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Os Italianos na Wine South America 2026

  • Posted on May 16, 2026
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A convite do da ICE – Agência para a Promoção no Exterior e a Internacionalização das Empresas Italianas no Brasil e do ITA Italian Trade Agency, estive em Bento Gonçalves visitando a Wine South América em sua 6a edição.

A iniciativa contou com a participação de 32 empresas italianas, com um portfólio de cerca de 300 rótulos provenientes das principais regiões vinícolas do país, sendo a maioria a procura de importadores para seus vinhos aqui no Brasil.

Francesca Galli e Ronaldo Padovani

Conversei com Ronaldo Padovani, Trade Analyst Sr. da ICE e com a jovem Francesca Galli, vice-diretora da ICE – Agência para a Promoção no Exterior e a Internacionalização das Empresas Italianas no Brasil. Veja no vídeo abaixo.

A participação dos italianos foi muito promissora e conversando com diversos deles senti que havia bastante entusiasmo, abaixo alguns momentos…

Bem, de modo geral parece que o evento foi um grande sucesso, inúmeros encontros de negócio, com compradores e importadores e parece que muitos se deram bem…

A minha amiga Cynthia Malacarne, por exemplo, que veio com 11 produtores italianos, conseguiu bons resultados e pretende repetir a dose ano que vem. Ela conta neste video abaixo, vejam.

Bem, não posso deixar de fazer uma observação, venho de duas viagens internacionais, uma no Grands Jours de Bourgogne e outra na Vinitaly e agora na Winw South America, presenciei o mesmo; uma incrível euforia com o Brasil e uma expectativa absolutamente fora da realidade.

Nas tres viagens me senti na obrigação profissional e moral, de esclarecer alguns pontos que colocaram os interlocutores mais próximos da realidade. Afinal, nem tudo que se publica hoje em dia é verdade. Por exemplo;

1 – O Brasil não é a tábua de salvação que eles imaginam. O país não cresceu em consumo o que está se falando. O Brasil cresceu 4,5% em valor dos vinhos premium importados. Só isso. Isso não significa aumento de consumo, nem significa venda, apenas um feeling dos importadores.

2 – Esses vinhos premium representam uma minúscula parte do mercado de vinho no Brasil, uma vez que das 3 garrafas per capita/ano que consumimos, 1,5 garrafa é de vinho de mesa, ou seja metade do mercado. Depois, dos vinhos finos, a outra metade, 80% delas 1,5 garrafa são vinhos de € 1,00 ou € 1,50

3 – Outra coisa, o acordo Mercosul está em vigor apenas provisoriamente e o Parlamento Europeu tem prazo de dois anos para ratifica-lo ou recusa-lo e este mesmo Parlamento já tem mais de 150 ações contrárias ao acordo para julgarem… por tanto, cuidado com a euforia.

4 – Mesmo que saia o acordo (algo que duvido), um vinho importado tem em seu preço final cerca de 75% de impostos. Ou seja, pouco vai mudar.

5 – Os principais importadores, aqueles sérios e que pagam todos os absurdos e abusivos custos brasileiros entre burocracias e tributos, já estão abarrotados de vinhos italianos, por tanto atenção para quem quiser importar seus vinhos. Há muita história de calotes lamentavelmente nesse mercado.

A essa altura, percebo que esses produtores se conscientizam de que há oportunidade mas que não é bem tudo aquilo que estão pensando. Porém… eu acho que sim. Há muita oportunidade no Brasil.

Então conto a eles que deveriam se espelhar em Portugal. País que mais se promove por aqui. Não tem pra ninguém. E então lembro a eles alguns aspectos que a Itália tem e Portugal não, como;

1 – O Brasil tem a maior população de descendentes de italianos no Mundo, algo como 35 milhões de pessoas. Muito mais que portugueses.

2 – Esses oriundi e descendentes se orgulham muito disso. alguns até falam com sotaque. eu mesmo sempre me despeço com um “Bacio”…

3 – Os “Chianti in fiaschi” estão na memória de todos eles e até hoje há cantinas com essas garrafas penduradas no teto.

4 – As festas santas como San Genaro, Achiropita, etc., continuam populares como sempre.

Por tanto é preciso se promover, pois as vendas não acontecer do nada só por que seu vinho está aqui.

Depois é preciso criar o hábito do consumo cotidiano do vinho. Algo que não existe no Brasil.

Na Europa, na casa de qualquer cidadão há uma garrafa de vinho aberta na mesa da cozinha, pois a próxima refeição será acompanhada de uma taça dele. Isso não existe por aqui.

Isso precisa ser construído. E essa construção se faz com comunicação. E isso está pronto!!! Por incrível que pareça isso está pronto. No Brasil há um movimento chamado PRO_VINHO que busca isso, mas até hoje apenas a ViniPortugal apoia… O vinho brasileiro apoia, o Chile não apoia, a Argentina não apoia… Que tal a Itália aproveitar as vantagens citadas acima e se engajar nisso?

Só para abrir o apetite dos italianos, conto que no Brasil existem 50 milhões de pessoas que declaram ter consumido vinho no último mês (dados da Winext). Não se sabe se um copo de vinho de mesa ou cinco garrafas de um grande vinho, porém se essas pessoas que já conhecem a bebida, têm contato com ela, passassem a consumir o vinho regularmente…

Aí sim o Brasil seria essa tábua da salvação que todos estão achando que é… façam as contas.

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