem também não leu nada.
Uma extraordinária cadeia produtiva da preguiça intelectual.
E depois reclamam quando são chamados de irresponsáveis.
Alguns são.
Outros são apenas descartáveis.
Mas há também os que conseguem alcançar um patamar ainda mais raro: A desfaçatez de usar textos alheios e usar dos recursos de IA para fazer um texto que não sabe fazer… como se fosse dele… fica assim despudoradamente travestido de relevância. Que repugnante…