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Páscoa! Comemore com Vinho

Numa das vezes que tive dinheiro, viajei a Portugal com a Nazira e nos instalamos no elegante Albatroz em Cascais. Coisa finíssima. Naquela época eu nada sabia de vinho, era leigo total. Fomos jantar no elegante salão sobre as ondas do mar e chegou o “Escanção”, nome do Sommelier em Portugal.

Era um senhor elegante, velhinho já assim como eu hoje, mais ou menos… ele penteava o cabelo direitinho, com repartido, muito asseado. Chegou-se a mesa e eu lhe disse: Boa noite, eu e minha mulher vamos comer um bacalhau, será que o senhor poderia nos indicar um vinho verde?

Ele colocou um dos braços para trás e disse: “… Vinho Verde com Bacalhau, é coisa de Português no Brasil ou Brasileiro em Portugal… não se toma vinho verde com bacalhau”

Eu me surpreendi e disse: “…Mas bacalhau não é um peixe? Não deveria comer tomando um vinho branco?  E êle: Bacalhau não é peixe, bacalhau é bacalhau e come-se tomando um vinho tinto da Bairrada.

Pois eu experimentei e adorei, não me lembro o vinho, mas era austero, seco e sem madeira, rústico e seus taninos, hoje compreendo foram tudo que a untuosidade do prato queria…

Claro que essa preferência varia muito de receita para receita, claro que há quem prefira um branco com madeira, claro que há quem continue com os verdes. E daí? Ora, coma seu bacalhau acompanhado do vinho que lhe agrada.

Esqueça os sabichões famosos que adoram dar um blá, blá, blá sobre o que é correto. Quem pagou o bacalhau foi você e o vinho também, por tanto siga seu gosto. Se vale a opinião de alguém que não é afetado e gosta de vinho, compre os tres vinhos, um verde, um branco com madeira e um tinto sem madeira e faça você o teste, pesquise a opinião dos outros, até do cunhado… vai ser divertido. Saúde!!

Simplesmente… Vinho – Bairrada

François Chassans cuidando de seu vinhedo. Vigneron na raiz.

 

Deixei cedo o hotel no Dão e o atencioso Antonio Madeira me colocou no comboio em direção ao Dão. Interessante observar a paisagem e perceber a diferença de visual entre Dão e Bairrada… antes de sair gravei este vídeo no Instagram…

 

Saindo do Dão e indo para a Bairrada!

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A viagem foi gostosa e logo que desembarquei lá estava na estação o grandalhão François Chassans da Quinta da Vacariça. Conheci o François no ano passado no Simplesmente… Vinho de 2016. Ele é um Vigneron na raiz. Sabe o que faz, é inflexível, mãos rústicas, vinhos soberbos que precisam de tempo para mostrar toda sua finesse…

 

O François estava com uma van Mercedes Benz amarela, carro de trabalho. Tinha tudo que um agricultor usa lá na parte de trás… me arrependi de não ter fotografado. O François não deixou que eu carregasse sozinho minha mala e saiu correndo pelas estradinhas da região.

Passamos no Rei dos Leitões e ele chamou o chef entregando duas latinhas com trufas e recomendou o prato… sem palavras. Saímos de lá em disparada ao Hotel da Curía. O François anda como se estivesse com uma hora de atraso… Me deixou lá e ficou de voltar em duas horas. Era cedo e pude ainda ter o café da manhã.

 

Eu jamias poderia imaginar que a generosidade de François Chassans da Quinta da Vacariça me levasse a ser hospedado na famosa e tradicional Curia do Bussaco.

Imaginem que meu avô Licinio Ganja em 1952 viajou para a Europa com minha avó e dez malas! Fez sua base de apoio aqui nestas termas onde hoje estou hospedado. Na época reservou um apartamento por um ano e ia fazendo sua viagem. Vamos à Alemanha? E preparavam uma mala para a Alemanha enquanto na Curia ficava o resto. Imaginem como o Mundo e o Brasil mudaram pois o Licinio Granja não era político, mas um comerciante de artigos sanitários e essa sua viagem custou à época U$ 10 mil!

Procurei lá por livros antigos de hóspedes, mas não encontrei, apenas as coisas expostas. Valeu demais a experiência. Eles não têm idéia do presente que me deram.

 

 

Fomos diretamente para seu vinhedo. O François cuida dele como de um filho, convencido de que pode tirar de lá muito mais do que tem tirado, e ele já tira maravilhas…

Imaginem que ele trabalha só com um empregado na vinha e com sua filha e genro na adega. Faz tudo sozinho. Tudo, desde o vinho até a construção de sua adega que faz com as próprias mãos, piso, portas, tudo. Está quase pronta… Aqui tiramos uma foto com o busto de Baco.

 

 

Em seu vinhedo eu gravei alguns momentos com o François explicando a poda, veja:

 

 

Depois dessa ida ao vinhedo fomos até a Quinta de Bágeiras. Inicialmente eu teria uma visita lá também com o Mario Sergio Alves Nunes, mas o programa se modificou, mesmo assim estive com ele que me presenteou com seu famosíssimo vinagre de vinho que leva 10 anos para ficar pronto!!!

O Mario Sergio é uma pessoa especial, além de fazer aqueles vinhos extraordinários, que você encontra na Premium Wines, ele também foi a pessoa que apoiou e apoia o trabalho do François, com sua estrutura. Excepcional. Bonito de ver isso.

Em sua adega pudemos provar a barrica do 2016 do Vacariça e aproveitei para gravar o François descrevendo seu vinho e dando dicas de como o faz…

 

 

Fomos então ao nosso almoço no Rei dos Leitões mas antes buscamos nossa garrafa do Vacariça 2008 que foi sua primeira safra e que acreditem, depois de duas horas decantado estava estupendo mas ainda ficará melhor em cinco anos e extraordinário em dez. Acreditem, o vinho consegue reunir raça e finesse. Não é fácil.

 

 

Nosso exagerado almoço contemplou ainda uma garrafa do Espumante da Quinta de Bágeiras, um Reserva, extraordinário, depois o Vacariça e ainda um Abafado do Nuno que estava divino mesmo. Muito elegante. Agradeço de coração ao François Chassans.

Era hora de encontrar com Filipa Pato. Sua casa-adega é simplesmente deslumbrante, um projeto para revista de sonhos. Ao menos para quem gosta de vinho como nós. Cheguei lá e vimos que havia ainda um tempinho até encontrar com alguns estrangeiros que visitariam as vinhas conôsco e depois jantaríamos com o casal. 

Você vai ver no vídeo a seguir. Seu simpático marido, o chef e sommelier William Wouters me contou uma ótima. Ele é belga, mas com o convívio com a Filipa e família, seu português é melhor que o meu e ainda com sotaque brasileiro. Os filhos deles dizem que o pai fala brasileiro… E certa vez uma senhora perguntou se ele era português, ele respondeu: Belga. E ela em seguida, mas onde fica a Bélgica em Portugal?… Assim a abertura do vídeo foi essa… Veja:

 

Depois visitamos algumas vinhas e eu pude gravar com ela também sobre a recuperação de algumas vinhas velhas, veja:

 

 

Voltamos e fomos visitar o sub-solo da casa-adega de Filipa…

 

 

Fiquei surpreso ao ver o Francisco, filho mais velho da Filipa e William, pois o conheci de colo aqui no Brasil e isso faz já mais de 7 anos, quando na minha cabeça seriam uns dois ou tres anos… Me diverti com os dois meninos, Francisco e Fernão pois disse-lhes que eu era filho do Papai Noel (lá é Papai Natal), e eles ficaram muito intrigados com isso. Noite memorável no aconchego dessa família, com os deliciosos vinhos da Filipa e a cozinha do William. Grazie. Os vinhos da Filipa você encontra na Casa Flora.

 

 

Voltamos ao Hotel, onde no dia seguinte a Filipa me pegou para irmos ao Simplesmente… Vinho 2017 e assim termina minha agenda desta estupenda viagem a Portugal que amo tanto… Aqui um vídeo de despedida da Curía…

 

Simplesmente Vinho 2017 entre umas e outras…

Bem, vocês se lembram que estou fazendo os posts ao contrário não? Então…

O Simplesmente Vinho de 2017 cresceu, foi para um local mais que apropriado e ao mesmo tempo nos enche de angústia por querer fazer tudo e o tempo não permite fazer tudo. Lembrando que fiz uma viagem de cinco dias antes do Simplesmente… e cheguei direto para o encontro com a imprensa no gostoso Prova Wine Food & Pleasure.

 

 

De entrada provei um dos destaques deste ano, do meu amigo Vasco Croft da Aphros  que era um PétNat como se chamam os vinhos espumantes de uma fermentação, Pétliant e Naturelle. Eu gravei pelo celular, veja”

 

No Prova, no Porto, fazendo aquecimento para o #simplesmentevinho

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Eu havia levado umas garrafas de brasuca naturebas, do Zenker, da Lizete e da Marina pois nos anos anteriores havia um encontro de jornalistas só com provas, este ano não teve, mas consegui ao menos pegar uma avaliação Cabernet Franc Vinha Unna, que surpreendeu a muitos, como a blogueira inglesa  Sarah Ahamed que não imaginava um vinho assim no Brasil e o Antonio Madeira do Dão que consegui gravar algo com ele, além da Malena Fabregat que organiza o Simplesmente Vinho em Barcelona que acontece por esses dias.

 

#simplesmentevinho #vinhaunna #porto

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Partimos de lá para deixar a mala no Vincci Hoteles, ótimo lugar para se ficar no Porto com um dos mais fartos cafés da manhã que conheço. Recomendo.

Partimos para o Simplesmente… que fica próximo do hotel, caminha-se à beira do Douro e chega-se em poucos minutos pelo Cais Novo. Vejam o espaço vazio que gravei antes do leilão, assim vocês podem ter uma idéia do espaço.

 

Logo ao chegar encontro o Luis Patrão do Vadio (seus vinhos chegam pela Licinio Dias) que estava com um delicioso espumante de inusitado método de estilo solera de várias safras de Bical, Sercial e Baga… saiba por ele mesmo:

 

Na sequência encontro meu amigo Manuel Teixeira o competente homem comercial que conheci há anios em visita à região do Vinho Verde. Ele agora está na Quinta de Maritávora, biológicos do Douro. Veja:

 

 

O Joaquim de Almeida da biodlógica Quinta do Vale dos Pios também faz excelentes vinhos. Não deixe de visitar seu site, vale muito. Mas eu gravei com o Joaquim para você conhece-lo.

 

 

E qual não foi minha agradável surpresa ao me deparar com o simpátco Antonio Souza, um enólogo muito competente e conhecido na região do Vinho Verde. Conheci-o quando visitei a região a convite da Comissão do Vinho Verde, há nos. Antonio me contou que como fazia consultoria para muitos produtores e muitos não tinham onde vinificar, terminou por montar uma vinícola e se entusiasmou a ter sua marca. Aí estão os vinhos da AB Valley Wines. Gostei bastante do que provei e há bons preços.

 

 

Encontro meu amigo João Meneres que me hospedou em sua maravilhosa Quinta do Romeu e depois esteve aqui em São Paulo durante a Feira de Naturebas da Enoteca Saint Vin Saint, ele me contou de um lançamento deles, veja:

 

 

Encontro o enólogo José Domingues que me chama para provar uma delícia de espumante de uma Quinat do Minho, a Quinta de Santiago. Veja a Joana Santiago, proprietária da quinta, falando dos seus vinhos minhotos…

 

 

O Simplesmente já estava bombando quando encontro com Abraham Conlon Chefe do Fat Rice em Chicago e Craig Perman, que fez sua carta e é importador em Chicago. O Abraham fez um jantar no Bocca, que fez muito sucesso e tinha uma sequência de doze pratos!! Fui dormir às 3:30 da manhã!!! Senti falta dos meus cachorros para uma caminhada pela noite do Porto maravilhoso, eles teriam adorado.

Mas falando do Bocca que é do irmão do João Tavares de Pina, recomendo muito a visita ao lugar que é deslumbrante e de comida fantástica. Programe-se em sua próxima visita a esta cidade encantadora chamada Porto.

 

 

Mais adiante encontro os maravilhosos vinhos da Capucha a quem estava devendo um vídeo, meu Deus, é difícil fazer tudo, mas faço o possível e com o tempo vou corrigindo as falhas… Aqui o Pedro Marques fala de sua vinha e seu trabalho. Seu vinho todos os anos são muito comentados entre os visitantes.

 

 

Agora vejam uma curiosidade, veja o que é a comunicação hoje em dia. Em 2016 eu entrevistei o Luis Duarte do Bago de Touriga, falando de seus vinhos que faz em parceria com o João Roseira e fiquei apaixonado por diversos deles, especialmente um laranja de vinhas velhas com predominância de chamado de Govyas codega do larinho e rabigato, chama-se curtimenta e estava sendo lançado, veja o vídeo da época:

 

Então este ano ao encontrar o Luis, fui direto provar de seu curtimenta, mas agora ele se chamava Ambar. então comentei com ele que era o mesmo nome de um maravilhoso laranja do Atelier Tormentas, (leia o link), de Marco Daniele, então ele me explicou a razão do nome, veja:

 

 

Eu queria mesmo era ter quatro braços, sabe. Pois assim poderia ter uma mão para segurar a taça, outra a minha inseparável The Flip, outra para um celular ligada no Instagram e a outra para outro celular com um Facebook Live… Não seria bom?

Encontro então meus amigos da Quinta Edmund Val apresentando um Gim de alvarinho!?… Preciso contar ao Amarante… Gravei com ele e provei. Uma delícia com sete destilações.

 

 

Gin de Alvarinho!!

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Bem perto deles estava o Outeiros Altos do Alentejo com vinhos biológicos maravilhosos inclusive um de talha que adorei. Seus vinhos chegam ao Brasil pela Doc.

 

 

Outeiros Altos. Vinhos biológicos do Alentejo. Na importadora doc de SP #simplesmentevinho

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Foi a hora em que o rock bombou e todos festejavam enquanto as lindas filhas do João Tavares de Pina, a Maria a Rita e a Inês,que não sei estão nessa ordem na foto… assistiam a tudo de camarote.

 

#simplesmentevinho Vinhos Sinceros.

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É isso, o Simplesmente mal acabou e eu estou morrendo de saudades. Mas em 2018 tem mais. Saúde!!

Simplesmente… Vinho 2017

 

Acabo de chegar do Simplesmente… Vinho 2017. ainda sobre efeito do jat-lag, vou pedir licença para fazer meu relato de forma inversa. Quero começar falando do Simplesmente e depois faço o diário da viagem. Como já comentei em minha pg do Facebook, este ano Visitei Collares, que não conhecia, e que foi o grande homenageado do ano. Em 2016 foi o Czar de Fortunato Garcia, lá da Ilha do Pico no Açores. Este ano Collares. Vocês vão ficar surpresos com os vinhos da casta Ramisco cultivadas assim (foto abaixo), rasteiras por conta dos ventos.

 

 

Estive também no Alentejo onde conheci em Portalegre as vinhas centenárias de Vitor Claro, com suas vinhas centenárias e seus vinhos puros e naturais espetaculares…

 

 

Contarei também sobre onde almocei fartamente na Quinta do Mouro pela generosidade de Miguel Louro em Estremoz. Depois contarei sobre a viagem de trem aré o Dão onde pude visitar meu Amigo Alvaro de Castro, sua filha Maria e o promissor enólogo Luis Lopes,

 

 

Lá no Dão conheci as Vinhas centenárias recuperadas pelo Antonio Madeira, parti de trem para a Bairrada e me hospedei na Curia, visitei o incrível François Chassans, o Mario Sergio da Quinta das Bágeiras e conheci o fantástico projeto de casa-quinta da Filipa Pato e seu simpático marido William e parti para o Porto para o Simplesmente Vinho.

 

 

Em todos esses lugares fui recebido como da família, uma generosidade e carinho muito acima de meu merecimento. Eu adoro os portugueses e seus vinhos sinceros, com sotaque. Tenho muito a contar, filmes a editar e postar, mas farei isso com calma. 

Agora quero mostrar a vocês o local deste Simplesmente… Vinho 2017 e a entrevista com o João Roseira. Sugiro a você que visitar o site do Simplesmente Vinho 2017 para conhecer sobre os expositores de vinho e de arte e saber também de música. Vale à pena. Abaixo a entrevista com o João e uma amostra do local, vazio e cheio. Sensacional. Saúde!!

 

Logo mais Portugal !!

Logo mais embarco para Portugal. Estou indo mais uma vez a convite do extraordinário evento de Vinhos Arte e Música  Simplesmente… Vinho que acontece pela quinta vez na  Cidade do Porto.

Meu roteiro preve visitar Colares que ainda não conheço e estou super feliz por isso. Depois Alentejo, Dão, Bairrada e finalmente o Simplesmente…

Por essa razão você deve me acompanhar pelo Instagram, pois não terei tempo de postar de lá, mas farei bons vídeos para a volta contar tudo, ok? Saúde!!

Simplesmente Vinho – Post 14

Saímos do delicioso almoço no Ode Porto Wine House e voltamos caminhando na agradável e fantástica cidade do Porto até o Convento de Monchique. A chuva deu trégua na hora exata e pude curtir a caminhada.

 

 

Chegando lá o Simplesmente já estava bombando! Ufa, precisava correr e gravar ao menos alguns amigos, fui em busca de um espumante para organizar o roteiro da tarde e minha intuição me levou direto para o início do meu roteiro, Luis Pato…

 

Chego lá e encontro a Maria João (filha do Luis Pato), grávida da Madalena que está para chegar! Que alegria! O Luis Pato, que tem um nível de educação bem superior ao nosso, havia me escrito avisando que sabia que eu estaria no Simplesmente mas que ele infelizmente estaria na Alemanha em evento da Bairrada, e me disse que sua filha estaria lá, mas não sabia da gravidez.

Eu chego lá e encontro o delicioso Informal… era tudo o que eu queria… Me recompus e continuei gravando alguns dos amigos que estavam por alí…

 

 

Confesso que estava um pouco ansioso, pois sabia que não gravaria com todos os expositores, sabia que não provaria todos os vinhos e isso me deixa um pouco decepcionado. A mesma decepção de quem sabe que não viverá para degustar nem 5% dos vinhos que existem…

Mas deu para gravar muita gente boa e provar vinhos extraordinários deles como os que você podem ver abaixo:

 

Sempre fico na esperança que o Dirk Niepoort prestigie o Simplesmente, mas ele não estava novamente, mas estava o Paulo Silva, que sabe tudo dos projetos do Dirk. Este acima, ele explica no vídeo, eu adorei por seus aromas estranhos que depois desaparecem, não é para qualquer um, quem procura defeito descarta e perde…

Com a Quinta de Baixo, o Dirk faz incursões a outras terras, prioritariamente a Bairrada, onde produz maravilhas, caso do Poeirinha (antigo nome da casta baga na região), com álcool de 11,5%. Seus vinhos chegam pelas mãos do Ciro Lilla na Vinci Vinhos e outros na Mistral.

Antes de sair provei o Bioma Vinha Velha Vintage 2013 no sistema antigo, em pipas pequenas (3 anos) antes de engarrafar, totalmente biológico. Super Show.

 

 

Bem à sua frente havia a mesa dos vinhos Bago de Touriga, um projeto conjunto do Luis Seabra e do João Roseira. Eles fizeram um laranja de vinhas velhas, diversas castas, de se beber de joelhos… Um dos melhores desta edição do Simplesmente, “secondo me”…

 

 

Eu gravei com o Luis, veja:

 

 

Mario Sergio Alves Nunes é uma pessoa especial. ele é o proprietário do tradicional Quinta das Bágeiras, que há 27 anos nunca usou leveduras selecionadas. Que tal? A pronúncia que sempre me chamou a atenção é Bageiras, sem o acento agúdo. Eu pronunciava sempre Bágeiras, com o a aberto. Então perguntei ao Mario Sergio qual a pronuncia.

Descubro então que se fala sem o acento, isso para nós brasileiros, pois os portuguêses pronunciavam Bâgeiras pelo sotaque e isso incomodava o Mario Sergio que colocou o acento para se pronunciar com o a aberto… Demos risada quando lhe contei que meu apelido Didú também, não deveria ter o agudo no u, porém as pessoas insistem em pronunciar Dídu, com acento no i… Então passei a acentuar o ú com o agúdo, mesmo sendo errado.

Gravei com o simpático Mario Sergio, que tem seus vinhos no Brasil importados pela Premium Wines,  veja:

 

 

Ao lado do Mario Sergio estava meu Amigo Antonio Lopes Ribeiro, que você já deve conhecer por que sempre falo de seus biodinâmicos do Dão. Eu adoro o radicalismo convicto do Antonio Lopes e sua calma em defender o Dão e as tradições do Dão. Seus vinhos chegam pela Vinhos do Mundo.

 

 

Não encontrei na Pellada, o Alvaro de Castro e nem a Maria Castro, sua filha, mas o  simpático enólogo Luis Lopes, que como eu adora vinhos brancos com idade, estava lá e me apresentou as novidades da Pellada, veja:

 

 

Estava degustando o Csar 2001 que tinha 21 graus naturais de álcool!, quando fui chamado por uma moça, para degustar um vinho que não conhecia. Eram os vinhos Quinta da Vacariça do François Chasans.

 

 

O François é um francês casado com uma portuguesa (Maria do Ceu) e que se apaixonou pela Bairrada e produz lá elegantes vinhos biodinâmicos.  Ele sustenta que o potencial da elegância da Bairrada tem paralelos com a Bourgogne. Quando for a Portugal, não deixe de provar seus vinhos. Gravei com ele, veja:

 

 

Quando me dou conta da hora, o simplesmente já estava quase para acabar e encontro o grande cicerone João Tavares de Pina, dos maravilhosos vinhos Terras de Tavares e do Rufia, que agora tem também um branco.

 

 

Era um clima de muita alegria e festa dos vignerons e dos visitantes e a banda ds TT Syndicates começa a mandar bala… e ia tocar ainda um bom tempo. Não dava mais para gravar nada.

 

 

Encontro então o pai do João Menéres, o João Pedro, homem da minha idade, alto, elegante e simpático, com porte nobre, comento com ele: João Pedro, agora era hora de  uma lareira e um bom chá… e ele me responde: Ótima idéia, é o que farei já. E se despediu… hahahahahaaaa.

Eu estava faminto e sabia que nosso jantar de encerramento ainda demoraria, pois tinha a banda, tinha a reunião do grupo, tinha o ônibus, etc., e tal… mas aí eu encontro o José Ruivo da Casa de Darei, que comia um sanduiche de carne de porco que estava maravilhoso, devo ter feito uma cara de faminto, pois ele logo me ofereceu um… claro que aceitei, ele então tira de uma sacola, um deles, quentinho, tenro, perfumado, o pão crocante, um espetáculo que acompanhou perfeitamente uma taça de seu vinho enquanto curtíamos a alegria dos mais jovens que nós…

Ficamos lá curtindo a festa até o momento de arregimentar a todos e irmos para a Casa Ribeiro, endereço tradicional dos jantares de encerramento do simplesmente, onde não faltam os discursos, a alegria e sempre vinhos que não provei no Simplesmente…

Caso destes abaixo…

 

Na nossa mesa estavam o Jamie Goode, o João Tavares de Pina e sua filha, o Vasco Croft, o Gabriel Ameztoy, e o Tiago Sampaio. Me dou conta de que não tinha gravado nada com o Jamie Goode que é um grande apreciador e divulgador dos vinhos portugueses de vignerons. Mas… eram meus últimos 26 segundos restantes na The FLIP. Mesmo assim posto aqui para vocês:

 

 

Depois de muitas gargalhadas e brindes, saimos de lá à pé numa noite fria e limpa, descendo o Porto até a Ribeira, uma caminhada de meia hora, conversando com os amigos e a grata surpresa de um cigarro especial, dos bons, que ganhei de um produtor que preservarei o nome, mas que encheu meu coração de alegria e deu sabor especial na conversa e na caminhada. Grazie!!

Master Class na SBAV com Prof. Pagliari

 

Se você viver espaço em sua agenda para o dia primeiro de dezembro agora, não perca essa Master Class que ele dará na SBAV-SP.

Pagliari, uma das pessoas mais preparadas no tema Vinho, falará de D˜åo e Bairrada, com vinhos de sua recente visita à região. Não perca e aproveite associe-se à SBAV-SP pois fica bem mais em conta participar dos eventos. Saúde!!

 

 

 

Simplesmente Vinho 2015 – Parte 6

 

Saímos com certo atraso do aconchego amável e inesquecível da família de Inês Goucho, que nunca terei como retribuir.

Estarei eternamente em dívida com ela, pois mesmo que eles venham a São Paulo e se hospedem em meu Refúgio Biodinâmico, que eu ofereça minha cama ao casal, não terei a colcha de linho feita pelas mãos de Dona Palmirinha… Grazie Inês.

Fomos rumo a Bairrada encontrar com alguns dos Young Winemakers de Portugal. Chegamos na casa de Eduarda Dias, esposa do Luis Patrão que produz o um vinho delicioso e sincero, o VADIO.

Este da foto, especialmente, é um 2005 que ele deixou na barrica e ficou MARAVILHOSO. São madeiras usadas que não interferem no vinho que é suntuoso e que emociona. Luis havia provado exatamente naquele dia a barrica que estava meio que esquecida lá… Encontrou um caminho mais longo, mas superior para seu vinho. Pudemos compara-lo ao 2013 e ver o potencial de evolução. O vinho vai longe.

 

 

Enquanto Nazira ficou na casa conversando com Dona Maria Luisa, mãe do Luis e sogra de Eduarda Dias (ela é filha de Licinio Dias Importação de Recife), segui com Luis Patrão e Pedro Pinhão (o Pedro é sócio do Diogo Campilho da Quinta da Lagoalva, que foi diretor da mesa de degustação em que eu estava em 2013 no Concurso de Vinhos de Portugal. eu o gravei em seguida no último Encontro Mistral), rumo aos vinhedos.

Veja esta Baga de mais de 80 anos! É uma espécie de paraíso histórico de vinhas velhas da Bairrada.  Eles fazem a amarração com um vime, veja:

 

Gravei com o Luis e o Pedro nesse santuário. Veja:

 

 

Para se entender melhor sobre os Young Winemakers, é importante saber sobre cada um:

VADIO – Luis Patrão é enólogo da Herdade do Esporão, mas tem o Vadio como seu projeto pessoal. Desenvolvido na região da Bairrada, produz um espumante, um branco e dois tintos, aproveitando bem o potencial da casta Baga. Foi recentemente eleito o produtor revelação de Portugal pela Revista Wine – a Essência do Vinho.

CAMALEÃO – Apesar de jovem, João Maria Cabral já atuou como enólogo em vinícolas do Dão, Ribatejo e Douro. Teve experiências internacionais na Alemanha e na Argentina e foi vice- presidente da Associação Portuguesa de Jovens enófilos. Hoje atua como consultor e tem o seu próprio vinho, o Camaleão. Trata-se de um branco produzido na região de Lisboa com a uva francesa Sauvignon Blanc. Tal qual o animal que inspira seu nome, o rótulo do vinho muda de cor de acordo com a temperatura.

CONCEITO – Rita Marques desistiu da engenharia para abraçar uma paixão, a enologia. Participou de vindimas em Portugal e também no renomado Château Montelena, na Califórnia. Cursou um ano da sua formação em Bordeaux com Denis Dubourdieu, uma das maiores referências francesas da enologia, e ainda estagiou na Nova Zelândia e na África do Sul.Em 2005, lançou o projeto Conceito, no Douro, onde produz brancos e tintos, um deles exclusivamente com a uva Bastardo, que anda meio discriminada naquela região.

HOBBY – Diogo Campilho e Pedro Pinhão são enólogos da Quinta da Lagoalva, no Tejo, mas que tem o Hobby como o seu projeto pessoal ( e também como um hobby). Eles produzem nas regiões do Alentejo e Tejo e contam com brancos e tintos em seu portfólio.

CLIP – Pedro Barbosa aproveitou as terras da família na região do Minho para elaborar o seu Vinho Verde Clip, feito com a casta Loureiro. Além do seu projeto, ele atua como técnico de viticultura na Quinta do Vale do Meão, no Douro.

Os vinhos deles chegam ao Brasil pela Licínio Dias Importação.

Bem, das vinhas fomos conhecer a adega de Luis Patrão que é um show, um sonho, um galpão todo arrumadinho, colado ao galpão de seu pai que trabalha com cereais. Todo sob controle, você percebe o carinho e a convicção dele lá naquele trabalho, saímos fazendo provas e mais provas de seus tanques e barricas. Brancos frescos, tintos jovens, tintos encorpados, tintos evoluídos. Todos maravilhosos.

Meu apetite se aguçou e eu não tinha a  menor idéia do show gastronômico que eu teria em seguida, das mãos de fada da sogra de Eduarda, sra. Maria Luísa.

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Este Camaleão muda a cor do rótulo quando refresca no balde de gelo…

 

 

 

Tínhamos lá um desfile de vinhos não só do Pedro e do Luis mas também dos outros Young Winemakers de Portugal   Maravilhas que serviram como aguçamento final para uma Chanfana (cabra velha que cozinha em vinho, no forno a lenha, lentamente), acompanhada de grelos. Não sei se você já teve a sorte de provar um prato desses, mas é de se saborear devidamente de joelhos…

Por mais incrível que isso possa parecer, não fotografei absolutamente nada!!! Não consigo entender o que houve, uma espécie de catarse pantagruélica que me acometeu com aquela mesa. E depois vieram os doces, um rocambole de pão de ló dos Deuses,  e um doce de abóbora infernal, e uns queijos espetaculares que foram devidamente acompanhados por um Hobby abafado.

 

 

A conversa foi animada e descontraída e gerou a discussão sobre os preços dos vinhos, pois afinal Eduarda Dias, é das poucas pessoas que conheço, que por uma coincidência de sua situação, está presente em quase todas as etapas do vinho, por conta de sua situação de esposa e de filha.

Fiz minhas habituais críticas às altas margens na cadeia de preços do vinho, notadamente nos restaurantes. Eduarda discordou pois achava que os restaurantes também vivem apertados. Luis ponderou que na Inglaterra as margens dos restaurantes são ainda maiores., o que para mim não é justificativa para as altas margens brasileiras.

 

 

Tive que relatar sobre o Vinho Palhaço, que já publiquei aqui e que já foi palestra minha em muitos lugares e repito: Não acho justo um consumidor pagar 16 garrafas para beber 1 garrafa e muito menos um produtor ganhar uma pequena porcentagem de sua garrafa, e vê-la sendo vendida por 16 vezes o preço total! Eu acho isso um grande e injusto absurdo.

As duas piores situações são a do consumidor e a do produtor. E quando estou em contato direto com o produtor e vendo sua luta de um ano para colocar dentro de uma garrafa o resultado de seus sonhos e esperanças, não posso aceitar essa relação de ganho. Me incomoda.

Não há dúvidas também que o governo é impiedoso e guloso nesse percurso, com seus tributos e sobre tributos que vão incidindo sobre o vinho em diversas etapas, porém, o Restaurante ao dobrar o preço de um vinho, está ganhando mais que toda a cadeia de custos e tributos que foi gerada até chegar a ele. Isso precisa mudar.

Bem, claro que foi embora o abafado e duas garrafas de Porto que o Luis abriu e devoramos aqueles queijos maravilhosos. Ainda bem que não escrevo sobre parafusos… Chegava o simpático casal Sarah e Antonio da Casa de Mouraz para nos buscar e acabaram se sentando um pouco conôsco nessa conversa.

Desculpei-me depois com a Eduarda pela minha veemência na discussão desse tema, aqui no Brasil todos já me conhecem a respeito da minha convicção sobre esse tema e outros também, mas eles não. Ela entendeu e como uma moça educada que é, não disse que sou mesmo um velho rabujento…

Nossa caminhada continuava agora rumo do Dão. Fui com a imagem da garrafa chambreando à beira da lareira… e a deliciosa e carinhosa acolhida da família Patrão com sua cozinha de sonhos… e  a certeza de que saímos de lá deixando novos amigos.

O Antonio Lopes Ribeiro e sua mulher Sara da Casa de Mouraz em foto acima que roubei do site da Sarah Ahmed, são pessoas especiais.

A Sarah tinha uma viagem a fazer, Antonio com os dois filhos, Antonio e Jorge, teria que dar conta de nos ciceronear e atender os filhos, a prioridade de nossas vidas. Aliás, visitem o site deles, pois eles largaram tudo para viver em Mouraz e resgatar a história do lugar e da família. Pegue do site esta foto da alegria deles com essa decisão, que certamente fortaleceu seu trabalho:

 

Tínhamos compromissos por tanto no caminho, o que não nos impediu de passar primeiro na Quinta deles em Mouraz, onde gravei algo precisoso, veja:

 

 

Saímos de lá para deixar a Sarah com seus pais que iriam leva-la a Lisboa de onde partiria para Berlin e pegar os dois herdeiros da Casa de Mouraz, Antonio e Jorge que coitados tiveram que aguentar a companhia dos velhos brasileiros.

 

Fiz essa foto com eles no delicioso restaurante em Viseu, o Casa Arouquesa, que você tem que conhecer um dia, pois sua carne de uma raça especial (Arouquesa), se corta com a colher, literalmente.

 

A Casa de Mouraz tem diversos vinhos, pois além do Dão, começaram a trabalhar com vinhas também no Douro, na Região dos Vinhos Verdes e no Alentejo. Mas como tudo que o Antonio faz, os vinhos são puros, sinceros eíntegros.

O Antonio é mais uma das “sementes” preciosas de Nicolas Joly, ele pertence ao grupo Renaissence des Appellations  e é um biodinâmico na essência, não na conversa.

Seu Casa de Mouraz branco, de castas variadas como Encruzado, Malvasia-Fina, Bical, Cerceal-Branco, Rabo-de-Ovelha, Fernão-Pires, Uva-Cão, Síria e outras, é um vinho que enche a boca, que inebria em seus aromas (Nazira viajou na “mirra”que sentia nele…) e com um potencial de evolução, como pude comprovar com garrafas de mais idade, que comprovam a qualidade do Dão. Não desfazendo de seus outros vinhos, este é meu predileto.

O Casa de Mouraz Private Selection  então com 100% de Encruzado, comprova a exuberância dessa casta, minha branca predileta de Portugal. Devo confessar que gosto um pouquinho mais dos brancos dele que dos tintos, o que não diminui de forma alguma os tintos, acho que é minha atual fase de brancos… um gosto pessoal apenas.

Os tintos, da mesma forma que os brancos do Dão do Antonio, têm duas linhas o Quinta de Mouraz com castas mistas de Touriga-Nacional, Tinta-Roriz, Alfrocheiro, Jaen, Água-Santa, Tinta-Pinheira e Baga, e o Private Selection que neste caso tem a maioria de Touriga-Nacional (70%) e castas misturadas de uma vinha velha, como por exemplo, Jaen, Baga, Água Santa, Alfrocheiro, Trincadeira e outras (30%).

Mostram uma mineralidade e uma elegância impressionantes, o verdadeiro Dão que conheci quando jovem, vinho elegante, mineral mas com potência. Vinho fino de verdade.

 

 

Este vinho é um caso à parte. O Casa de Mouraz Elfa é um vinho de uma parcela de mais de 80 anos e mais de 30 castas variadas com a curiosidade de que quase não há Touriga Nacional. em seu site Antonio tem uma frase ideal para ele: “espécie de catálogo ampelográfico, a diversidade no seu esplendor”. É um vinho realmente raro, profundo e denso mas com frescor. Uma estrutura incrível que encara o prato mais encorpado que se tiver. Um vinho para comer, mastigar.

 

 

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Seu vinho do douro é de uma exuberância extraordinária. De vinhas biológicas que estarão em breve biodinâmicas, tem um nariz extraordinário. Acho que vai dar o que falar. É vinho muito ao gosto do atual mercado, exuberante, gordo, mas elegante, longo. Tem as castas Touriga-Franca, Tinta-Roriz, Touriga-Nacional, Tinta-Barroca e Sousão.

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Degustamos algumas garrafas tanto dos frescos Vinhos Verdes (Loureiro (80%), Trajadura (10%) e Arinto (10%)),  como o do Alentejo, que devo dizer que foi o mais leve vinho alentejano (Alicante Bouschet e Touriga Nacional), que já provei. Acabei não conversando muito com o Antonio sobre Alentejo.

Estávamos cansados e os meninos, coitados entediados com os velhos, estavam praticamente dormindo na mesa, como aliás a Nazira também…

O Antonio nos hospedou num hotel que merece a recomendação, no coração de Viseu, trata-se do Hotel Casa da Sé  veja seu site. O hotel tem uma peculiaridade, está à venda qualquer peça de decoração ou de móveis. Sejam de coleção ou réplicas, estão à venda. Achei isso tão interessante.

No dia seguinte pela manhã o Antonio já nos esperava no  hall do hotel e partimos com nossas malas em seu carro rumo aos seus vinhedos. No caminho o Antonio fez questão de nos mostrar duas coisas imperdíveis. Primeiro uma lagareta, que você vê abaixo.

Para saber quem é o Antonio, saiba que ele viu uma latinha de refrigenrantes e um maço de cigarros largados lá dentro dessa lagareta e pegou-os levando até o lixo próximo, lamentando a falta de consciência das pessoas diante da história.

E isso está lá, no meio do cruzamento de duas ruas… Essa é a diferença de se viajar para o velho mundo, tropeça-se na história. Gosto disso. Não é de plástico, não tem ingresso, não é parque de diversões.

As lagaretas eram pequenos lagares que os romanos cavavam nas pedras mais apropriadas e onde se fazia a pisa das uvas e logo se colocava esse suco que era transportado em ânforas ainda em processo de fermentação, muitas vezes para lugares distantes.

As lagaretas comprovam duas curiosidades no mundo do vinho. Uma que o vinho da Santa Ceia não era tinto, mas no máximo rosado.

E outra é que sustenta uma das hipóteses do nascimento do vinho do Porto, pois o vinho da região dos Vinhos Verdes, com mais acidez , foram os primeiros vinhos a serem transportados para outros países na época dos romanos. Eles aguentavam melhor essa viagem. Quando a prática começou a se estender para outras regiões, o vinho do Douro, com estrutura muito diferente, não aguentava esse percurso e provavelmente foi o que justificou se acrescentar o álcool vínico na busca por preservar o vinho, resultando assim no nascimento dessa maravilha.

 

A outra parada foi nessa maravilhosa vinha de mais de duzentos anos!!!! E ainda produzindo! O Antonio fica maluco por ver um Patrimônio desses abandonado. Ele gostaria de ter lá um negócio de vinhos, uma festa anual da vindima dessa vinha e coisas assim que só uma pessoa diferenciada vê. O prédio está abandonado e fica em Parada de Gonta. O Antonio já escreveu para políticos a respeito e não recebeu resposta alguma. O que comprova que político não presta em lugar algum.

Rumamos então para as vinhas do Antonio e paramos em um ponto especial onde gravei este vídeo com ele:

 

 

O Antonio é de uma calma e de uma integridade, raras. Pessoa doce mas inflexível em suas convicções. Gosto disso. Se ele fosse um monge e Mouraz um Monastério, eu muito provavelmente largaria minhas gravatas borboletas e me dedicaria a fazer vinho lá com ele. Pessoa séria, preocupada com a cultura do Dão, sua história, sua preservação.  Imaginem que ele anda indignado com o crescimento de florestas de eucaliptos para a indústria de papel, que está transfigurando o Dão. Então ele se mobiliza, fala com outras pessoas e tenta salvar parcelas que estão para serem vendidas com essa finalidade e transforma-as em vinhedos…

 

 

Voltamos à Quinta para degustarmos mais umas garrafinhas antes de partimos para o aeroporto… foi uma parada providencial de despedida, pois o Antonio tinha lá entre outras preciosidades um Colares de mais de cinqüenta anos para provarmos. Era um exemplo do que é a cultura de seu lugar, um orgulho por ter o que mostrar.

 

Assim termina nossa viagem proporcionada pelo Simplesmente Vinho 2015. Como despedida, além de mais uma vez agradecer ao Mateus Nicolau de Almeida e ao João Roseira, desejo de coração tres coisas:

1) Que esses produtores tenham o reconhecimento que merecem sem o empecilho do governo a interferir em sua cultura e consigam assim agregar valor às suas marcas para poder ganhar algum dinheiro.

2)  Espero ter em 2016 alguns espetaculares produtores brasileiros no Simplesmente Vinho, para estreitar esses nossos laços e para que os visitantes europeus possam ver que temos vinhos sinceros e puros que representam o potencial de uma terra tropical, descoberta por eles. Gente como De Lucca, Dominio Vicari,  Era dos Ventos, Serena, Tormentas, Vinha Unna (em ordem alfabética), por exemplo. Seria uma alegria para mim.

3) Estar com os amigos novamente em 2016 nessa maravilhosa comemoração de Arte, Cultura e Vinho e brindarmos novamente o Vinho como Amigos, Autênticos, Descompromissados, Sem Frescuras, Sem Falsidades, Livres, Felizes, Conscientes, Sinceros, Comemorando a Vida Simplesmente… Vinho.

Bacio a tutti. Deixo esta música luso brasileira que muito significa meu sentimento, lá e cá…

 

Simplesmente Vinho 2015 Parte 3

Chegamos ao Porto na carona dos Ruivo e fomos direto para nosso apartamento oferecido pelo evento. Era fantasticamente acolhedor. Um apartamento restaurado num daqueles predinhos do Porto, à beira do Douro. Sensacional, moraria ali por um tempo se pudesse. Aquela nostalgia do Porto que hoje está revigorada por muita juventude dinâmica e uma cozinha maravilhosa e aqueles monumentos a céu aberto.

 

Íamos à pé de nosso apartamento para o Simplesmente Vinho que ficava exatamente em baixo de nós. O prédio pertence a Skrei (significa bacalhau em norueguês) não deixe de ver o site deles, foram um dos apoiadores do Simplesmente Vinho e seu trabalho é simplesmente maravilhoso.

 

Enquanto Nazira se instalava e se acomodava no acolhedor apartamento, fui ver como estava a montagem do Simplesmente. Consegui gravar uma parte desse movimento e depois o evento bombando mais tarde, ficou um interessante vídeo, que dá bem a dimensão do sucesso e o clima do simplesmente.

 

 

Por incrível que pareça eu não consegui em dois dias de evento, estar com os 33 expositores, simplesmente por que é impossível se locomover e conversar com todos. Habituado a degustar e a conversar, acabei por estar com alguns deles em almoços e jantares que fizemos, pois o simplesmente é uma grande festa, uma comemoração da vida, do vinho natural e das pessoas sem frescuras…

Antes do escurecer tínhamos gravações a fazer para a TV Portuguesa e para a produtora que cobria o evento. Peguei um bom momento da entrevista do Mateus Nicolau de Almeida que explicava a proposta, veja:

 

 

Na sequência o Mateus me conta de uma videira de mais de setenta anos, que não é vitis-vinífera, mas americana (eles chamam americano) que ninguém sabe quem plantou lá, mas é uma parreira linda e que todo ano é colhida por um grupo que pescadores que tem lá a sede da Associação da Copofonia do Norte e Sul de Portugal, que são os Cheios de Sede… eles produzem 30 garrafões dessa parreira. O vinho é igualzinho ao nosso garrafão.

 

Eu achei sensacional a iniciativa deles e de haver nesse lugar essa parreira que participa da festa. Não podia ser mais adequado e mais cultural que isso…

Eu virei membro da Associação e ganhei do sr. Antonino, na foto com o Mateus, minha carteirinha onde consta diversas citações pelo vinho. Adorei a Oração da Manhã que assim diz:

 

Com Deus me levanto

E com Deus me sinto.

De manhã é Branco

E de tarde é Tinto…

O dia prometia e fui aproveitando o início para conhecer alguns vinhos que destaco aqui deste primeiro dia/noite de Simplesmente.

 

Os deliciosos vinhos de Tiago Sampaio, da Folias de Baco, que o Luiz Horta já havia destacado em seu trabalho do ano passado em Portugal. Provei todos e adorei, incrível este rapaz não ter um importador no Brasil.

Como comecei pela parte de fora, fui degustando tudo com calma e encontro alguns vinhos do Dirk Nieeport, fora do Douro. eu simplesmente adoro o trabalho do Dirk, considero realmente um destaque em Portugal.

 

A variedade não é pequena, há experimentos no Dão e na Bairrada. Destaco dois extremos do Dão, com este da esquerda, que pode chegar abaixo dos 50 Paus no Brasil (bem… podia, hoje não sei com nossa economia), mas é vinho divertido, fácil, fresco, alegre para o dia-a-dia. Adorei.

 

Também do Dão, estava sem o rótulo, uma parcela de vinhas velhas que o Dirk comprou por dica do Antonio Madeira, falo dele logo mais abaixo, que lhe falou da vinha e o Dirk logo comprou. O vinho é de tomar ajoelhado, abaixo a garrafa com a etiqueta apenas, anote pois o Ciro vai trazer e vale cada gota.

 

Também a Bairrada nas mãos do Dirk dão o que falar. Este seu baga é de um frescor e uma levesa, com 12,5 de álcool, que adoraria te-lo em Bag-in-Box na minha geladeira…

 

Bem ao lado, estava a mesa da Quinta do Infantado. Sobre o Infantado falarei no post de amanhã pois tenho uma entrevista com o João Roseira, que não sei como consegue fazer tanta coisa ao mesmo tempo e sempre estar dez minutos antes do agendamento em todas as atividades!!! Inacreditável.

Conheço e gosto muito dos Portos dele que chegam ao Brasil pelo Orlando e o Rodrigo da Premium Wines. Porém não sabia que eles tinham vinhos tranquilos. E que vinho!!!!! Espero que a Premium passe a traze-los para nós.

 

Logo encontro o Antonio Madeira, um jovem que faz um vinho surpreendente, um bouquet de violetas engarrafado com toques herbáceos, um vinho suntuoso, elegante que acredito vai em dez anos ser um dos grandes vinhos de Porugal, se esse rapaz continuar com a convicção que está fazendo seu trabalho. anotem esse nome. Se algum importador procura algo especial tem aqui uma boa oportunidade. Gravei com ele, veja:

 

Como é gratificante encontrar gente jovem como o Antonio, o Tiago e outros, a fazer coisas puras, bem feitas, maravilhosas e convictos de estarem resgatando sua cultura. Me emociona isso e me dá grande tranqüilidade pelo futuro longe da mesmice.

O trabalho do João Roseira e do Mateus Nicolau de Almeida não parava com entrevistas para televisões…

A noite avançou e aí complicou o rolê como diriam meus filhos, entupiu de gente e aí foi o que dava, a curtição era mais legal que a avaliação. Parei de cuspir e curti a noite perto da mesa do Antonio da Casa de Mouraz que estaria incumbido de nos ciceronear dois dias depois.

A minha sorte é que ele tem pais em idade avançada e tiveram paciência com a Nazira, a única pessoa do Simplesmente Vinho que teve direito a uma cadeira e bem ao lado da mesa da Casa de Mouraz… veja:

 

Fui para dentro tentar falar com alguém, encontro a Maria João Pato, com a simpatia marca registrada de família, ela é outra filha do nosso Amigo Luis Pato que estava no encontro dos Baga Friends…  sempre trabalhando pela Baga e pela Bairrada. Há quem ache fácil viver do vinho, mas como digo sempre, vender vinho não é fácil. Poucos mercados são tão disputados como este. Se o produtor não consegue agregar valor à sua marca, a coisa fica muito dura. São mais de 2 milhões de rótulos a concorrer com você!…

 

O sábio e saudoso publicitário Rubens Carvalho me falava sempre quando tinha meu bar de vinhos… “… Didú, você gosta vinho? Beba vinho, não venda vinho…”  hahahahaaaa.

Nazira, entre uma taça e outra de Encruzado da Quinta de Mouraz, que ela encontrou “mirra”  e se fascinou, fez amizade com duas moças muito simpáticas, a brasileira Rita Branco, que se casou com um português e vive no Porto e edita o site O Porto Encanta e a  Sara Dias da Moments que organiza todo tipo de passeios pelo Douro e Porto, vale ficar com o contato.

 

A noite avançava com um frio delicioso e o rebuliço da vida noturna que o Porto está vivendo que é sensacional. Repleto de turistas, jovens, gente alegre que como dizia meu pai: ” Têm a beleza da juventude…”

Amanhã prometo contar do dia seguinte. Bacio.

Patricio Tapia no Wine Actor’s Studio

Tenho grande admiração por Patricio Tapia. Primeiro por sua competência, depois por sua sinceridade, atributo entre os que mais admiro em uma pessoa, depois ele é um crítico aberto, que é coisa raríssima.

Convidei o Patricio para responder as questões do Wine Actor’s studio, conheça um pouco mais desse extraordinário critico de vinhos.

 

Como começou no mundo do vinho?

Patricio Tapia: El vino se convirtió en un trabajo por casualidad. Escribía sobre bares para El Mercurio, en Chile, cuando la columna de vinos quedó vacante y me la ofrecieron. No tenía ni idea en lo que me estaba metiendo. Eso pasó hace unos veinte años.

 

O que mais lhe deu prazer realizar no mundo do vinho?

Patricio Tapia: La gente y los viajes, sin duda. Conocer lugares y conocer a seres humanos tan involucrados en su trabajo, es algo que siempre -desde el comienzo- me llamó la atención. Alguien alguna vez -y como crítica negativa- me dijo que a mí más que el vino, me gustaban las historias tras las botellas. Y es cierto. Soy de los que creen que el vino no es lo que está dentro de la botella, sino más bien lo que está fuera.

 

O que mais lhe aborrece no mundo do vinho?

Patricio Tapia: No me gustan las dictaduras, las imposiciones de un estilo, los ataques a la diversidad del vino.

 

Velho ou Novo Mundo?

Patricio Tapia: Lo primero que se me viene a la mente es Viejo Mundo!!!. Pero he tenido muchas sorpresas con vinos del nuevo mundo que me han hecho pensar en que decidirme por una zona del planeta del vino es algo imposible. Por ejemplo, hace poco probé Montebruno, un pinot noir de Willamette Valley, en Oregon, y quedé completamente alucinado. Mis prejuicios con el pinot norteamericano se cayeron a pedazos. Tienen que probarlo.

 

Qual seu vinho inesquecível?

Patricio Tapia: Muchos. Los primeros Burdeos que probé mientras estudiaba en Francia, los primeros Borgoñas de un viaje a  esa región hace muchos años, todo lo que nazca de Chambolle Musigny, el descubrimiento de la Baga de Bairrada, los Jerez, los vinos de Jurá (todos!), los tintos gallegos, un viaje revelador a Montefalco para reencontrarme con el sagrantino, la cepa país… Son muchos.

 

O que pretende degustar que ainda não degustou?

Patricio Tapia: En términos de degustaciones, creo que me gustaría conocer lo que se produce en Europa Oriental. Es un mundo completamente desconocido, que poco a poco comienza a aparecer en el mercado mundial. He probado algunas cosas alucinantes, así es que pretendo ir allí cuanto antes.

 

Cite alguém que admira na história do vinho.

Patricio Tapia: Como dije, uno de mis intereses centrales en el mundo del vino son las personas. Y en ese sentido he conocido a muchas que me han marcado profundamente y que me han hecho ver esta bebida desde ángulos completamente nuevos. Luis Anxo Rodriguez, en el pequeño pueblo medieval de Arnoia, en Ribeiro, es una de ellas. La primera vez que lo conocí, caminamos por sus viñedos mientras atardecía. Luis me contó de su forma de trabajar, de su historia personal, de lo que intentaba recrear en esa zona de suaves laderas encerrada entre cerros. Luego, en su pequeña bodega, probamos lo que hace y todo cobró sentido. Esa visita a Luis ha sido uno de los puntos más importantes en mi vida, básicamente porque comprobó una teoría que yo guardo como ley: los buenos vinos los hacen buenas personas. Hay muy pocas excepciones a esa regla.

 

Qual seu vinho do dia-a-dia?

Patricio Tapia: Va cambiando de acuerdo a lo que me apetece. Hoy es el pipeño del sur de Chile. De hecho, mientras escribo esto me estoy bebiendo uno del gran Cacique Maravilla. Se bebe peligrosamente fácil.

 

O que nunca pode faltar em sua adega?

Patricio Tapia: Baga de Bairrada, Barolo, Borgoña, Jurá y tintos gallegos. Todos ellos han sido fieles compañeros en mi vida como escritor de vinos y no pienso dejarlos ir. Los disfruto cuando puedo. Me hacen entender por qué estoy aquí.