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Viagem ao Chile com o Pão de Açúcar. Balanço final.

 

Acabo de publicar o último post relacionado à viagem que fiz ao Chile a convite do Pão de Açúcar em companhia do Carlos Cabral e Sra., do Fabio Greghy, responsável pelos vinhos do Club des Sommeliers entre outras coisas,  a querida Juliana Machado da Assessoria de Imprensa do GPA, do casal do blog AmoVinho, Deisi e Gui Cury, e do Christian Burgos da Revista Adega. A foto abaixo que ilustrou meu primeiro post, que foi tirada na nossa chegada, bem mostra a alegria do grupo.

 

Há um balanço a fazer, pois afinal, sempre voltamos melhores depois de qualquer viagem. Meu balanço é o seguinte:

  • O Carlos Cabral é um patrimônio do Mundo do Vinho. O Pão de Açúcar ao ter o Cabral como Consultor de Vinhos, deu um tiro mais que certeiro, pois não é nada comum ter uma pessoa com o prestígio internacional do Cabral, que independe da empresa onde esteja. Cabral é recebido como um amigo, como alguém da família. Isso é resultado de uma vida dedicada ao vinho, ao conhecimento e a uma postura ilibada. Raro mesmo. E o que digo todos pudemos atestar nas quatro bodegas que visitamos.
  • O Pão de Açúcar tem uma importância enorme no mercado do Vinho, pois tem quase 20 milhões de garrafas vendidas anualmente, o que passa dos 12% de todo o mercado Nacional. Isso mostra que o trabalho dos atendentes e a oferta de vinhos está mais que adequada ao mercado.
  • Me surpreendi com a informação de que o Pão de Açúcar sòzinho representa tres vezes o volume de vinho comprado internamente no Chile!Incrível. O Pão de Açúcar hoje vende só de Chile 4 milhões de garrafas/ano!
  • A qualidade e consistência dos quatro produtores que visitamos certamente garante a provisão adequada de rótulos em suas gamas de qualidade com bons preços e adequados ao atual perfil do consumidor brasileiro e trazendo gamas superiores também. Perfeito.
  • Ficou clara a seriedade, a preocupação e e atenção que o Pão de Açúcar dá ao seu ítem Vinho. É importante que chegue ao consumidor este trabalho para que ele se sinta alguém especial e não um simples consumidor do que tem na prateleira. Como disse o Cabral no vídeo abaixo, atrás de um rótulo há muita história a contar.
  • A organização da viagem foi perfeita e tudo funcionou bem em todos os lugares. Parabéns.
  • A escolha de pessoas do grupo foi ótima e certamente quem destoou foi o Didú… rindo demais a todo instante como se fosse um personagem dos Muppets…

Abaixo um vídeo que fiz com o Cabral no Aeroporto antes de nossa volta, aliás meus agradecimentos ao up-grade de lugares na aeronave na volta. Valeu muito para mim. Grazie Amigos. Foi realmente um privilégio para mim. Sucesso. Saúde!

 

Luis Felipe Edwards

Nicolås Pizzarri e Carlos Cabral

Eu já conhecia a extraordinária Bodega Luis Felipe Edwards, eles produzem 19 milhões de litros de vinho por ano! Têm como princípio vender apenas para grandes redes de supermercados, pois querem que seus vinhos tenham uma percepção de qualidade superior e vendendo direto a uma grande rede de lojas consegue eliminar um intermediário.

Eles continuam fazendo isso e com grande sucesso. Têm muito foco e são parceiros de seus clientes. Agora voltei à Luis Felipe Edwards a convite do Pão de Açúcar, e fui a convite do Cabral. Chegar na Luis Felipe Edwards com ele é como estar indo visitar um parente que lhe quer bem e está saudoso.

Eu gravei um flagrante da gravação do Fabio Greghy, com o Cabral falando para os clientes do Club des Sommeliers sobre os vinhos de Luis Felipe Edwards.

Fotografei o querido casal Leda e Cabral a 900 metros de altitude. e fotografei a mim também…

 

Estavamos lá em cima, de onde se avista boa parte da propriedade de Luis Felipe Edwards, aliás, fomos no carro do Nicolás Pizzarri, a quem gravei lá mesmo dois anos atrás, vale rever…

 

Partimos de lá para a sala de degustação que Luis Felipe Edwards tem logo abaixo de onde eståvamos, um espetáculo e um desfile de seus vinhos para degustarmos…

Adorei revisitar dois de meus prediletos rótulos:

Este delicioso Roussanne Marsanne 360º e o Pinot Noir Marea, espetaculares.

O delicioso e austero Carignan de vinhas velhas

O Cabernet Franc 360º

O que dizer então deste Sauvignon Blanc do Valle de Leyda?


Esta surpresa veio com um furo de informação, trata-se do vinho que será lançado em novembro pelo Club des Sommelier e que servirá de comemoração dos 20 anos do Cabral no Pão de Açúcar. Não resisti e gravei um vídeo para vocês…

A degustação corria linda enquanto se preparava ao lado um delicioso churrasco para nos deliciarmos com a vista, a comida e os vinhos que quiséssemos… Espetáculo! Aproveitei e gravei lá o Vinho de hoje daquele dia:

 

Fomos então visitar o novo empreendimento da Luis Felipe Edwards, que bem mostra o foco, a dedicação e o ritmo incrível dessa bodega que segue firme e convicta de seu projeto. Veja:

 

A noite ainda nos reservava um elegante jantar na casa de Luis Felipe Edwards onde ele recebeu das mãos de Cabral duas medalhas de ouro conquistadas

 

 

Mas ainda teríamos um jantar delicioso regado aos bons vinhos de Luis Felipe Edwards nesta sala elegante da família Luis Felipe Edwards.

Para minha grande alegria, o Nicolas Pizzarri, que é genro do Luis Felipe Edwards, nos surpreendeu com a atitude mais nobre que pode haver no mundo do Vinho, surpreender os convidados com a generosidade de abrir uma garrafa com idade.

Pudemos saborear um Cabernet Sauvignon da safra de 1994, a primeira safra da Luis Felipe Edwards! E estava soberbo, elegante, fresco com álcool baixo, boa acidez ainda, um vinho muito fino, era um Bordeaux. Mais um para provar a capacidade de envelhecimento dos vinhos do Novo Mundo. 23 anos de idade. Espetacular. Que dia. Grazie Pão de Açúcar, Cabral e amigos da Luis Felipe Edwards.

 

Caballo Loco

Estive visitando a Ravin para saber das novidades e acabei por gentileza do Rogério D’avila, vistando seu depósito. Adoro visitar estoques, abre o apetite. Lá pude gravar com ele a respeito de Caballo Loco.

Caballo Loco é hoje um campeão de vendas entre os chilenos premium. O vinho da Valdivieso tem uma inusitada histíória e um inusitado assemblage. Saiba pelo próprio Rogerio D’Avila, dono da importadora Ravin que traz o vinho:

 

Se você quiser conhecer o criador do vinho veja este vídeo de 2012 e conheça Jorge Coderch Mitjans o Caballo Loco em pessoa…

 

Gonzalo Guzmán e o Kiñe Verdejo.

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O único Verdejo do Chile se chama Kiñe e sai do talento de Gonzalo Guzmán de El Principal… Hoje tive o prazer de estar na Decanter provando seus vinhos Calicanto, Memórias e el Principal, mas principalmente Kiñe da casta Verdejo, único no Chile.

 

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Entre os tintos, minha preferência considerando o preço e o benefício, eu fico com o Memórias, que nasceu das mãos do Patrick Valette em homenagem a seu pai. Custa R$ 241,00, contra R$ 436,50 do El Principal que é super elegante, mas é quase o dobro. O Calicanto é um show de frutas maduras intensas, guloso, cremoso, bom para iniciantes.

 

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Mas vamos falar dos experimentos do Guzmán, Este Verdejo tem uma história, que eu gravei para você. Veja como foi difícil se chegar a este vinho:

 

 

O vinho não é barato, custa R$ 231,40 mas é uma delícia de vinho, uma grande experiência, fresco mas com untuosidade e potencial de guarda. O Gonzalo tem outras experiências em estilo muito diferente dos encorpados tintos que fizeram a fama da bodega.

Eu prefiro essa linha mais fresca e de leveduras indígenas, mas eles não chegaram ao mercado, são seus colegas de Alvarinho, de Mencia, de Graciano… Veja nesta matéria que fiz quando estive lá este ano e pude provar desses experimentos.

Chile 4º Dia.

Saímos de VIK com uma imagem impressionante, a leste o sol nascendo e a oeste a lua se pondo. Parecia aquele filme  O feitiço de Áquila… um querendo estar com o outro.

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Parimos rumo a El Principal onde fomos recebidos pelo simpático Gonzalo Guzmán o enólogo-chefe. Essa vinícola já foi de Patrick Valette e foi interessante provar vinhos de safras antigas, depois de termos vindo de VIK. Há um traço, um toque de Patrick em seus vinhos, o frescor.

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Logo fomos visitar a vinícola que é pequena e bem arrumada e que se acessa o sub-solo por um elevador, uma cena de Missão Impossível, veja:

 

 

Depois partimos com o Gonzalo para os vinhedos, onde pude gravar com ele. Veja a descrição do solo e perfil climático de El Principal. Gonzalo mostro também um Syrah especial que está cultivando de fomra diferente também (o terceiro que vi no Chile), para cima, sem cordões.

Conheça uma árvore de Quilhae, que os mapuches usavam as cascas como shampoo, pois ela solta uma espuma… curioso.

 

 

Sobre El Principal, devo dizer que meu predileto é o Memórias, que Patrick começou a fazer quando o pai faleceu, como uma homenagem.

 

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Mas me encantei de verdade com alguns experimentos do Gonzalo. Os atuais donos de El Principal, um deles os donos da Coca Cola no Chile, pediram a ele que fizesse um “Blanco”, Gonzalo lhes disse que Chardonnay ou Sauvignon Blanc não funcionariam alí naquele solo. Então os seus patrões sugeriram que ele achasse uma boa casta blanca.

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Gonzalo foi para a Espanha e trouxe mudas de videiras de lá e fez esta maravilha de vinho com a Verdejo. Experimente. É o único Verdejo do Chile. Por isso o nome Kiñe que em Mapuche quer dizer Único.

Você ja reparou que sabemos mais de Mapuche que de Tupi-Guarani?… Quantos vinhos chilenos ou argentinos homenageiam os índios, e quantos vinhos brasileiros fazem isso?… Para pensar. E saibam que temos ainda hoje 130 idiomas indígenas vivos no Brasil!

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Bem, o Kiñe tem leveduras indígenas de Maipo. Seu sotaque é de Verdejo de Maipo por tanto. Não encontrei no catálogo da Decanter. Uma pena. Mas acontece que Gonzalo não trouxe apenas uma casta branca, trouxe duas e duas tintas e que se deram maravilhosamente bem lá.

Esta foto acima é de um Alvarinho, também o primeiro do Chile e que está maravilhoso. Trata-se de um experimento de vinho natural. Zero de leveduras, Zero de SO2. Uma delícia!

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Esta outra é de Graciano, nos mesmos moldes do Alvarinho, completamente Natural! E o de baixo um  Mencia. difícl saber qual gostei mais. Claro que bebi as amostras inteiras, vinho bem à minha atual predileção…

 

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Ninguém havia provado esses vinhos ainda. Os donos não sabem que ele existe. Agradeço a deferência de Gonzalo que sabe bem de meu gosto e está antenado nas mudanças de mercado. Sugeri a ele que fizesse uma caixa dos quatro vinhos únicos. Únicos e Naturais. Eu compraria e acho que na Enoteca Saint Vin Saint venderia bem também.

Não é projeto para ganhar dinheiro, mas para mostrar prestígio, mostrar o que se sabe fazer e do que o Chile é capaz. Eu faria. Adorei Gonzalo Amigo. Bacio!!!

Saímos de lá com esta imagem maravilhosa da carmenère de outono. Que maravilha isso…

 

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Quero voltar lá quando estiver pronto os apartamentos que construirão para turismo naquele “bel vedere”.

Fiquei com a imagem daquele lugar na memória…, aquela vista, o gosto dos vinhos de experimento de Gonzalo (veja abaixo) e uma vontade incrível de fumar um bom puro embaixo daquela “árvore de shampoo” centenária.

Voltamos a Santiago que estava com uma poluição absurda e até com sistemas de alarme e proibição de circulação de carros que não tinham catalizadores. Não chovia lá há meses. Estavam todos preocupados.

Teríamos um breve descanso, um bom banho e um jantar com os admiráveis produtores do MOVI.

 

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O MOVI é um movimento que falta no Brasil. Gostaria muito que aqui se desenvolvesse algo semelhante. Ele reune produtores mais alternativos em torno de um caminho promocional conjunto. Têm suas regras e conseguiram se impor.  Para se ter uma idéia, hoje o MOVI é considerado uma categoria dentro do Monopólio da Noruega! Algo inimaginável.

Os vinhos de padrão intermediário hoje no Chile, certamente foram motivados pelo sucesso desses produtores independentes, que atuam xatamente nesse segmento, entre R$ 80,00 a R$ 180,00.

Gravei com a Angela Mochi, brasileira que hoje é produtora no Chile, explicando o movimento. Veja:

 

 

Não poderia aqui postar todos os 24 vinhos que provei, até por que minha bateria acbou antes e na bateria onde estava o Erasmo de meu amigo Francesco Marone Cinzano, que eu adoro, não pude fotografar… Mas aqui alguns destaques:

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Chardonnay sem madeira de altíssima elegância e não está no Brasil.

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Ótima experiência sobre vinificação. Vinhos didáticos. Os dois vinhos são do mesmo vinhedo, o da esquerda é colhido mais cedo, vinifica com parte dos engaços, é fresco e delicado, mas  com raça. O da direita tem colheita  em tres etapas, sendo a última super maturado e passa por barrica. Completamente diferente, um toque de Amarone num Pinot Noir. Os dois de leveduras indígenas. Estão no Brasil, o dad esquerda com Importadora Paraiso e o da direita com Terramater. Uma experiência didática e prazerosa.

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Show de Syrah do MOVI. Todos estão no Brasil, Polkura com a Premium, Tanagra com a Decanter e os outros dois com Charbonade.

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A maioria dos vinhos MOVI estão na Terramater e na Charbonade. Melhor se informar no site deles.

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O Grupo Vigno o grupo de produtores de carignan, também participa do MOVI.

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Show! Decanter Wine Show!

O Decanter Wine Show 2013 foi um show em São Paulo. confesso que eu fui com o retrogosto do Decanter Wine Show de 2012 que era só dos vinhos do Velho Mundo. Isso me incomodava de certa forma. Puro preconceito. Caminhei nas nuvens.

Tive grandes surpresas que não terei tempo de contar hoje, a agenda está pesada, mas não consegui ir dormir sem contar dos vinhos brancos do meu almoço.

Tive a sorte de ter sido convidado pela Prazeres da Mesa, uma das revistas onde tenho artigo, para um almoço com Marcelo Retamal, Jean Charles Villard e Gonzalo Guzmám. Não poderia ter sido melhor.

Entre delicioso papo, aberto, livre e sincero, provei maravilhas, mas faço questão de destacar tres vinhos brancos de babar, todos de leveduras indígenas!Parecia meu dia de sorte.

O Chardonnay 2011 de Quebrada Seca, de leveduras indígenas e agora em fouldres estava espetacular. Difícil acreditar, um vinho de uma elegância extraordinária e intacto, fresco, com acidez impecável, lanolina, e o melhor, inimitável, pois não tem intervenções. É de lá, Quebrada Seca é assim.

É preciso destacar aqui a coragem de Marcelo Retamal, que você ve na foto acima com sua inseparável caipirinha brasileira que ele adora…, pois o homem arriscou seu nome num projeto radical, que tirou as barricas de De Martino, as leveduras selecionadas, toda e qualquer invasão artificial. E eles toparam.

Corajosos todos eles. Ele colocando em risco seu nome, um dos mais importantes do Chile hoje e a De Martino, em colocar a própria empresa em risco total com a mudança. Que sorte a nossa.

E o mais legal é que está dando certo! O mercado está compreendendo e aceitando, não poderia ser diferente, seus vinhos estão estupendos e com personalidade, com sotaque.

Certamente em dois anos muitas bodegas chilenas seguirão seu caminho. O Chile tem tanta elegância pura para mostrar…

Mas as surpresas estavam apenas começando, pois veio o Le Chardonnay Gran Vin do Villard, 2011, também de leveduras indígenas e com um trabalho exemplar de barricas próprias (seu irmão é tanoeiro dos bons), com untuosidade, frescor ao estilo Mersault. A Villard tem consistência, está completando vinte anos com vinhos que têm estilo, são Villard.

Mais surpresa ainda nos aguardava com um branco intrigante, fresco e untuoso da El Pricipal. Tratava-se de um Verdejo! Um verdejo verdejo mesmo, chileno!! Espetáculo, o vinho ainda nem nome tem, mas vai arrebentar. No vídeo abaixo tem os tres explicando seus vinhos, não deixe de ver.

 

Na sequência pedi ao competente, elegante e modesto Guilherme Correa que sugerisse as harmonizações com cada uma das maravilhas, ele claro, deu um show. Veja: