Mistral e Biodi-Santi

Biondi-Santi
A Mistral possui alguns rótulos que qualquer importador adoraria ter. Biondi-Santi certamente é um deles.
Poucos nomes no mundo do vinho têm o peso de Biondi-Santi, o criador do Brunello di Montalcino e produtor que colocou o vinho italiano no mesmo patamar que os melhores vinhos da França.
A Tenuta Il Greppo, debruçada sobre uma colina ensolarada nos arredores de Montalcino, é, em sentido literal, o berço do Brunello di Montalcino – o lugar onde, em 1888, Ferruccio Biondi Santi engarrafou a primeira safra comercial de um vinho que viria a definir a grandeza italiana.

Tenuta Il Greppo
O Brunello di Montalcino Riserva Biondi-Santi figura entre os vinhos mais raros e mais cobiçados que existem. Produzido apenas em anos de excelência absoluta, tradicionalmente a partir de vinhas com mais de vinte e cinco anos, o Riserva foi engarrafado somente 44 vezes em 138 anos – o Riserva 2019, lançado em março de 2026, assinala a 44ª edição. A produção total da propriedade raramente ultrapassa 7 mil caixas ao ano em todos os seus 3 rótulos produzidos: Rosso di Montalcino; Brunello di Montalcino e Brunello di Montalcino Riserva.
A Wine Spectator elegeu o Riserva 1955 como um dos “12 Vinhos do Século XX”, sendo o único vinho italiano da lista, no mesmo nível de lendas como o Château Margaux 1900, Mouton Rothschild 1945 e Cheval Blanc 1947. O Riserva 1964 foi “O Melhor Vinho da História da Itália” pela Fondazione Italiana Sommelier em 2012. Em safras mais recentes, o Riserva 2015 recebeu 98+ pontos de Robert Parker como o melhor Riserva desta safra monumental. Jancis Robinson situa as cotações de leilão de Biondi Santi na mesma órbita do Domaine de la Romanée-Conti e do Pétrus – o único vinho italiano a habitar tal estratosfera.

O Brunello Annata e o Rosso di Montalcino são elaborados com o mesmo rigor obsessivo do Riserva: fermentação com leveduras indígenas, longo élevage em grandes botti de carvalho da Eslavônia e uma devoção fanática por baixos rendimentos. A linhagem de Clemente, Ferruccio, Tancredi e Franco permanece, em espírito, ininterrupta em Il Greppo. Abrir um Biondi-Santi é beber um fragmento da alma italiana – uma experiência que deveria ser vivida ao menos uma vez na vida de todos os enófilos.
Ontem foi dia de caminhar nas nuvens… com a presença de Giampiero Bertolini, CEO da Biondi-Santi e Otavio Lilla pude degustar as seguintes garrafas; Rosso di Montalcino Biondi-Santi 2021, Brunello Biondi-Santi 2019, Brunello di Montalcino Riserva 2018 e Brunello di Montalcino Biondi-Santi 2011 “La Storica”. Com um detalhe, recepção com um detalhe, recepção com Pol Roger Brut Reserve, que repeti algumas vezes, claro… e Tokai Oremus na sobremesa.
O local foi o excelente Marena Cucina e o cardápio estava magnífico, com um delicioso “arancini” picante de aperitivo, pães e Parmigiano divino, entrada com risoto al dente de funghi porcini e prato principal Spalla d’agnello com Tagliolini al burro i Salvia e de sobremesa o delicado Fichi com Mascarpone… Recomendo.
O vídeo abaixo, longo, mas necessário para qualquer pessoa que gosta de vinho, que gosta de Brunello e admira Biondi-Santi, mostra o simpático Giampiero Bertolini, CEO da Biondi-Santi traduzido pelo querido Amigo Otavio Lilla da Mistral.
Não posso deixar de destacar o relato feito pelo Giampiero, quando o indaguei a respeito dos atuais proprietários, o grupo familiar francês EPI controlado pelo empresário Christofer Descours, que também é dono das marcas de Champanhe Piper-Heidsieck e Charles Heidsieck e de como era a relação nessa gestão.
Adorei ouvir que eles mantiveram na gestão a equipe italiana e que estão fazendo um trabalho excepcional de buscar cada vez mais a representação da origem e valorizar o histórico Biondi-Santi. Não se trata apenas de um negócio, mas de uma preservação da história e consequente manutenção da qualidade e valorização da história. Ou seja não se trata de investimento e avaliação de retorno de capital, temas que sabemos são antagônicos a vinhos bons e autênticos como é o caso de Biondi-Santi. Parabéns!