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Simplesmente… Vinho 2017 – Dão

Acordei quarta feira numa bem fria Lisboa. Deixei o aconchego do casal Rita e Vitor Claro e fui de trem com destino ao Dão… Foram tres horas deliciosas que me permitiram ler o livro O Vinho de Colares, uma reedição do livro de 1938 editado pela Adega Regional de Colares. Vi meus e-mails com o wi-fi do comboio que caia bastante mas foi suficiente para postar alguma coisa… E claro curtindo um Bob Dylan de leve..

 

 

 

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Cheguei à estação de Nelas e lá estava meu Amigo Alvaro de Castro com um lindo BMW, à minha espera. Era a segunda vez que visitaria a Quinta da Pellada. Ele gosta de acelerar e eu também, curti esse caminho entre Nelas e Quinta da Pellada onde a velocidade certamente não foi respeitada, mas ao chegar em sua quinta, vejam a placa que o Alvaro colocou na entrada…

 

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Eu me sinto da família com o Alvaro de Castro, tenho admiração por ele e seus vinhos (chegam pela Mistral) seu bom humor, sua integridade em lidar com a natureza de seus vinhedos, o trabalho discreto impecável que ele faz, sem contar vantagens e jamais agredindo suas plantas com químicos, sua contribuição pela preservação da história, restaurando um lindo prédio na propriedade. Isso tudo sem contar seu bom humor.

Há referências sobre a Quinta da Pellada que datam de 1570, aproximadamente. Em 1980, o  Álvaro de Castro herdou a propriedade e, dedica-se exclusivamente a ela, fazendo maravilhas. O Alvaro, verdade seja dita, sempre foi um produtor alternativo, sempre usou leveduras indígenas e nunca se vangloriou disso ou ufanou-se de suas práticas biodinâmicas neste momento repleto de oportunistas no modismo.

 

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Logo que chegamos, o Alvaro deixou seu BMW e passamos para sua tradicional Land Hover que nunca quebra e já tem idade. Parece que a caminhonete só funciona com ele… Saimos me deparo com esta cena:

 

 

Visitamos a propriedade e pude gravar alguns vídeos com o Alvaro. Peço desculpas por alguns momentos em que o vento atrapalha o áudio. Veja este comentário do Alvaro, falando sobre produtos enológicos…

 

 

Não é o chatododidu falando não, é simplesmente Alvaro de Castro…Ele explicou o que alguém deve esperar do Vinho do Dão. Muita sinceridade e elegância.

 

 

A elegância do Dão. Alvaro de Castro explica o solo do Dão. Desculpe o áudio por conta da ventanina. Gostei de ver também, a opinião do Alvaro a respeito dos produtos enológicos… Me fez lembrar o Nicolas Joly quando afirmou que a enologia moderna só existe para corrigir os erros que o homem comete no campo…

 

Voltamos para a quinta e degustamos diversos ensaios do intrépido e entusiasmado Luis Lopes, enólogo que está há anos com o Alvaro e a quem o Alvaro trata como filho. É bonito de ver o que eles discutem e o que pensam sobre o trabalho nas vinhas e na quinta. Adorei diversos vinhos que provei, como o Encruzado sem sulfuroso. Espetacular, sem filtragem, bruto sincero e delicioso. Sabiam que o Alkvaro tem um Nebbiolo la? E delicioso!!!

Gostaria muito de ver vinhos alternativos da Pellada assinados pelo Alvaro. Nem precisa ser Pellada, que é marca estabelecida e respeitada, com mercado consolidado, mas um novo rótulo, que mostre as particularidades e curiosidades desses ensaios. Acho que teria valor e seria “Cult “. O Alvaro está em bom momento para isso, muita maturidade e conhecimento empurrado pela ousadia e entusiasmo do Luis, com quem aliás deveria ter uns rótulos assinados a quatro mãos. Ele me disse que gostaria de não vender seus vinhos, mas apenas dá-los a quem realmente entendesse e gostasse deles… Lindo isso.

 

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Como o tive o privilégio de um almoço em família, com a Maria de Castro que é meio brasileira, e seu filho, além do Luis, tive a oportunidade de provar parcelas distintas de seus vinhedos. Um show à parte. Adorei que o Alvaro e eu concordamos sobre como se mostravam os quatro vinhos. Luis e Alvaro discutiam pormenores das amostras, de que tanques eram, o que havia sido feito, etc., etc., uma sintonia rara entre o dono da quinta e um enólogo. Uma sorte para os dois terem se encontrado. De ouvidos atentos, o filho da Maria observava tudo…

 

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Aliás, soube depois, que o Alvaro de Castro foi o único produtor do Dão, naquelas redondezas, procurado pelo Antonio Madeira, que lhe estendeu a mão com espaço na adega. O Luis e o Antonio têm idades parecidas, são amigos, parceiros e isso é ótimo para eles. Bonito saber disso. Veja a maturidade e a seriedade de um produtor consagrado.

 

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Acabado o almoço chegou o Antonio Madeira que iria me mostrar seu trabalho. Importante saber a trajetória do Antonio, nascido francês filho de pais portugueses. Vem de família humilde, mas freqüentou boas escolas em Paris.

Em visitas à sua avó no Dão, se encanta com a possibilidade de produzir vinhos de autor, recuperar Vinhas Velhas e fazer vinho Grand Cru.

Importante lembrar que Vinhas Velhas, não se trata apenas da idade das vinhas, mas principalmente o fato dessas vinhas terem mescladas inúmeras castas, inclusive misturando-se tintas e brancas. Isso acontecia muito no passado, principalmente no Dão e no Douro, pois o vinho fazia parte do alimento das famílias. ele não poderia faltar e por tanto se alguma doença atacasse alguma variedade, sempre haveriam outras que salvassem algum vinho para a casa.

O Antonio então saiu a busca de vinhas mal cuidadas, ou mesmo abandonadas, em mãos de herdeiros sem  o sangue de vitivinicultor e começou a arrenda-las para recupera-las e produzir vinho. Caminho duro e longo. Aqui o Antonio fala um pouco desse trabalho, veja:

 

 

Porém o Antonio veio cheio de boa vontade voltar para suas origens e imaginou ter uma receptividade maior do que teve. Como comentei acima, o Alvaro de Castro, talvez o mais renomado produtor daquela região foi o único a lhe oferecer ajuda, uma vez que o Antonio não tinha onde vinificar inicialmente. Ainda hoje se vira na garagem da casa de sua avó e como já contei em edições anteriores do Simplesmente… Vinho usava sacos de gelo para segurar a temperatura de alguma fermentação…

Para se ter uma idéia do que ele passou, o Antonio arrendou uma vinha velha, (hoje ele tem quinze delas), demorou tres anos recuperando essa vinha, com muito trabalho, sem render-lhe nada, até que a vinha voltasse a responder e produzir uvas. Pois nesse momento, um outro produtor de ética no mínimo duvidosa, procurou o proprietário da parcela lhe oferecendo mais dinheiro por ela e esse proprietário, não teve o menor problema de caráter ou de consciência e passou o arrendamento para a oferta maior, apenas comunicando ao Antonio que a vinha não mais seria arrendada para ele… Imaginem isso para alguém que está lutando para ser alguém no mundo do vinho em sua terra de origem…

 

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Mas o fato é que seu trabalho tem feito muito sucesso e tem incomodado muita gente. Logo você verá o nome Antonio Madeira e seus Grand Crus, bombando de sucesso, não tenho a menor dúvida. Eu estive em sua parcela “A centenária”, onde há vinhas com mais de cento e cinqüenta anos e depois provei o vinho na adega… foi de emocionar, de verdade. Lindo ver a correspondência de uma velha senhora ao rapaz que lhe deu uma sobr-evida. Gravei com o Antonio lá para você ver como é.

 

Me emociona toda vez que provo vinhos de idade, ou vinhos de vinhedos com idade. Fico sempre imaginando a história passando ao lado da garrafa, ou do vinhedo, tudo que elas viram, o que se passou, quem a produziu, quem a plantou, quem eram essas pessoas… E finalmente o destino ter nos juntado. Mágico e emocionante isso para mim.

O Antonio conversou comigo sobre a distância que a imprensa do vinho portugeues de modo geral tem desses vinhos naturais, que parece ignorar o que se passa nesse universo vasto e diversificado do vinho, veja:

 

Minha sugestão ao Antonio, que tem idade para ser um filho meu, foi a de ignorar a imprensa que lhe ignora. Sua qualidade é muito grande e seu trabalho em defesa de uma cultura milenar de vinho no Dão, são muito maiores ainda. Penso que um trabalho como esse que o Antonio Madeira vem fazendo, mereceria ter apoio governamental em nome da cultura. Ele merece um reconhecimento por esse trabalho que precisa ser feito em nome da preservação cultural.

Terminamos nossas visitas a diversas parcelas e a sua adega garagem e j®á escurecia. Fomos ter com o Alvaro de Castro para uma despedida e fomos jantar, Antonio, Luis e eu. Eles tiveram que aturar o velho do Didú… e foram tão cordiais me oferecendo muito mais que mereço, como o caso desta garrafa que estava simplesmente SUBLIME…

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Estes vinhos foram os vinhos que deram fama ao Dão como sinônimo de elegância e longevidade. Vinhos que não tinham modismos, não ouviam as palavras de críticos de vinho, mas que faziam com paixão seu trabalho. Fui dormir feliz pois na manhã seguinte um outro comboio me levaria para a Bairrada. Saúde.

Simplesmente Vinho 2017 entre umas e outras…

Bem, vocês se lembram que estou fazendo os posts ao contrário não? Então…

O Simplesmente Vinho de 2017 cresceu, foi para um local mais que apropriado e ao mesmo tempo nos enche de angústia por querer fazer tudo e o tempo não permite fazer tudo. Lembrando que fiz uma viagem de cinco dias antes do Simplesmente… e cheguei direto para o encontro com a imprensa no gostoso Prova Wine Food & Pleasure.

 

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De entrada provei um dos destaques deste ano, do meu amigo Vasco Croft da Aphros  que era um PétNat como se chamam os vinhos espumantes de uma fermentação, Pétliant e Naturelle. Eu gravei pelo celular, veja”

 

No Prova, no Porto, fazendo aquecimento para o #simplesmentevinho

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Eu havia levado umas garrafas de brasuca naturebas, do Zenker, da Lizete e da Marina pois nos anos anteriores havia um encontro de jornalistas só com provas, este ano não teve, mas consegui ao menos pegar uma avaliação Cabernet Franc Vinha Unna, que surpreendeu a muitos, como a blogueira inglesa  Sarah Ahamed que não imaginava um vinho assim no Brasil e o Antonio Madeira do Dão que consegui gravar algo com ele, além da Malena Fabregat que organiza o Simplesmente Vinho em Barcelona que acontece por esses dias.

 

#simplesmentevinho #vinhaunna #porto

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Partimos de lá para deixar a mala no Vincci Hoteles, ótimo lugar para se ficar no Porto com um dos mais fartos cafés da manhã que conheço. Recomendo.

Partimos para o Simplesmente… que fica próximo do hotel, caminha-se à beira do Douro e chega-se em poucos minutos pelo Cais Novo. Vejam o espaço vazio que gravei antes do leilão, assim vocês podem ter uma idéia do espaço.

 

Logo ao chegar encontro o Luis Patrão do Vadio (seus vinhos chegam pela Licinio Dias) que estava com um delicioso espumante de inusitado método de estilo solera de várias safras de Bical, Sercial e Baga… saiba por ele mesmo:

 

Na sequência encontro meu amigo Manuel Teixeira o competente homem comercial que conheci há anios em visita à região do Vinho Verde. Ele agora está na Quinta de Maritávora, biológicos do Douro. Veja:

 

 

O Joaquim de Almeida da biodlógica Quinta do Vale dos Pios também faz excelentes vinhos. Não deixe de visitar seu site, vale muito. Mas eu gravei com o Joaquim para você conhece-lo.

 

 

E qual não foi minha agradável surpresa ao me deparar com o simpátco Antonio Souza, um enólogo muito competente e conhecido na região do Vinho Verde. Conheci-o quando visitei a região a convite da Comissão do Vinho Verde, há nos. Antonio me contou que como fazia consultoria para muitos produtores e muitos não tinham onde vinificar, terminou por montar uma vinícola e se entusiasmou a ter sua marca. Aí estão os vinhos da AB Valley Wines. Gostei bastante do que provei e há bons preços.

 

 

Encontro meu amigo João Meneres que me hospedou em sua maravilhosa Quinta do Romeu e depois esteve aqui em São Paulo durante a Feira de Naturebas da Enoteca Saint Vin Saint, ele me contou de um lançamento deles, veja:

 

 

Encontro o enólogo José Domingues que me chama para provar uma delícia de espumante de uma Quinat do Minho, a Quinta de Santiago. Veja a Joana Santiago, proprietária da quinta, falando dos seus vinhos minhotos…

 

 

O Simplesmente já estava bombando quando encontro com Abraham Conlon Chefe do Fat Rice em Chicago e Craig Perman, que fez sua carta e é importador em Chicago. O Abraham fez um jantar no Bocca, que fez muito sucesso e tinha uma sequência de doze pratos!! Fui dormir às 3:30 da manhã!!! Senti falta dos meus cachorros para uma caminhada pela noite do Porto maravilhoso, eles teriam adorado.

Mas falando do Bocca que é do irmão do João Tavares de Pina, recomendo muito a visita ao lugar que é deslumbrante e de comida fantástica. Programe-se em sua próxima visita a esta cidade encantadora chamada Porto.

 

 

Mais adiante encontro os maravilhosos vinhos da Capucha a quem estava devendo um vídeo, meu Deus, é difícil fazer tudo, mas faço o possível e com o tempo vou corrigindo as falhas… Aqui o Pedro Marques fala de sua vinha e seu trabalho. Seu vinho todos os anos são muito comentados entre os visitantes.

 

 

Agora vejam uma curiosidade, veja o que é a comunicação hoje em dia. Em 2016 eu entrevistei o Luis Duarte do Bago de Touriga, falando de seus vinhos que faz em parceria com o João Roseira e fiquei apaixonado por diversos deles, especialmente um laranja de vinhas velhas com predominância de chamado de Govyas codega do larinho e rabigato, chama-se curtimenta e estava sendo lançado, veja o vídeo da época:

 

Então este ano ao encontrar o Luis, fui direto provar de seu curtimenta, mas agora ele se chamava Ambar. então comentei com ele que era o mesmo nome de um maravilhoso laranja do Atelier Tormentas, (leia o link), de Marco Daniele, então ele me explicou a razão do nome, veja:

 

 

Eu queria mesmo era ter quatro braços, sabe. Pois assim poderia ter uma mão para segurar a taça, outra a minha inseparável The Flip, outra para um celular ligada no Instagram e a outra para outro celular com um Facebook Live… Não seria bom?

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Encontro então meus amigos da Quinta Edmund Val apresentando um Gim de alvarinho!?… Preciso contar ao Amarante… Gravei com ele e provei. Uma delícia com sete destilações.

 

 

Gin de Alvarinho!!

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Bem perto deles estava o Outeiros Altos do Alentejo com vinhos biológicos maravilhosos inclusive um de talha que adorei. Seus vinhos chegam ao Brasil pela Doc.

 

 

Outeiros Altos. Vinhos biológicos do Alentejo. Na importadora doc de SP #simplesmentevinho

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Foi a hora em que o rock bombou e todos festejavam enquanto as lindas filhas do João Tavares de Pina, a Maria a Rita e a Inês,que não sei estão nessa ordem na foto… assistiam a tudo de camarote.

 

#simplesmentevinho Vinhos Sinceros.

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É isso, o Simplesmente mal acabou e eu estou morrendo de saudades. Mas em 2018 tem mais. Saúde!!

Simplesmente Vinho 2016 – Post 12

Mais dois produtores que gravei que são simplesmente a cara do Simplesmente… Antonio Madeira e Marta Soares.

Veja primeiro aos vídeos, por gentileza e depois leiam o que foi postado deles no catálogo do Simplesmente Vinho…

 

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O Antonio Madeira tem uma sabedoria e uma segurança que confirmam seu talento e genialidade, vejam:

 

 

 

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A Marta também, de uma segurança e paixão pelo que faz que aparece nos goles de seu vinho. Aliás, já ouviu falar na casta Vital? Veja nossa conversa:

 

 

” O António Madeira continua a impressionar com vinhos simplesmente… verdadeiros. Diz ele, e nós sabemos que não é da boca para fora, que o mais importante é mostrar a qualidade, bem… para ele é mais, a grandeza, do Dão serrano ao mundo. Do Convento de Monchique para Paris, seguiram estas duas perguntas:

1 – Sabemos que vais trazer na bagagem várias novidades, não faria mais sentido fazer só um tinto em vez de vários?
É uma pergunta que fiz muitas vezes, a mim próprio, nos últimos anos. E, sinceramente, não sei responder com certeza. O que posso dizer é que desde o inicio sempre quis fazer vinhos de Crus, ou seja, vinhos de sítios, de vinhas. Por outro lado, o Dão também tem a tradição do lote. Em 2013 proporcionou-se a possibilidade de fazer realmente o que quero. simplesmente… foi o que fiz. Houve vinhos e lotes que tinha mesmo vontade de não misturar com outra coisa, de engarrafar à parte. Espero que quem os provar entenda e perceba que cada vinho tem a sua identidade. Veremos se valeu ou não a pena e se isso ajuda ou não a consolidar o projecto. Não tenho certezas, só duvidas, mas pelo menos segui o meu instinto.

2 – Recebes a tua primeira “queixa” de um cliente. “Caro senhor, nunca provei um Madeira tão seco e escuro” Como respondes?
R: De facto o vinho é seco, o que nos poderia levar para um Sercial, mas este é um Madeira do continente, não oxidativo, simplesmente… mais ruby.

Mais informação:
Antonio Madeira FR +33 6 80 63 34 20 PT +351 238 316 118 vinhotibicadas.blogspot.pt  ajbmadeira@gmail.com “

 

Vejam sobre a Marta no catálogo do Simplesmente…

 

” Não fica mal, por vezes, a repetição.
simplesmente… soa bem e sabe melhor.

Casal Figueira é um dos vinhos de culto português! E não há assim tantos. 
Marta Soares, artista de várias telas e paletas, não desistiu face às contrariedades, dificuldades, incompreensões. Felizmente para todos nós.

A modos que, Casal Figueira continua ser um vinho com uma personalidade imensa, único, irrepetível. Agora falta que nós, os portuguesitos, saibamos devolver a bola, que é como quem diz, abrir e partilhar garrafas destes vinhos com arte.
Pintamos estas duas perguntas para a Marta:

1 – Qual é a magia da Serra de Montejunto para o Casal Figueira?
Quando lá estamos em cima, as uvas de Vital tem a frescura da montanha a ver o mar. Tambem revelam a sua generosidade e magia: esta montanha expõe-se, não se impõe….

2 – Estás-te nas tintas? Ou tu és mais “Estou-me nos tintos”?
Eu estou-me sempre nas tintas… acompanhada de um bom branco ou tinto.

Mais informação:
casalfigueira.marta@gmail.com facebook.com/casal.figueira “

Simplesmente Vinho 2015 Parte 3

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Chegamos ao Porto na carona dos Ruivo e fomos direto para nosso apartamento oferecido pelo evento. Era fantasticamente acolhedor. Um apartamento restaurado num daqueles predinhos do Porto, à beira do Douro. Sensacional, moraria ali por um tempo se pudesse. Aquela nostalgia do Porto que hoje está revigorada por muita juventude dinâmica e uma cozinha maravilhosa e aqueles monumentos a céu aberto.

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Íamos à pé de nosso apartamento para o Simplesmente Vinho que ficava exatamente em baixo de nós. O prédio pertence a Skrei (significa bacalhau em norueguês) não deixe de ver o site deles, foram um dos apoiadores do Simplesmente Vinho e seu trabalho é simplesmente maravilhoso.

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Enquanto Nazira se instalava e se acomodava no acolhedor apartamento, fui ver como estava a montagem do Simplesmente. Consegui gravar uma parte desse movimento e depois o evento bombando mais tarde, ficou um interessante vídeo, que dá bem a dimensão do sucesso e o clima do simplesmente.

 

 

Por incrível que pareça eu não consegui em dois dias de evento, estar com os 33 expositores, simplesmente por que é impossível se locomover e conversar com todos. Habituado a degustar e a conversar, acabei por estar com alguns deles em almoços e jantares que fizemos, pois o simplesmente é uma grande festa, uma comemoração da vida, do vinho natural e das pessoas sem frescuras…

Antes do escurecer tínhamos gravações a fazer para a TV Portuguesa e para a produtora que cobria o evento. Peguei um bom momento da entrevista do Mateus Nicolau de Almeida que explicava a proposta, veja:

 

 

Na sequência o Mateus me conta de uma videira de mais de setenta anos, que não é vitis-vinífera, mas americana (eles chamam americano) que ninguém sabe quem plantou lá, mas é uma parreira linda e que todo ano é colhida por um grupo que pescadores que tem lá a sede da Associação da Copofonia do Norte e Sul de Portugal, que são os Cheios de Sede… eles produzem 30 garrafões dessa parreira. O vinho é igualzinho ao nosso garrafão.

 

Eu achei sensacional a iniciativa deles e de haver nesse lugar essa parreira que participa da festa. Não podia ser mais adequado e mais cultural que isso…

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Eu virei membro da Associação e ganhei do sr. Antonino, na foto com o Mateus, minha carteirinha onde consta diversas citações pelo vinho. Adorei a Oração da Manhã que assim diz:

 

Com Deus me levanto

E com Deus me sinto.

De manhã é Branco

E de tarde é Tinto…

O dia prometia e fui aproveitando o início para conhecer alguns vinhos que destaco aqui deste primeiro dia/noite de Simplesmente.

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Os deliciosos vinhos de Tiago Sampaio, da Folias de Baco, que o Luiz Horta já havia destacado em seu trabalho do ano passado em Portugal. Provei todos e adorei, incrível este rapaz não ter um importador no Brasil.

Como comecei pela parte de fora, fui degustando tudo com calma e encontro alguns vinhos do Dirk Nieeport, fora do Douro. eu simplesmente adoro o trabalho do Dirk, considero realmente um destaque em Portugal.

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A variedade não é pequena, há experimentos no Dão e na Bairrada. Destaco dois extremos do Dão, com este da esquerda, que pode chegar abaixo dos 50 Paus no Brasil (bem… podia, hoje não sei com nossa economia), mas é vinho divertido, fácil, fresco, alegre para o dia-a-dia. Adorei.

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Também do Dão, estava sem o rótulo, uma parcela de vinhas velhas que o Dirk comprou por dica do Antonio Madeira, falo dele logo mais abaixo, que lhe falou da vinha e o Dirk logo comprou. O vinho é de tomar ajoelhado, abaixo a garrafa com a etiqueta apenas, anote pois o Ciro vai trazer e vale cada gota.

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Também a Bairrada nas mãos do Dirk dão o que falar. Este seu baga é de um frescor e uma levesa, com 12,5 de álcool, que adoraria te-lo em Bag-in-Box na minha geladeira…

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Bem ao lado, estava a mesa da Quinta do Infantado. Sobre o Infantado falarei no post de amanhã pois tenho uma entrevista com o João Roseira, que não sei como consegue fazer tanta coisa ao mesmo tempo e sempre estar dez minutos antes do agendamento em todas as atividades!!! Inacreditável.

Conheço e gosto muito dos Portos dele que chegam ao Brasil pelo Orlando e o Rodrigo da Premium Wines. Porém não sabia que eles tinham vinhos tranquilos. E que vinho!!!!! Espero que a Premium passe a traze-los para nós.

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Logo encontro o Antonio Madeira, um jovem que faz um vinho surpreendente, um bouquet de violetas engarrafado com toques herbáceos, um vinho suntuoso, elegante que acredito vai em dez anos ser um dos grandes vinhos de Porugal, se esse rapaz continuar com a convicção que está fazendo seu trabalho. anotem esse nome. Se algum importador procura algo especial tem aqui uma boa oportunidade. Gravei com ele, veja:

 

Como é gratificante encontrar gente jovem como o Antonio, o Tiago e outros, a fazer coisas puras, bem feitas, maravilhosas e convictos de estarem resgatando sua cultura. Me emociona isso e me dá grande tranqüilidade pelo futuro longe da mesmice.

O trabalho do João Roseira e do Mateus Nicolau de Almeida não parava com entrevistas para televisões…

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A noite avançou e aí complicou o rolê como diriam meus filhos, entupiu de gente e aí foi o que dava, a curtição era mais legal que a avaliação. Parei de cuspir e curti a noite perto da mesa do Antonio da Casa de Mouraz que estaria incumbido de nos ciceronear dois dias depois.

A minha sorte é que ele tem pais em idade avançada e tiveram paciência com a Nazira, a única pessoa do Simplesmente Vinho que teve direito a uma cadeira e bem ao lado da mesa da Casa de Mouraz… veja:

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Fui para dentro tentar falar com alguém, encontro a Maria João Pato, com a simpatia marca registrada de família, ela é outra filha do nosso Amigo Luis Pato que estava no encontro dos Baga Friends…  sempre trabalhando pela Baga e pela Bairrada. Há quem ache fácil viver do vinho, mas como digo sempre, vender vinho não é fácil. Poucos mercados são tão disputados como este. Se o produtor não consegue agregar valor à sua marca, a coisa fica muito dura. São mais de 2 milhões de rótulos a concorrer com você!…

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O sábio e saudoso publicitário Rubens Carvalho me falava sempre quando tinha meu bar de vinhos… “… Didú, você gosta vinho? Beba vinho, não venda vinho…”  hahahahaaaa.

Nazira, entre uma taça e outra de Encruzado da Quinta de Mouraz, que ela encontrou “mirra”  e se fascinou, fez amizade com duas moças muito simpáticas, a brasileira Rita Branco, que se casou com um português e vive no Porto e edita o site O Porto Encanta e a  Sara Dias da Moments que organiza todo tipo de passeios pelo Douro e Porto, vale ficar com o contato.

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A noite avançava com um frio delicioso e o rebuliço da vida noturna que o Porto está vivendo que é sensacional. Repleto de turistas, jovens, gente alegre que como dizia meu pai: ” Têm a beleza da juventude…”

Amanhã prometo contar do dia seguinte. Bacio.