As boas surpresas de Antonio Boal

Palácio dos Tavoras, das safras 2015, 2016, 2018, 2019 e 2020.
Tive o privilégio de estar entre os convidados da Costa Boal e da Rota do Azeite e vinhos de Portugal, para um delicioso encontro com Antonio Boal, no restaurante Tasca do Zé e da Maria.
A grande atração era uma vertical do vinho Palácio dos Tavoras, das safras 2015, 2016, 2018, 2019 e 2020. Vinho de vinhas velhas com dezenas de castas misturadas inclusive algumas brancas, lá em Mirandela em Tras-os-Montes, onde Antonio Boal tem uma das três quintas da Costa Boal, as outras duas são no Alentejo e no Douro.
Os vinhos estavam estupendos, estupendos! A elegância é notável num vinho que mostra complexidade aromática, fruta vermelha e negra, barrica presente mas sem exageros, mesmo com seus 14 meses de afinamento em barricas de segundo uso. Na boca mostra austeridade estrutura boa acidez e esbanja elegância. As mãos de Paulo Nunes o enólgo do Dão se mostra presente.
Costumo preferir os com mais idade e não foi diferente desta vez, porém o 2019 estava soberbo também. Como comentei na ocasião, as verticais de grandes vinhos são sempre educativas e muito interessantes, especialmente quando temos informações climáticas e eventuais mudanças de processo, porém, ele bastante injusta com o vinho, pois mesmo sendo extraordinário, tem sempre uma ou outra amostra preterida, que se fosse degustada em separado e sem comparações teria reinado com certeza…


Degustamos diversos vinhos deliciosos, como o Costa Boal Field Blend , o branco e o tinto e também o Costa Boal Reserva, também o tinto e o branco e o curioso Baga trasmontano! Trata-se do Palacio dos Tavoras Parcela CB.
Ele leva esse nome em homenagem a filha do Antonio, a Carolina Boal, que menina ainda ficou muito apegada a essa vinha e acompanhou sua evolução e sua colheita, ganhando assim a admiração do Pai que já vê o futuro da Costa Boal garantido pela paixão de Carolina e homenageou-a justamente com o CB no rótulo. Que bom para nós…

Na ocasião pude conhecer a casta Tinta Gorda, já ouviu falar? Pois se tivesse que eleger apenas um dos vinhos teria sido esse. Não desfazendo dos outros, que eram vinhos excelentes e alguns superiores mesmo, mas apaixonado pelo tema, adorei conhecer uma casta que não conhecia e ainda gostar muito dela por sua delicadeza e elegância. É um “Bourgogne trasmontano”, de verdade.
De uma vinha velha com apenas um hectare, em Sendim, com cerca de 40 castas, algumas plantadas há 140 anos, onde a predominância era a Tinta Gorda
O enólogo Paulo Nunes começou a pesquisar a origem da casta na região, com leituras dos textos de Cincinato da Costa, para descobrir, entre outras coisas, que a casta por lá tinha alguma importância na região de Mirandela, onde se chamava Tinta Negredo, e que em Espanha leva o nome de Juan Garcia.
Veja só… Pois o vinho é uma gratíssima surpresa. Gostei demais, a Tinta Gorda foi desengaçada manualmente diretamente em barricas de 500 litros, teve fermentação espontânea bago inteiro (semi-carbonica) e maceração pós-fermentativa de 20 a 24 dias em barrica aberta. Depois livraram-se da parte solida e o vinho voltou para a barrica que foi tampada e ele estagiou nela por mais alguns meses. Uma delícia de vinho. Merece ser conhecido.
Tem notas de fruta vermelha de grande delicadeza elegante na boca e longo, de boa persistência. Não se percebe seus 14º de álcool. Foi a grande surpresa do encontro onde haviam tantas outras maravilhas da Costa Boal.
Os vinhos da Costa Boal estão na importadora Rota do Azeite e Vinhos de Portugal para lojistas e Restaurantes e no site Vin and Wines você encontra os vinhos para consumidor final. Aqui você tem dois links para assistir que postei no dia do almoço: Link 1 e Link 2.