O Vinho no Brasil Briga Com o Espelho

Don Vinagre
O mundo do vinho no Brasil parece uma sala cheia de adultos que se recusam a conversar — cada um sentado num canto, braços cruzados, cheios de razão e de ego.
Produtor não confia em importador. Importador torce o nariz pro concorrente. Produtor briga com produtor. Importador briga com importador.
E a imprensa… ah, a imprensa do vinho…
Finge neutralidade enquanto joga o jogo dos bastidores, escolhendo lado, distribuindo estrelinhas e ignorando o que mais importa: o consumidor.
No meio disso tudo, o brasileiro segue achando que vinho é coisa de ocasião especial.
Segue sem entender, sem acesso, sem incentivo.
Segue excluído por um setor que fala difícil, age pequeno e pensa curto.
Falta união. Falta humildade. Falta visão coletiva.
E sobra ego. Sobra vaidade. Sobra o velho hábito de proteger o próprio cercadinho, como se o sucesso do outro fosse uma ameaça e não uma oportunidade compartilhada.
A imprensa especializada, em vez de mediar, educar, inspirar… muitas vezes reforça o muro. Escreve para se mpostrar aos coleguinhas, não para atrair o público.
Só fala com os mesmos, elogia os amigos, evita qualquer crítica que possa fechar uma porta.
Quer crescer, sim — mas sozinha.
Esquece que se o mercado cresce, todo mundo cresce. Inclusive ela.
Enquanto isso, quem tenta fazer diferente — a Provinho, por exemplo — é visto com desconfiança. Porque unir dá trabalho.
E fazer o vinho virar hábito popular exige mais do que conteúdo: exige postura, generosidade e uma boa dose de vergonha na cara. E hábito é o único caminho para se ter um mercado sólido e não de exibicionismo e vaidades…
É simples: ou o vinho no Brasil aprende a andar de mãos dadas, ou vai continuar tropeçando nas próprias pernas. Eles precisam saber que existe algo chamado SETOR e que deve ser construído por todos.
Vinho se faz com uva e com tempo. Mas pra virar cultura, precisa também de cooperação.
E isso, meus caros, ainda tá em falta na prateleira.
– Don Vinagre