Re? Re de respeito? Ou de retrato da vergonha?

Don Vinagre dá uma vinagrada…
As assessorias de imprensa do mundo do vinho… ah, essas entidades devotas ao deus Retorno. Que maravilha! Não há mais espaço para história, memória, ou decência. O que importa é a métrica: likes, views, engajamento. Viva o algoritmo, abaixo o mérito.
É claro que elas têm que entregar resultados ao cliente – importador, produtor, ou qualquer ente que banque a festa. E para isso, que se jogue no colo dos influencers de ocasião, mesmo que confundam tanino com tamarindo. Afinal, quem precisa de conteúdo quando se tem alcance?
Mas vamos falar sério: todo evento de vinho virou um desfile de irrelevâncias. Um verdadeiro “Quem?” Fashion Week. Gente que não sabe distinguir uma rolha natural de uma sintética, mas desfila com taça na mão e nariz empinado, como se tivesse escrito a bíblia do Bordeaux.
Enquanto isso, quem de fato construiu esse mercado – meia dúzia, cinco no máximo, e isso sendo generoso – virou sombra. Esquecidos, como se fossem nota de rodapé na história do vinho nacional. São os dinossauros da competência, os oráculos ignorados, os que abriram a trilha no facão para os que hoje passam com sandália de dedo e selfie stick.
Vergonhoso é pouco. Isso tem nome: ingratidão institucionalizada.
E aqui, sejamos justos: a culpa nem é toda da assessoria, que só executa. A culpa é do anfitrião que assina a lista e passa pano. São esses que deveriam ter vergonha de abrir uma garrafa sem antes lembrar quem a ensinou a escolher.
Cinco nomes. Cinco. Se quiserem eu os nomeio. Que fariam toda diferença em qualquer evento – pela história, pelo conhecimento, pelo respeito que impõem apenas por existir. Mas não. Melhor encher o lugar de irrelevâncias e fazer bonito no Instagram.
Feio, senhores. Muito feio.
Reflitam. E se possível, abram um vinho bom – mas que tenham a decência de brindá-lo a quem fez esse mercado existir.