Don Vinagre e a ProWine

Don Vinagre
Eis que chega mais uma Prowine — essa romaria de taças tilintando, selfies tremidas e gente que acha que entende de vinho só porque aprendeu a dizer “terroir” sem engasgar. Sucesso garantido, claro, mas não sem meu aviso aos navegantes:
Vocês, os que se acham, os que querem se achar, os que acreditam que descobriram o vinho ontem mas já querem sentar na janelinha… sim, todos vocês, essa maioria barulhenta que confunde feira profissional com baile de debutante: pelo amor do cabernet — deixem o perfume em casa!
Não é frescura. É burrice. Perfume em feira de vinhos é o equivalente a levar uma corneta para dentro de uma biblioteca. Só atrapalha, incomoda e denuncia que você não entendeu nada. Quer exibir seu Chanel? Vá ao shopping. Aqui é lugar de sentir vinho, não de desodorante líquido. Afinal, você é mesmo um profissional do vinho?
E já que estamos no rolê das boas maneiras: não chegue com a delicadeza de um rinoceronte pedindo logo “o melhor vinho” para o produtor. Além de deselegante, só mostra que você é o típico sommelier de boteco de rodoviária: arrogante, exibido e mal-educado — mas sempre pronto a beber de graça.
Dica de ouro (que ninguém segue): faça uma lista, priorize, aceite que não vai conseguir provar tudo. Feira de vinhos não é rodízio de pizza.
E por último, o tabu nacional: cuspir. Eu sei, parece feio, anti-romântico, coisa de quem não sabe beber. Mas na feira é o contrário: cuspir é o sinal de que você entende. Quem engole tudo termina tropeçando nos corredores, de bochecha vermelha, com hálito de tigre e reputação de bêbado barato.
Estamos combinados? Então, por favor: menos perfume, menos arrogância, menos gula — e quem sabe sobra mais espaço para o vinho, que é o único convidado que realmente importa. Respeite o Vinho.