Vísceras

Bife de fígado acebolado e o estupendo ValleBello Barricas
Eu decidi que hoje seria dia de Fígado. Eu adoro vísceras, todas elas, sei que muitos torcem o nariz, outros nem ver podem… mas o Didú é decididamente visceral. Sempre gostei, acho que são resquícios da infância, quando a mamãe matava alguma galinha e pegava o priemiro filho que passasse para beber o sangue ainda quente da galinha… hahahahahaaaaa meu irmãos sumiam e eu quando ouvia galinha gritando corria para o galinheiro do quintal… certamente foi isso. Adoro.
Acontece que eu ti nha apenas uma garrafa de tannat uruguayo, os insuperáveis secondo me, e ainda por cima era um Axis Mundi 2011 ganho do querido Daniel Pisano… Não poderia ser aberto num dia qualquer… Então vasculhando minha adega encontro uma garrafa deste fabuloso vinho, o ValleBello Barricas Tannat Malbec.
Puxei pela memória e me lembrei do simpático jovem que me abordou no último dia de ProwineSP, carregado de vinhos de seu stand que não visitei, me parou e colocando as caixas na calçada, me pediu que levasse uma garrafa sua. Lembro que ele pegou uma primeira e disse: “não, essa não, quero a barricada”. Eu pensei comigo, melhor essa mesmo, barricado não… mas claro que nada disse. Achou então a garrafa, eu agradeci e prometi postar depois. Ele insistiu que não era necessário, que queria apenas que eu provasse seu vinho. Foi elegante e passou sinceridade em sua fala.
Confesso que abri a garrafa completamente desesperançoso. 14 meses de barrica… Madonna Mia. Bem, vamos lá eu preciso provar e com estas vísceras preciso de um tannat…
Coloquei Diego el Cigala para cantar uns tangos e boleros com aquela raça flamenca e comecei o prelúdio de um grande momento… os cachorros ao lado, o vinho na taça e a sinfonia da vida de quem gosta de viver em equilíbrio…
O primeiro gole, de cara me fez parar tudo e ir para o site desse produtor. Lá descobri a raszão de parte de meu espanto; 12,8º de álcool, Açúcares: 1,2g/l / Acidez total: 64,5meq/l e estagiado em barricas de 400 litros, francesa de tosta média e mais 16 meses de afinamento em garrafa dessa maravilha com na adega dessa família Lazzaretti, de Monte Belo do Sul, lugar de ótimos produtores por sinal. O vinho tem equilíbrio, acidez surpreendente, longo, sem a presença de madeira que se imagina, muito fresco e sedutor.
Seu site não conta nada da história da família nem entra em detalhes de seu cultivo, vinificação, etc., são bastante focados na venda. Eu mudaria isso embora não seja da minha conta… Claro que o Didú bebeu a garrafa toda… hahahahahaaa. O vinho é ESPETACULAR! e fiquei com vontade de provar o cabernet sauvignon, o sangiovese e um branco de malvasia de cândia e glera além de um alvarinho com chardonnay… Espero um dia provar.
Cigala continuava me embalando, ele também é visceral… nostalgias, historia de un amor e musicas assim que quero levantar e pegar a Nazira pela cintura e deixar o visceral da paixão explodir… não era disponível no momento… tudo bem, tudo bem, mas teremos fígado acebolado e o 60% tannat com 40% de malbec brasileiro me deixou boquiaberto e eu tinha que contar isso.
O vinho acabou e então depois de lavar tudo, enchi uma taca de Porto Taylor’s e coloquei pra fora este momento visceral. Experimentem o vinho, link Aqui., Ouçam Diego el Cigala Aqui, comam vísceras, elas são iguarias que um dia serão vendidas caríssimas assinadas por algum bacana…
Bacio. A viada é agora.