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A Importância do FOCO

 

Ontem, estive a convite do Deco Rossi, com outros Sommeliers e Colunistas de Vinho, num agradável encontro com o simpático inglês Phil Crozier, da rede de restaurantes Gauchos.

 

 

 

Por alguma razão inexplicável, o vídeo que gravei do Phil, com cerca de 15 minutos, cismou em não baixar para o meu IMovie e depois de diversas tentativas me rendi ao fato que não conseguia e pronto. Lamento, pois gostaria de ter as palavras dele mesmo para vocês, como de costume, mas dessa vez não deu. Sorry.

Para quem não sabe a respeito da importância do Gauchos que tem 14 unidades pelo mundo, ele é um Restaurante focado na cultura Argentina, só serve Carne Argentina e Vinhos Argentinos. a única concessão são Chamapgnes, mas tem Espumantes Argentinos também.

O negócio é enorme, basta ver seu staf no site, onde Phil Crozier aparece as Wine Director. Abaixo foto do Gauchos em Dubai.

 

 

Esse grupo de empreendedores se apaixonou pela Argentina e viu aí uma oportunidade de FOCO.  como se sabe, FOCO nos negócios não é tão comum como deveria ser. Quando você tem uma proposta clara do que faz, você economiza muito em muitas coisas. No caso do Gauchos, eles juntaram a carne Argentina, que já foi mais famosa do que é, com o sucesso mundial de seus vinhos desde a década de 90 para cå e agregado ao fator cultural, pois no mundo ainda é pouca gente que sabe exatamente quem é quem na América do Sul. Abaixo foto do Gauchos em Londres.

 

 

” Secondo Me”, o sucesso de Gauchos, que não conheço in loco, é muito mais pelo FOCO do que por ser vinho Argentino. Acho que o mesmo aconteceria com Uruguay por exemplo, até mais exótico por ser mais inusitado ainda.

São nada menos que 300 vinhos de 65 bodegas e Phil foi bastante inovador em seu conceito de Carta de Vinhos, pois como ele mesmo diz, é mais fácil vender latitude e altitude. Ele diz ao Cliente: “Escolha uma uva e escolha uma Região”…

Outra coisa, em lugar de agrupar por castas ou por produtores, Phil oferece por exemplo “Os Pioneiros” ou ” A Nova Geração”.  Abaixo outra foto de=o Gauchos em Londres.

 

 

É sucesso absoluto, depois, confirmando o que sempre disse, que para se vender um vinho, basta contar uma história.

Phil adora a Argentina e conhece os produtores todos que comercializa e visitou a todos eles, assim tem sempre algo especial a contar sobre eles. Seus olhos brilham ao falar do irmãos Michelini, o que me fez gostar ainda mais de Phil, que sabe ver o verdadeiro no falso.

É apaixonado pelo que faz e com olhar brilhando diz que seu sonho é que um dia entre um Cliente e diga: ” Gostaria de provar um vinho de Altamira…” Bem, este é o sonho de todo produtor de um país de novo mundo…

Fica a lição e uma dica oportuna para os empreendedores brasileiros FOCO. Ah, sim, um detalhe, o Gauchos vende por ano nada menos que 375 mil garrafas de vinho Argentino.

WOFA 3º Dia

Levantamos cedo e pegamos o vôo para Neuquén, pois chegando lá iríamos diretamente para Humberto Canale, qual não foi nossa surpresa que no mesmo vôo estava Guillermo Barzi que iria justamente nos receber.

 

Do avião se podia perceber claramente a importância da irrigação. Sem água, sem vida… Por onde circundava o rio uma maravilha, vejam:

 

 

Chegamos à Humberto Canale e já havia um delicioso churrasco nos esperando, um show. Gostei demais da elegância rústica do local. Tudo certo e tudo funcional, tudo elegante e rústico. Gravei um vídeo que dá uma pequena mostra disso e ainda explica de forma excepcional o que é a Patagônia e seu processo de irrigação:

 

 

Os vinhos de Humberto Canale chegam ao Brasil pela Grand Cru e meu predileto foi o Malbec da foto abaixo, que é fresco e intenso, com personalidade bem marcada e o melhor de tudo:  Abaixo dos 50 Paus…

 

 

Me intrigou e até puxei o assunto, mas percebi que não era o que pretendiam, mas com aquele vento incessante e aquelas terras secas, por que não praticar uma agricultura natural? Acho que seria bem favorável lá.

 

Estes dois vinhos estavam simplesmente deliciosos, o Cabernet Franc e o Merlot Gran Reserva. E o almoço, nem é preciso dizer, basta ver no vídeo a qualidade da carne… mas ainda havia uma surpresa rara, uma Magnum do Centenium 2005, vinho produzido em comemoração aos 100 anos da bodega. Um privilégio.

Saímos de lá diretamente para uma pequena e arrumada bodega chamada Del Rio Ezorza. Eu não tinha a menor idéia de que provaria alí o que considero hoje o melhor Pinot Noir  Argentino e que foi o vinho da viagem “Secondo Me”  Trata-se do Verum

 

 

O enólogo tem firmeza e é completamente natural. Não usa químicos e as leveduras são indígenas, e o melhor de tudo, sabe fazer vinho. Neste PN ele usou 20% dos engaços e o vinho ficou simplesmente um Bourgogne. Delicado mas com firmeza, muita personalidade, fino e natural, delicioso. Eu só queria beber aquilo.

 

Agustín E. Lombroni, o enólogo da Del Rio Elorza é muito jovem e certamente fará seu nome no vinho, pois ele tem coração, é firme e convicto do que acha. Gravei ele explicando por que gosta das leveduras indígenas, veja:

 

 

Saímos felizes de lá e rumamos ao Hotel em Neuquén, para um check-in , banho rápido e jantar com o simpático Julio Viola da Bodega del Fin del Mundo que apresentou seus vinhos durante ótimo jantar com vinhos dele e também da NQN onde iríamos no dia seguinte!

Eu já estava o próprio ganso no Périgord com o funil na boca… Mas como resistir a um espumante dessa qualidade, o Extra Brut Del Fin Del Mundo, de Pinot Noir e Chardonnay, com um pérlage persistente, estruturado e longo e uma deliciosa cremosidade. Um show.

 

 

Gravei com o Julio Viola que você pode conhecer no vídeo abaixo. elegante e educado, teve a paciência de nos entreter e nos deixar à vontade depois de um dia um tanto exagerado.

 

 

 

O seu bem conhecido e premiado Cabernet Franc fez sucesso mais uma vez e acabou dormindo nos braços de seu admirador maior, Deco Rossi…

Didú na Argentina, outra vez…

Eu acabo de voltar de mais uma viagem à Argentina com o WOFA   (Wines of Argentina). Desta vez não fui a convite, como colunista de vinhos, fui por ter sido um dos vencedores do concurso de harmonização de vinho argentino com música.

Além de mim, foram vencedores e estiveram no mesmo grupo o João Clemente da loja Vino & Sapore  e do blog Falando de Vinhos o Marcelo Costa do site de cultura Scream & Yell.

Nos tres fomos incorporados a um grupo de convidados da Wofa que iriam conhecer um pouco da diversidade e das novidades que o vinho argentino está vivendo. Falo de Alexander de Oliveira que é o Sommelier Chefe dos diversos restaurantes do Chef Claude Troisgros, no Rio de Janeiro, o Denis Oliveira do Restaurante Taste Vin de Belo Horizonte, do Simon Knitel proprietário da Kylix Vinhos e ainda da Gabriela Monteleone, Sommelier do D.O.M. Restaurante de São Paulo e Diretora de Profissionais da ABS São Paulo, única moça do grupo, o que mereceu essa foto especial acima.

 

 

Este grupo foi montado pelo Deco Rossi, que além de Relações Públicas do WOFA é também Editor do blog Enodeco – R7  O Deco tem idade para ser meu filho, mas quando estamos juntos nos tornamos dois  adolescentes de ginásio, muitas vezes nos excedendo. É que gosto dele, de sua irreverência, fruto de sua inteligência e competência, que lhe dão segurança.

Acho que dificilmente o WOFA faria trabalho melhor no Brasil com outra pessoa e ouso dizer que duvido que esteja fazendo em outros países.  O Deco tem a capacidade de juntar pessoas, transformar o grupo em amigos, trazer humor, coisas que não são fáceis. Não sei quanto a Wofa paga [ara ele, mas ele certamente merece mais.

Nos próximos dias vou tentar contar um pouco do que fizemos nessa jornada de 9 dias, com 271 vinhos, de mais de 50 bodegas, que passou por Buenos Aires, Neuquén, Mendoza e San Juan.

 

 

Em nosso primeiro dia, por sugestão do João Clemente fomos visitar e conhecer a loja de Vinhos Lo de Joaquin Alberdi, que fica em Palermo Soho e que você não deve deixar de conhecer pois é um lugar de apaixonados por vinhos. Logo que entrei ele abriu os braços e disse alto: Didú Russo!!! Pensei que fosse algum credor do passado… que susto… mas não, era um amigo do Facebook que ficou feliz em me ver pessoalmente. Fiquei lisonjeado ao ouvir dele que gostava de acompanhar meus posts. Foi uma delícia. Ele logo percebeu o interesse do grupo por vinhos alternativos e veja só o que abriu para nós…

 

 

Certamente uma das mais agradáveis surpresas em vinhos da Argentina dos últimos anos, “secondo me”, claro. Aliás Matias Michelini, o que você está esperando para se filiar ao Wofa PÔ!! Toda vez falo de você e ouço como resposta que não faz parte do Wofa. Para quem não sabe desse enólogo, basta ver com quem ele anda… Dá pra você imaginar? Bem a boa notícia é que alguns de seus vinhos estão no Brasil com a Neve Wines.

 

 

Depois ainda teríamos o vinho que ele faz com os irmãos.

 

O Buen alma que bebi certa vez anos atrás no Azafrán em Mendoza com o Christian Burgos, que foi tão legal revisitá-lo, mais evoluído, mas soube que está meio desaparecido.

 

 

Teríamos ainda este maravilhoso vinho de Achaval Ferrer, que não vem para o Brasil e que nos foi apresentado pelo jovem que no vídeo abaixo aparece com Alberdi, que é filho de Marcelo D. Victoria um dos donos da Achaval Ferrer e que se lembrou que almoçou certa vez comigo e seu pai no L’Hotel.

Estávamos como pintos no lixo… ainda havia mais…

 

Voltamos felizes ao Hotel Fierro, veja como nos tratou bem a Wofa… com a preocupação de termos feito o melhor no primeiro dia de viagem, mas por sorte estávamos enganados. Veja no vídeo abaixo o clima do momento. Imagine a paixão e a generosidade de Alberdi que não nos cobrou esses vinhos.

Como digo sempre, podemos até ficar sem beber, mas beber mal jamais!Saúde!

 

Vertical de EOLO da Trivento.

 

Tive o privilégio de dividir a mesa farta e elegante do Cantaloup, com Victoria Prandina, enóloga de Eolo da Triventoi, Silvina Barros do Marketing da Trivento, Lucas Mathias Ribeiro da VCT e Deco Rossi do Wines of Argentina, para degustar uma vertical de quatro safras de Eolo. A comida estava espetacular com serviço idem.

 

 

O Eolo (Deus do Vento), mesmo nome de um ótimo vinho uruguayo de Pablo Fallabrino, é o top da Trivento. Ele vem de uma vinha centenária de pé-franco toda de Malbec que não produz mais de 1 quilo de fruta por planta!Extraordinário provar um vinho de um vinhedo que existe antes de eu nascer e que as videiras são autênticas, sem enxerto. Eu adoraria beber um vinho de lá com leveduras indígenas.

As safras eram 2007 (delicioso com toque já de evolução, ótima acidez, grastronômico), o 2008 (esta com um pouquinho de Cabernet Sauvignon e Petit Verdot foi meu predileto, classudo), o 2009 muito bom, denso e muita fruta, equlibrado e gordo e o 2010 também, com mais elegância, novo ainda.

Gravei a  Victoria Prandina que é a enóloga chefe do projeto desde sua primeira safra em 2005, um encanto de pessoa, moça linda, aberta, competente. Adorei o encontro. Veja no vídeo ela falando de EOLO, suas safras e sua importância. O vinho que é o top de Trivento custa R$ 420,00 no Brasil. Saúde!

 

Premium Tasting WOFA – Segundo Dia

O segundo dia do Premium Tasting do wines of Argentina em São Paulo teve um formato maior que o das Master Classes de ontem. Hoje, dois salões abrigaram cerca de duzentos profissionais do vinho interessados nas novidades dos vinhos argentinos. Veja na foto do Deco Rossi abaixo.

A mesa foi composta por Suzana Balbo, Susana Barelli que foi jurada este ano em Mendoza e Guilherme Corrêa que foi jurado em 2011.

Foram degustados 29 vinhos que variaram de R$ 55,00,  o gostoso Torrontés biodinâmico da Colomé, único branco, até o Bodega Luigi Bosca Icono da Familia Arizu a R$ 495,00! Para ficar em dois vinhos da Decanter, curiosamente o mais caro e o mais barato dos selecionados.

O critério da seleção foi de vinhos, ou pontuados alto pelo Luis Gutierrez, representante de Robert Parker, ou vinhos que ganharam Trophy no último Premium Tasting de Mendoza que aconteceu no início deste ano.

Os vinhos eram servidos às cegas em grupos de cinco amostras, num serviço absolutamente impecável, coordenado pelo simpático e articulado Sommelier Rodrigo Khon,  Sommelier-Chef do Hotel Intercontinental Mendoza que na foto aparece ao lado do enólogo Alejandro Vigil e Deco Rossi.

Os objetivos do WOFA de mostrar aos brasileiros que as 400 bodegas argentinas que hoje exportam para 126 países, podem vender mais de outros vinhos certamente foi alcançado.

 

Afinal, todos puderam constatar que hoje a Argentina apresenta vinhos com menos madeira, menos densos, menos musculosos, com consequente maior frescor e mais aptidão para as harmonizações com comidas e o melhor, há muito mais que bons Malbec.

Os Cabernet Franc, os Cabernet Sauvignon, os Bonarda e os assemblages encantaram a platéia nesses dois dias, mostrando a versatilidade de um país que mantém como marca registrada a intensidade de fruta madura em seus vinhos.

Eu gravei alguns momentos neste vídeo que vale você ver, principalmente para ver uma demonstração de elegância, classe e competência em descrever um vinho. Claro, falo do Sommelier Guilherme Corrêa.

 

 

Eu esperava o final do tasting para fazer duas perguntas a Suzana Balbo que não consegui, pois não sabia que não haveria perguntas ao final. Eu não quis ser grosseiro e atravessar a degustação para fazer as perguntas, então faço-as agora e deixo no ar aos leitores para reflexão. P{eço que entendam que o objetivo é contribuir com o bom vinho argentino.

Pergunta 1:

A cada vinho apresentado, Suzana Balbo falava da nota que o vinho havia conseguido com o degustador de Parker e em seguida fazia a descrição do crítico e sua previsão de longevidade do vinho. Ora.

Será que a descrição do vinho não seria melhor feita pela própria Suzana Balbo, enólga de longa e competente carreira e que conhece todos aqueles vinhos?

Será que o Luis Gutierrez já cultivou, já podou, já irrigou, já rezou para não cair granizo, já colheu e vinificou?  Então, como é que ele pode sentenciar o tempo de vida que aquele vinho terá?

Depois, a Suzana Balbo acha mesmo bom para os vinhos, ficar se perpetuando essa ditadura da pontuação em vinhos, turbinando cada vez mais o poder de um crítico? Eu não acho.

E devo dizer: Não dou a mínima para nota alguma e não divulgo nota. Nota de crítico só serve para tres tipos de pessoas: Os que vendem vinho, os que não sabem de vinho e os snobs. To fora. Meus leitores querem prazer, experiências novas, sedução e se custar menos de 50 Paus, tanto melhor.

Pergunta 2:

A variação de preços entre os vinhos era muito superior à variação de qualidade entre eles. Como explicar isso ao consumidor?

E mais, São Paulo tem uma oferta de 22 mil rótulos de vinhos de toda parte do mundo para o consumidor escolher. Esse consumidor não tem conhecimento algum de vinho. Ele não sabe nem que existe o Valle de Uco, muito menos que existe Altamira, e nem imagina que o Sebastián está lá procurando conhecer melhor seu terroir.

Um Marcel Deiss depois de 40 anos produzindo maravilhas biodinâmicas em Bergheim, revolucionando o conceito de castas e de terroir da Alsace, tem vinhos hoje de R$ 140,00 a R$ 548,00.

 

Falando em alternativas com o mesmo dinheiro, o consumidor tem em cada um dos importadores dos vinhos, alternativas bem atraentes. Veja por exemplo:

  • Magari IGT Toscana de Angeo Gaja R$ 320,00
  • Anima Negra de MiguelAngel Cerdà R$ 287,00
  • Viña Tondonia Reserva de Lopez de Heredia  R$ 273,00
  • Caves São João Reserva 1970  R$ 456,00
  • Gravner Ribolla Gialla a R$ 433,20
  • Pio Cesare Barbera D’Alba Fides a R$ 254,00

Como explicar ao consumidor que os vinhos argentinos estão nessa mesma faixa de preço? Ele disputa o mesmo dinheiro do consumidor. Não é prematuro? Não temos muito a caminhar antes de chegar a esses níveis de valores? O vinho argentino  “Secondo Me” está caro diante da percepção de qualidade e de tradição que ele tem no mercado.

Premium Tasting WOFA. Que Show.

 

O Deco Rossi tem idade para ser meu filho, mas não sei bem como, somos colegas de ginásio. Hoje, assim que cheguei ao Premium Tasting da WOFA ele me recebeu brincando com minha indumentária, não podia perder a oportunidade de um “selfie” nosso né?…

 

 

O WOFA está de parabéns, o Deco está de parabéns e toda equipe envolvida no evento Premium Tasting está de parabéns. Tudo correto. Lugar perfeito, organização perfeita, serviço perfeito, Wi-Fi, estacionamento oferecido, timing, tudo. Não teve baixaria, não teve acomodações de amigos, nem de esposas de queridinhos, nada disso. Organização e profissionalismo foi o que vi hoje lá na Casa Argentina.

 

 

O evento vendeu a diversidade de castas do país, vendeu e demonstrou a diversidade de terroirs, mostrou a evolução de seu vinho, emocionou os convidados. Acima o Alejandro Vigil, sempre bem humorado, típico de quem gosta do que faz e o que faz ainda por cima é vinho… Adoro isso.

 

Quatro Cabernet Franc de diferentes solos do mesmo vinhedo e vinificados da mesma forma. Diferentes. Un parece mais frescos, outro parece ter mais madeira, outro mais grafite… é a Argentina procurando entender seu terroir.

O mesmo aconteceu com Bonarda e com Malbec. Um espetáculo. Sebastián Zuccardi está no caminho do Marcel Deiss. Vai poder vender a casta e o terroir. O Cliente escolhe. ele mostrou isso para o público boquiaberto hoje.

Mostrou Mendoza, depois mostrou o Valle de Uco, depois mostrou as tres divisões do Valle de Uco: Tupungato, Tunuyan e San Carlos. Aí ele dividiu em 9 zonas, escolheu quatro: La Consulta, Vista Flores, Altamira e Gualtallary. Serviu as taças, todas de malbec vinificadas da mesma maneira. Pensei estar em Bergheim degustando exemplos de terroirs como Mambourg, Schienenbourg ou Altenberg de Bergheim… só que com a mesma casta, Malbec.

Quem não foi perdeu, mas pode saber um pouquinho aqui neste vídeo que fiz para você. Saúde!

 

Como foi o 1º Venda Vinho$

Quem foi no 1º Venda Vinho$ saiu de lá uma pessoa bem mais informada e mais qualificada do que entrou, quem não foi perdeu muito. Quem acha que não tem nada a aprender vai continuar achando, quem só olha para seu próprio umbigo, vai continuar míopemente olhando o próprio umbigo, afinal o Brasil é Amador…

Quando há um ano o Regis Oliveira (ao centro) do Jornal Vinho & Cia convidou o Prof. Sergio Inglez de Souza (esquerda) e a mim para um almoço e nos convidou a ajudá-lo no projeto Venda Vinho$, fiquei logo entusiasmado. Afinal, sou convicto de que o que mais falta ao vinho é discutir o setor e avançar. Temos tanto a avançar.

Nesta semana, mais precisamente nos dias 1 e 2 no Wine House Baby Beef da Marginal Pinheiros, aconteceu a primeira edição do evento que contou com o patrocínio e apoio da La Pastina, da WorldWine, do Ibravin e co-patrocinio de Salton, Perini, Villa Francioni, Global Wine  e Wine House.

Quem não foi deixou de saber em detalhes por exemplo, por que o Brasil é Amador e por que seria tão fácil vender 1,5 bilhão de garrafas de vinhos finos por ano. Foi o que disse em minha apresentação de abertura que afirmou. Somos AMADORES.

Quem não foi, deixou de saber em detalhes dos problemas de entraves, burocracias e números do mercado no painel de Adão Morelatto.

Quem não foi, deixou de aprender com Carlos Cabral, quais foram as coisas importantes que ele aprendeu ao montar a equipe de atendentes de vinho que levou o Pão de Açucar hoje representar quase 19 milhões de garrafas de vinho/ano e não ficou sabendo como fazer isso. Ele contou o que uma consultoria cobraria caro, dando detalhes preciosos desse processo todo. Não ficou sabendo por exemplo, que um dos grandes problemas hoje, é as férias dos atendentes, pois as vendas de vinho caem 50%!!

Quem não foi deixou de saber por que o Chile é líder e a Argentina é a segunda, pois diante da apresentação dos vinhos brasileiros eles deram um show de apresentação. Deco Rossi contou do potencial e qualidades de outras castas como Bonarda, Cabernet Franc e Cabernet Sauvignon, que independente da ícone Malbec, fazem bonito e crescem muito como alternativa aos consumidores e deu detalhes de cada região desconhecida da maioria.

Nicolas Torres da Ventisquero deu um show sobre Chile, ensinado por que Chile e como vender Chile. Com alta performance profissional e de material, demonstrou as qualidades do país, a diversidade, a confiabilidade, os estilos, a capacidade de fornecimento, o pioneirismo e ainda demonstrou que produto oferecer para cada perfil de consumidor. Uma verdadeira aula.

Luciana Salton contou o case de sua marca e falou das dificuldades brasileiras enquanto Naura Lorenzo contou do caminho da Villa Francioni em vinhos de qualidde e como vem ocupando seu espaço.

Quem não foi lea deixou de saber das peculiaridades do pais de maior diversidade de vinhos e da maior quantidade de DOCs., que é a Itália e do apelo gastronômico, turistico e cultural na venda do vinho Italiano, pelas informações preciosas do Emilio Pelizzon da agência ICE Itália e nem do que vem por aí como promoção dos vinhos italianos.

Quem não foi deixou de saber na palestra de Raphael Sena Evangelisti, as razões de se vender um paraiso de castas autóctones de Portugal, com detalhes e atributos de cada região.

Quem não foi deixou de saber por que um Sommelier não pode se corromper aceitando propinas e dúzias de 15 e que tais, que diminui sua estatura, diminui sua dignidade e não constrói nada para o vinho, só o encarece.

Deixou de saber de tudo sobre vinhos orgânicos, biodinâmicos e naturais por um pioneiro nessa área e expert no assunto, Jacques Trefois. Veja neste link dois vídeos que fiz com ele. E isso apenas no primeiro dia.

 

 

No segundo, quem não foi, deixou de saber por exemplo, por que a Enoteca Saint Vin Saint conseguiu mostrar resultado focando num difícil nicho de “Naturebas” e hoje virou referência, trabalhando com uma das menores margens de preço ao estilo dos Bistros franceses que têm a dona na cozinha e o marido no salão. Deixou de saber por que eles priorizam os pequenos importadores e quais suas margens.

Deixou de saber por exemplo, das margens praticadas por restaurantes e bares, na palestra de Cesar Adames, que demonstrou como se pode ganhar com margens baixas.

Quem não foi lá, deixou de saber do extraordinário case de Lamberto Percussi, uma pessoa apaixonada com o que faz e de sua sinceridade em explicar o quanto quer ganhar em cada garrafa de vinho e por que. Corroborando com a palestra do Ramatis, Lamberto explicou por que as margens em garrafas de menor valor são maiores que as margens nas garrafas de maior valor. Contou apaixonadamente por que o Restaurante é o melhor lugar para o show de um vinho.

Quem não foi lá,  deixou de saber como é que se pode vender mais vinhos em Restaurantes e em Pizzarias, nos depoimentos pessoais de André Cavalcante do Ráscal que contou desse segmento do grupo, montado por insistência e persistência dele e do sucesso no vinho que Alexandre Levy da Pizzaria Prestíssimo conseguiu, com espaço específico para o vinho.

Quem não foi lá deixou de saber também por que e como o Sommelier TOM transformou a carta do La Casserole numa participação de 75%  em vinho franceses e como consguiu com os Clientes de lá viabilizar uma importadora focada em pequenos produotres franceses e italianos que vive praticamente dos mesmos Clientes do Restaurante.

Quem não foi lá, deixou de saber do enorme desafio de distribuição que vive o Setor do vinho hoje no Brasil e não ficou sabendo por que e como funciona na Itália o Sistema Just In Time de estoque de vinhos nas apresentações de Paola Tedeschi do ICIF e do Marco Renzetti da Osteria del Petirosso.

Quem não foi lá deixou de saber por exemplo do desafio do Restaurante D.O.M. com as taças de vinho, das exigências de seus Clientes, da quantidade de taças que tem que ter, da quantidade de quebra, de como se resolve esse problema, na palestra de Gabriela Monteleone, responsável por gerir esse desafio com sua equipe.

 

Quem não foi lá, deixou de ter uma das melhores aulas sobre venda de vinhos em lugares de clima quente, na Palestra excelente de Gilvan Passos, consultor de vinhos de Natal e nem soube do extraordinário case do sincero Gugu Barbosa da Picola Forneria de Santos, que hoje vende 800 garrafas de vinho trabalhando apenas à noite e sendo a maioria vinhos brancos.

Também perdeu um outro show de vendas na palestra de Marcio Bonilha, um dos mais tarimbados na área, contando o que se deve fazer para vender vinhos em grandes centros, e nem ficou sabendo do que é fundamental para se montar uma equipe eficiente de venda de vinhos na visão de Bruno Airaghi.

 

 

Quem não foi lá, perdeu em saber do que o Ibravin está fazendo de efetivo na qualificação da Mão de Obra do Vinho, tanto em sua gestão como em serviço, no arrojado projeto Qualidade na Taça que em parceiria com o Sebrae está destinando R$ 5 milhões para qualificar mais de 1200 restaurantes e bares nas principais capitais do Brasil. Como será e o que fará, foi o tema de Leocir Bottega.

Quem não foi lá, deixou de saber dos entraves do e-commerce no Brasil na visão de Manuel Luz, que deu um show de apresentação com conteúdo e sinceridade e da visão do lojista na visão de Egidio Silvestri da Wine Pro.

Depois de dois dias inteiros lá, ajudando na mediação dos painéis, dois dias estes que deixei a Nazira de cama e sozinha em casa, para cumprir o que considerava fundamental, perguntei ao Regis sobre a divulgação do evento, que “Secondo Me”, era para ter fila na porta e ouvi dele o seguinte:

” Didú, o Vinho&Cia tem um grande mailing de profissionais do mercado, divulgamos vários comunicados ao longo de meses pelo site e pelo Face, você mesmo, que tem uma grande audiência, fez várias matérias e vídeos, o Sergio Inglez divulgou, publicamos na edição impressa do Vinho&Cia um anúncio, fizemos um convênio com a Abrasel de SP para divulgação pelo mailing deles, convidamos os associados da Abracohr, duas meninas minhas durante um mês inteiro telefonaram e mandaram e-mails para as pessoas, e etc.

Porém, a gente sabe, é um evento novo, diferente, que não era para as pessoas irem provar vinhos, como é comum, e, sim, para discutir o vinho. Avalio que algumas pessoas com maior visão se despertam no começo para esse tipo de iniciativa. Por exemplo, o Sidnei Brandão, da Ville du Vin, que foi presidente da Apple no Brasil e que estava na plateia nos dois dias.

Além do mais, parece que as pessoas estão muito sem tempo em São Paulo. Convidamos mais de 50 assessoras de imprensa para participar, aquelas mais representativas no mercado, que procuram ajudar seus clientes a vender mais vinhos por meio de contato com os veículos de imprensa e blogueiros. Duas apenas confirmaram presença, e nenhuma delas compareceu. Convidamos muitos blogueiros. A maioria confirmou presença, mas acho que apenas um foi. Dos veículos de imprensa especializados mais representativos, convidamos todos, o Horst Kissmann da Prazeres da Mesa foi cobrir.

Mas, com certeza, no próximo evento em 2015 vamos fazer ainda mais, para divulgar mais e despertar mais interesse de todos para além do próprio umbigo. ”

Como digo sempre. Somos AMADORES, falta União do SETOR, mas com o tempo, eventos como o Venda Vinhos, Wine In, Debate do Vinho Fecomercio, que buscam discutir o negócio, o setor, com seriedade, vai contribuindo com seu papel profissionalizante. Não custa sonhar. Parabéns Regis.

 

 

Deco Rossi e o Malbec Noise

Gosto de ver o toque de um publicitário no mundo do vinho. Falo do Deco Rossi, que vem da publicidade e hoje é o embaixador do Wines of Argentina, que com sua juventude e visão de mercado vem realizando um ótimo trabalho para os vinhos argentinos.

Neste evento ele inovou na comunicação, na proposta e no público. Parabéns. Ampliando o mercado do vinho e tirando o ranço das degustações tradicionais. Veja ele mesmo contando do evento. Nota dez.

Deco Rossi no Wine Actor’s Studio

André Rossi (Déco), 37 anos, é Editor do blog Enodeco e Rp do Wines of Argentia, onde vem fazendo excelente trabalho. Deco é formado pelo instituto inglês Wine & Spirits Education Trust (WSet) nos níveis 1 – Foundation, 2 – Intermediate e 3 – Advanced, cursados em Nova York. Atualmente está cursando o quarto e último nível do WSET, o “Diploma”, curso este que tem duração de 2 a 3 anos e é preparativo para o Instituto Master of Wine. 

É também um dos únicos 5 Brasileiros residentes no país a ser credenciado como Professor deste mesmo WSet, tendo sido aprovado pelo WSet Educator Training Program 2011, em Nova York.

Deco Rossi respondeu as perguntas do Wine Actor’s Studio. Veja suas respostas e fique conhecendo um pouco mais dele.

 

Como começou no mundo do vinho?

Deco: Vou chover no molhado e dizer que foi bebendo em casa. Meu pai sempre gostou de vinho e toma religiosamente uma taça de vinho por dia. Minha mãe também gosta. Mas somei os gostos dos dois e multipliquei por muito e então criou-se minha paixão. E ela continua se multiplicando. Non-Stop.

O que mais lhe deu prazer realizar no mundo do vinho?

Deco: “Fazer” inesperadamente o “meu” vinho na ação que a Susana Balbo fez com os blogueiros e que inconsequentemente deu a mim a vitória de melhor corte. E hoje posso, com orgulho, ter um vinho com minha assinatura no rótulo. É uma sensação indescritível e que não achei que teria tão cedo. E até por conta disto hoje estou como RP da Wines of Argentina aqui no Brasil, o que é motivo mais orgulho ainda! Mas não posso deixar de falar da satisfação em dar aulas e palestras, seja onde for, e ver pessoas se interessando cada vez mais pelo vinho. Me motiva muito a continuar este trabalho de mostrar que o vinho é uma bebida para todos e não apenas para alguns…

O que mais lhe aborrece no mundo do vinho?

Deco: Outra resposta que vou chover no molhado: Enochatos! E além dos Enochatos, os egos! Tem gente que acha que entende tudo de vinho e é dono da razão. Pior, gente que acha que conhecer muito sobre vinho é sinônimo de status. Ou aqueles que bebem muito bem porque tem dinheiro, mas se perguntamos qual a uva tinta principal da Borgonha, ele gagueja. São estes perfis típicos que afastam os novos consumidores de vinho. São patéticos!

Velho ou Novo Mundo?

Deco: Velho mundo no estilo. Novo mundo nos avanços e modernidades. Há espaço para todos. Mas nada como os tradicionais Riojas, Brunellos, Barolos, Bordeaux e Borgonhas, né?

Qual seu vinho inesquecível?

Deco: Um Lafitte Rothschild 1967 que meu pai abriu com um pé atrás, achando que pudesse ter passado. Bebi de joelhos. E estaria de joelhos até agora…

O que pretende degustar que ainda não degustou?

Deco: Sou um fã confesso dos Borgonhas. Então, não poderia deixar de citar um Romanée-Conti. Safra? Qualquer uma, mas de preferência o ano em que nasci: 1976. Mas se me vierem com um Petrus 1976 também, não ficaria chateado não… 🙂

O que pretende realizar no mundo do vinho que ainda não realizou?

Deco: Talvez fazer o meu próprio vinho desde o início, desde a colheita até o engarrafamento. Mas o que eu sonho ver e sigo fazendo o possível para ver isto o quanto antes é o ver consumidor, imprensa e trade juntos e unidos para bebermos cada vez mais e cada vez melhor. Mas parece que tem muita gente que não quer isto. Outra coisa importante, é concluir meus estudos do WSET Diploma, que é bem duro e difícil de conciliar com as muitas horas de trabalho. 

Cite alguém que admira na história do vinho.

Deco: Não consegui chegar a tempo no mundo do vinho a ponto de ter contato com ele, mas só ouço falar bem de Saul Galvão. E foi dele um dos meus primeiros livros de vinho que comprei! Mas na atualidade, Jancis Robinson, que tem um conhecimento fora do normal e é a madrinha do WSET, escola que continuo a estudar até hoje e ainda ficarei por um tempo!

Qual seu vinho do dia-a-dia?

Deco: Tenho 2 vinhos que digo que são indispensáveis na minha adega: Vega Sauco Piedras, espanhol da região de Toro e tremendo custo-benefício e claro, um argentino, o Lagarde Guarda Cabernet Franc, que apesar de estar um pouco fora da faixa do dia-a-dia, é um vinho pra qualquer momento.

O que nunca pode faltar em sua adega?

Deco: Pelo menos um vinho de cada estilo: Espumante, Branco, Rosé, Tinto, Sobremesa e Porto. Mas jamais pode faltar um Champanhe. Nunca se sabe quando termos algo pra comemorar!

Wines of Argentina X – Final

O grupo foi excepcional. Agradeço ao Deco Rossi pelo roteiro montado, pela companhia alegre e profissional o tempo todo, cuidando do grupo com atenção e carinho.

Meus colegas de viagem foram excepcionais e lamento não ter gravado com o Gerosa, como fiz com o Silvestre e o Deco que vocês podem ver abaixo.

Agradeço a generosidade do Silvestre que nos trouxe uma preciosidade de sua adega que comprovou mais uma vez a qualidade de evolução dos vinhos sul-americanos. Estava espetacular.

De minha parte devo confessar que estava com uma idéia pre-concebida de vinhos argentinos que precisava de aeração.

Nós brasileiros e principalmente os colunistas de vinho brasileiros estão bastante mal acostumados, ou melhor dizendo, bem acostumados. Temos de tudo aqui. Vinhos gregos, israelenses, árabes, croatas, italianos, portugueses, franceses espanhóis, de tudo.

Assim, muitas vezes temos uma idéia pré-concebida e estereotipada que fica desatualizada. Assim estava eu com os vinhos argentinos.

Não esperava encontrar tantos Torrontés delicados, frescos, sem excesso de aromas que chegavam a nausear, nem o amargor ao final de boca. encontrei diversos Malbec elegantes com madeira moderada, acidez integrada e na medida, cabernet sauvignon que vieram confirmar o que o Pagliari sempre disse, são superiores aos Malbec. São excelentes os Cabernet Sauvignon argentinos, mais discretos que os chilenos.

E as duas grandes e alegres surpresas: Tannats bem feitos e com tipicidade, elegantes sem matara a personalidade rude do lavrador arrumado para a festa… e os Cabernet Franc. Quantos tão bons! Que maravilha.

Ficou devendo apenas os experimentos, os vinhos biodinâmicos e naturais, embora tenha provado alguns orgânicos muito bons e a bons preços.

Conhecer Quebrada de las Conchas foi uma emoção que levarei para o resto de minha vida. Me tocou. Grazie WOFA, Gracie Deco Rossi. Abaixo os vídeos:

 

 

uebrada de las Conchas