Beaujolais Nouveau. Hoje é seu dia em 190 países!

A tradição, que teve início em Lyon, na França, no século passado, hoje acontece em mais de 190 países, envolvendo uma mega operação de logística. A iniciativa já teve mais charme. Me lembro de uma viagem que fiz com Nazira para Paris na década de 80 e era um charme danado se sentar num bistrozinho qualquer e receber uma taça de bonus. “Beaujolais est arrivé!! ”  diziam os garçons…

Hoje, o vinho que é simples e festivo chega muito caro até nós aqui no Brasil e não entusiasma, Depois temos bons e baratos Gamay e mesmo Pinots no mercado que contribuem para complicar a vida dos Beaujolais Nouveau. Porém convém saber mais dele, pois vinho é cultura e nele se aprende todos os dias…

 

Algumas curiosidades sobre o Beaujolais são interessantes e talvez você não saiba:

  • A origem se deu por que os produtores do Beaujolais comercializavam muito cedo seus vinhos, desciam de barco pelo rio Saône para abastecer os bistrôs da região de Lyon. Muito vinho ia fermentando durante a viagem…
  • Em 1951, um decreto proibiu que se comercializasse os vinhos antes de 15 de dezembro. Nascia assim a iniciativa de se fazer o Beaujolais Nouveau, vinho de maceração carbônica.
  • Os maiores consumidores do Beaujolais Nouveaux são os japoneses.
  • O Beaujolais possui 10 Crus excepcionais de vinhos de guarda que surpreendem por sua elegância e longevidade (Morgon, Chénas, Saint-Amour, Moulin-à-Vent, Régnié, Chiroubles, Fleurie, Brouilly, Côte de Brouilly, Juliénas).
  • Os Beaujolais Nouveaux carregaram a imagem de vinhos muito simples, e encobriu a imagem dos bons Beaujolais que são esses crus.
  • Os maiores compradores dos Cru de Beaujolais são os canadenses.
  • Em Paris, poucas pessoas sabem que o Beaujolais não é só Beaujolais Nouveaux, ou seja, não somos só nós que desconhecemos o Beaujolais.

 

 

Se vale a minha dica, curta o Beaujolais, seja o Nouveaux que vai muito bem com saladas, sanduches, roast-beef com salada de batatas, mas principalmente os Crus de Beaujolais. E melhor ainda, vá visitar a região que é uma viagem inesquecível de vinhos ótimos, comida deliciosa e gente que parecem amigos de infância.

Quando eu estive na região a convite da Inter-Beaujolais, fui visitar a Georges Duboeuf – o homem ainda é vivo, velhinho e trabalhando – mas ele não combina com a região, pois faz o estilo marketeiro americano.

Muito engraçado, pois a moça francesa que nos acompanhava ficou um pouco sem graça achando que aquilo não representava o Beaujolais, mas eu ponderei com ela que para o turista essas coisas são boas. Eu gravei um vídeo lá que vale você ver. O cara é o Disney do Beaujolais…

 

 

Para brasileiros o nome Beaujolais logo remete aos Beaujolais Nouveau, o vinho fresco, novo e alegre que chega ao mercado exatamente na 3ª quinta feira de novembro.

É que antigamente, os produtores do Beaujolais comercializavam muito cedo seus vinhos que desciam de barco pelo rio Saône para abastecer os bistrôs da região de Lyon. Muito vinho ia fermentando durante a viagem…

Em 1951, um decreto proibiu que se comercializasse os vinhos antes de 15 de novembro. Nascia assim a iniciativa de se fazer o Beaujolais Noveau, vinho de maceração carbônica.

Mas acontece que o Beaujolais é bem mais que os Noveau, pois há os Cru de Beaujolais com vinhos inclusive de guarda. São no total 12 denominações, pois além do Beaujolais e Beaujolais-Villages, dos conhecidos Beaujolais Nouveau e Beaujolais-Villages Nouveau, há outros dez crus escolhidos por seu terroir:

Chiroubles, Fleurie, Saint-Amour, Brouilly, Côte de Brouilly, Juliénas, Régnié, Chénas, Morgon e Moulin-à-Vent.

A região que vai do Mâconnais até Lyon, ocupa 96 comunas ao longo dos Rios Ródano, Saône e Loire, e totaliza 2.800 produtores que cultivam 22 mil hectares de Gamay.

Os Beaujolais são vinhos bem adequados ao clima brasileiro, ele tem frescor, são florais, fáceis de gostar e acompanham com perfeição desde sanduiches, frios, carpaccio, batatas gratinadas, térrines, dobradinhas, escargots, roast-beef com salada de batatas, queijos de cabra, coq-au-vin, etc., vinhos perfeitos para uma taça no almoço.

 

Se você se empolgou com a região, sugiro se organizar para visitá-la durante a Bien Boire au Beaujolais.  Normalmente início de abril. Mas sugiro que você veja os links abaixo, você vai gostar certamente. Saúde! Viva o Beaujolais.

Veja estes links e saiba mais da festa:

http://www.didu.com.br/2014/04/beaujolais-i/http://www.didu.com.br/2014/04/beaujolais-ii-souvenir-de-lyon/

http://www.didu.com.br/2014/05/beaujolais-iii-bien-boire-en-beaujolais/

http://www.didu.com.br/2014/05/beaujolais-iv-monsieur-pacalet/

Beaujolais V – Huilerie Beaujolaise.

http://www.didu.com.br/2014/05/beaujolais-vi-mais-surpresas/

http://www.didu.com.br/2014/05/beaujolais-vii-le-terrasse-du-beaujolais/

http://www.didu.com.br/2014/05/beaujolais-viii-georges-duboeuf-o-walt-disney-do-beaujolais/

Beaujolais IX – Maison Trenel de Gilles Meimoun

http://www.didu.com.br/2014/06/beaujolais-x-la-cuisine-de-fred-au-beaujolais/

Vinhos, Informação e Bom Senso.

A convite da Prazeres da Mesa, onde sou colaborador, fiz uma palestra sobre vinhos Naturais, tendo como companheiros de reflexão e debate o Marcel Miwa, Editor de Vinhos da Prazeres e o Rodrigo Lanari da Winext, Consultoria de Marketing para Vinhos, dois jovens da melhor qualidade em conhecimento e caráter entre os jovens jornalistas e especialistas de vinho atualmente.

A palestra resultou em grande repercussão e recebi muitos pedidos para publica-la. Então aqui vão os pontos de consideração sobre o assunto.

Antes de mais nada é preciso ficar claro que há vinhos bons e ruins, sejam eles Convencionais, Orgânicos, Biodinâmicos ou Naturais. Acho que não cabe discussão a respeito disso. Porém vinhos com uvas de vinhedos que usam química e lançam mão de produtos enológicos na vinificação é um fenômeno recente na história do Vinho e do Homem e pouca gente se dá conta disso.

 

 

O vinho foi sempre algo simples e natural. Espreme-se a uva, deixa-se fermentar com suas próprias leveduras e depois se engarrafa. O vinho foi assim desde que se tem notícia do mais antigo resquício de produção de vinho no Cáucaso na Georgia que data de 8 mil anos AC.

Por que isso  mudou, quando mudou e quais as consequências disso?

Em primeiro lugar é importante refletir sobre alguns fatos:

 

 

Bem, o crescimento da população mundial é simplesmente assustador. Nós demoramos milênios para atingir 1 bilhão de pessoas e apenas 200 anos para chegarmos a 7,6 bilhões! E o pior, com uma péssima ocupação do solo e com desrespeito ao meio ambiente.

Outro ponto importante é a agricultura, que tinha o desafio da produção, do volume, pois embora sempre teve seu equilíbrio, tinha o desafio de fixar o Hidrogênio nas raízes das plantas. Sem o Nitrogênio a planta não vinga, não cresce, não produz. O Nitrogênio só é fixado naturalmente em uma videira ou em qualquer outro cultivar, com o trabalho das raízes de gramíneas (capim, relva, grama), e de leguminosas (grãos produzidos em vagens, como feijões, a soja, grão-de-bico, lentilha, amendoim, tremoço e ervilha, além de raios de chuva. O mundo agrícola dependia disso para existir.

 

 

 

Então surge um personagem que muda toda a nossa história. Fritz Haber, um judeu alemão que conseguiu desenvolver a síntese do Amoníaco. Sua descoberta permitiu o desenvolvimento do adubo químico NPK. O fato foi tão importante que Fritz Haber recebeu Nobel de Química em 1918 por sua contribuição ao salvamento do ser humano que teria comida para comer!…

Vale lembrar que sua descoberta permitiu também o desenvolvimento de explosivos e que ele também desenvolveu o gás mostarda que matou perto de 200 mil pessoas na 1a Guerra Mundial. Sua mulher se suicidou quando os primeiros testes com o gás mostarda matou cinco mil Belgas.

Bem, surgiram as grandes monoculturas e aconteceu algo que não se podia prever, quebrou-se o equilíbrio ecológico que havia. Desequilíbrio é Doença como hoje sabemos.

 

 

Claro que a Indústria Química adorou isso, pois para cada problema causado por ela mesma, surgiam novos produtos para ela produzir e vender e dane-se o Planeta. Hoje a agricultura é refém da indústria química. Não é por outro motivo que a Bayer comprou a Monsanto. Veneno e Remédio.

 

 

Parece inacreditável, mas hoje há cerca de 350 produtos químicos aplicados na agricultura e cerca de 400 produtos enológicos à disposição de um enólogo para ser usado na vinificação!!

Um estudo de 2008 na França dava conta de que os vinhedos que ocupavam 3% de todo o território agrícola da França, consumiam 15% de todo produto químico vendido!! É assustador.

 

 

Diante desse cenário de controle de produção, de volumes e de vinificação, nós chegamos à condição de fazer o vinho que quisermos, mas é isso o vinho? Eu acho que não.

Diante de tanta manipulação química, surgiram produtores que se rebelaram com esse Status Quo e começaram a se notabilizar com seus vinhos puros, sinceros, sem adição de nada, até sem adição de SO2. Nem na fermentação, nem no engarrafamento. Vinhos Naturais têm SO2 produzidos naturalmente na fermentação da uva, sempre abaixo de 50 mg/l. Quando se fala de Zero SO2 é o SO2 adicionado.

Podemos destacar tres pessoas que foram marcantes nessa postura e que se tornaram espécies de Beatniks do Vinho na década de 70.

 

 

Jules Chauvet, considerado o pai do Vinho Natural, era um enólogo e famoso como grande degustador, trabalhou no Beaujolais para a La Chapele-de-Guinchay e foi um grande entusiasta das leveduras naturais e da fermentação carbônica e da não adição de Anidrido Sulfuroso ao vinho, fosse em sua vinificação fosse em seu engarrafamento.

 

 

Marcel Lapierre, amigo de Chauvet é o homem que colocou o Morgon nas melhores cartas de vinho e se tornou um ícone e unanimidade com seu vinho de Gamy, até então uma casta desprestigiada de uma região tambeem desprestigiada, Beaujolais, que com sua maceração semi-carbônica e a qualidade de suas uvas e terroir, deixou o Mundo boquiaberto e mostrou o que era um Vinho Natural.

 

 

Pierre Overnoy, em Pupillin no Jura, também rejeitou os produtos químicos já na década de 50 e começou a selecionar suas melhores vinhas de Chardonnay, identificando  as melhores vinhas. Assumiu a propriedade da família em 1968 e começou a desenvolver pesquisas para produzir um vinho totalmente natural, sem interferências. Em 1984 lançou seu primeiro vinho sem SO2. É um ícone.

 

Esses tres personagens são unanimidade no Vinho Natural, eles são os Beatniks aos quais me refiro.

Poreem é importante que se destaque que a grande polêmica dos Naturebas (orgânicos, biodinâmicos e naturais) é contra a Indústria Química , que me parece algo superior e mais importante, e que teve e tem muitos adeptos no Mundo, sejam eles com seus vinhos sem SO2 ou não.

Para citar apenas alguns que me vêm à memória acho fundamental citar Jean Pierre Amoreau do Château Le Puy que desde 1610 faz vinhos impecáveis em Bordeaux, biodinâmicos e sem nunca ter usado um produto químico sequer, Pierre Frick na Alascae, outro Biodinâmico, que inclusive produz vinhos que engarrafa uma partida sem SO2 (no engarrafamento) e com pouquíssimo SO2, e são vinhos totalmente diferentes. Nicolas Joly, do Clos de La Coulée de Serrant que desde a década de 70 também transformou os vinhedos da família no Loire em Biodinâmicos e  hoje é um incansável defensor e divulgador desse modelo de produção, inclusive ccriou um movimento Rennaissance des Appellations, Zind Humbrecht, as duas famílias Zind e Humbrecht que são vingnerons desde 1620, se uniram em 1959 com seus melhores vinhedos e criaram esse ícone biodinâmico, o Barranco Oscuro na Espanha em Granada que desde sempre nunca viu um produto químico em seus vinhedos, nunca usou SO2 e produz maravilhas. Destacaria ainda o Stefano Bellotti da Cascina Degli Ulivi com sua inacreditável resistência a biodivesidade com seu refúgio biodinâmico e seus vinhos maravilhosos. Há muitos e é uma injustiça citar apenas estes. Sugiro que vá à Enoteca Saint Vin Saint e mergulhe em sua carta de Vinhos, estão todos lá.

 

 

Está claro que a discussão desses vinhos Naturebas (Orgânicos, Biodinâmicos e Naturais), está polarizada entre vinhos que se utilizam da Indústria Química e manipulam a matéria prima e os que não.  A primeira reação da Indústria do Vinho de volume é não admitir que seu vinho seja considerado Artificial, mas ele é manipulado e o outro não.

Eu não acho também que vinhos convencionais usam tudo o que a Indústria Química produz e tudo o que existe à disposição do enólogo para “corrigir ” os desequilíbrios do resultado da fermentação de suas uvas, inclusive eu bebo, recomendo e divulgo inúmeros vinhos convencionais que gosto muito, embora eu prefira os Naturebas por uma razão bem simples,

 

Ao leitor menos informado, cabe lembrar que que há dois problemas muito importantes nessa questão. Falo de Leveduras Indígenas e de SO2.

As leveduras foram identificadas pela primeira vez por Louis Pasteur em 1857, mas foi só na década de 70 que tres cientista, (Hinnem, Hicks e Fink), conseguiram transformar as leveduras. A partir daí é possível se fazer milagres.

 

 

É importante o leitor saber, que essas leveduras não acrescentam aromas (há também as que acrescentam, as geneticamente modificadas), mas as que são mais utilizadas, não acrescentam aromas, texturas ou sabores, mas estimulam a capacidade da uva em destacar aquilo que se pretende mostrar no vinho. É falso. É como o Didú aparecer de uma hora para outra falando com sotaque francês… por favor. Eu não mudo minha voz ao atender ao telefone.

Esse ponto considero fundamental, pois gosto de sinceridade, gosto de saber que confio naquele vinho em me dizer realmente o que é, mostrar sua origem, falar de seu lugar, de quem o cultivou e quem o colheu e de como foi seu ano. Essa é a beleza maior para mim, e não se sair bem na apresentação. Quero sinceridade.

 

 

Importante também dizer ao leitor menos familiarizado com o tema, que se usa SO2 em dois momentos principalmente: No momento da maceração das uvas para matar bactérias indesejadas e com elas as leveduras naturais e em outro momento que é no engarrafamento. Coloca-se SO2 naquele espaço entre vinho e a rolha para evitar sua “deterioração”

Assunto polêmico, pois é claro que faz diferença, mas também é claro que o vinho sem o acréscimo de SO2 evolui muito bem. Eu já provei vinhos sem acréscimo de SO2 de 25 anos maravilhoso. O Sylvaner do Pierre Frick, ele costuma ter a venda com e sem o SO2 no engarrafamento, (já que no mosto nuca usa SO2). Os dois são maravilhosos e completamente diferentes. Eu adoro isso.

 

 

Esse tema é muito complicado, pois fomos formados degustando vinhos convencionais, os critérios de avaliação convencional, partem de cem pontos e vão procurando defeitos e tirando notas. É correto isso? O que estamos fazendo. Digo nós, consumidores comuns, gente normal. não falo de Master Sommeliers nem Master of Wines, afinal esses são pouquíssimos e vivem em outro Mundo. Falo de nós que vamos ao supermercado e compramos uma garrafa, que vamos a uma loja ou um Restaurante ou Bar-a-Vin e de repente alguém nos oferece um vinho Natureba.

O que buscamos num vinho? Defeitos ou Qualidades? Queremos nos mostrar para alguém recitando tipicidades de castas ou aromas secundários do afinamento em barrica, ou queremos ter um momento de prazer e de curiosidade em entender um vinho, uma proposta de um vinhateiro?

 

 

Eu não tenho dúvidas de que os Naturais, aqueles que não usam a adição de SO2, são vinhos  muito diferentes dos vinhos convencionais e mesmo dos naturebas que acrescentam o SO2 mesmo que baixo, no engarrafamento. Não são vinhos para quem chegou agora.

De modo geral, os vinhos Naturais costumam ter muito mais “Drinkability” o termo que se usa para definir Fácil de Beber, que desce fácil, que pede mais. São também mais ácidos, com certo azedinho, com toques de Brettanomyces. Eu adoro. E são principalmente vinhos sinceros. Eles são assim, não foram produzidos para se mostrarem assim. Isso é fundamental.

Os vinhos Convencionais ao contrário, são redondos, macios, fáceis de agradar ao primeiro gole, nem sempre pedem mais como os Naturais, parecem mais pesados, são principalmente nossa referência e são montados para serem assim.

Vejam, estamos falando de extremos. não se deve generalizar nesse tema, seria completamente leviano. Como disse acima, não se pode imaginar que a indústria do vinho esteja usando uvas de vinhedos que colocaram 348 produtos químicos e que seus enólogos utilizaram 400 produtos enológicos para corrigir seu vinho, mas eles existem e estão à venda, permitidos por lei.

 

 

Mas voltando a degustação, que “secondo me” trata-se de arrogância principalmente, mais que curiosidade e busca de prazer.

Não sei se você conhece os vinhos desse senhor aí em cima. Êle é o Zulmir De Lucca, primo do grande Reinaldo De Lucca, um dos melhores enólogos do Uruguay. O Zulmir está em Farroupilha.  Acontece que seus vinhos brancos todos têm um traço de picles de pepino no nariz. Pois é, picles de pepino. Então as pessoas colocam a taça no nariz e sentenciam que o vinho está com defeito. Mas eu pergunto: Será que isso não seria um traço de tipicidade do terroir de Farroupilha? Por que xixi de gato em Sauvignon Blanc de Bordeaux é legal, mas picles de pepino em Farroupilha é ruim? O que sabemos disso? Quem fez uma roda de aromas do terroir de Farroupilha? Eu não conheço. Não estamos sendo arrogantes? Não está faltando humildade? E como são as leveduras de lá e de sua cantina, uma vez que seus vinhos não sofrem nenhuma intervenção? Você pode até não gostar, mas eles são íntegros, não foram manipulados para seu gosto, mas foram feitos para mostrar o que são.

 

 

O tema é polêmico, ainda vai gerar muita polêmica, mas ao menos agora você está melhor informado sobre a razão dessa polêmica. De minha parte continuo achando primordial se conhecer o produtor para se degustar o vinho. Não acredito em certificados, acredito no caráter de quem produz. É preciso humildade para se conhecer o vinho. É preciso respeito ao produtor, pois nós não fazemos vinhos, apenas bebemos. É preciso não ser radical e é preciso se ter noção do que a Indústria Química está fazendo em nosso Planeta.

Eu gravei um vídeo para a série O Aprendiz de Sommelier Fase II Terroir, falando de Naturebas, com o Ramatis Russo, meu filho, Sommelier da Enoteca Saint Vin Saint e marido da Lis Cereja.  Eles só vendem vinhos naturebas lá e hoje são referência no tema. Veja:

 

Vinho Artesanal. Cadê a Sensatez?

Seria simples se houvesse bom senso no Ibravin e no Ministério da Fazenda e da Agricultura, se legalizar os produtores artesanais. Basta adaptar a Lei no 11.326, de 24 de julho de 2006, que acolhe o produtor familiar com as seguintes alteracões:
 
1) Não há necessidade de se usar obrigatoriamente 70% de uvas próprias. Para que isso? Qual o objetivo?
 
2) Os vinhos devem apresentar análise química atestando que estão aptos ao consumo humano.
 
3) Pode-se vender para CNPJ ou CPF. Aliás qual a raznao de não poder? A quem interessa isso. Para vender uva esse agricultor pode vender para CNPJ, mas para vender seu vinho não. A quem isso beneficia? Qual razão disso?
 
4) A produção do vinho não precisa ser necessariamente rural. Centenas de vinícolas na Europa são dentro da cidade. A Huguel por exemplo fica na rua principal de Riquewhir na Alsacia. Qual o problema, basta ter tratamento de efluentes.
 
5) Limitar a produção em 20 mil litros.
 
6) Pagar 6% de imposto pelo Simples Nacional.
 
Agora, há bom senso nessas entidades que mencionei? não vejo, pois
 
1) O Paviani em Brasilia durante o debate do caso Zenker disse (e isto está gravado e publicado em meu site), que achava que estava boa a lei do vinho colonial ou familiar como estava… Não vejo sensatez nessa posição.
 
2) O Ministério da Fazenda publicou no fim do mes passado o Artigo 72-A que determina que a ME ou EPP envasadora de bebidas optante pelo Simples Nacional é obrigada a instalar equipamentos de contadores de produção que possibilitem ainda, a identificação do tipo de produto, de embalagem e sua marca comercial, além de outros instrumentos de controle, na forma disciplinada pela RFB. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 17 § 5º, art 26, §§ 4º e 15)”(NR). Alguém de sã consciência pode achar isso sensato?! Nem a Vinícola Aurora tem essa exigência!!! Publiquei até uma carta ao responsável que aguardo resposta.
 
3) O MAPA então é o campeão da falta de sensatez e honestidade, pois não entende de produção artesanal de vinho, proibindo coisas que são fundamentais na produção de um vinho artesanal. Só legisla para a indústria e não cumpre seu papel orientador e nem fiscalizador, pois só a exigência (ridícula, diga-se) de exigir forro na cantina, fecharia 90% das vinícolas que conheço. Esse é o nosso Brasil brasileiro…

Carta enviada a Receita Federal

Este é o Sr. Jorge Antonio Deher Rachid  

Acabo de enviar o e-mail abaixo para ele. Seu e-mail que me foi fornecido por um leitor é: jorge.rachid@receita.fazenda.gov.br  sugiro que você também manifeste sua indignação. Não pode ser verdade o que foi publicado. Me recuso a aceitar que isso seja realidade. Vamos protestar e compartilhar isso, se é que você se importa com o pequeno produtor de Vinho nesse país.

Ao Sr. Jorge Antonio Deher Rachid  

DD Secretários da Receita Federal e

DD Presidente do Comitê  Gestor do Simples Nacional

Caro Senhor,

Gostaria de externar minha extrema indignação ao ser surpreendido ontem durante a reunião da Frente Parlamentar de Apoio à Vitivinicultura do Estado de São Paulo, que ocorreu na Assembléia Legislativa de São Paulo, ao saber pela Dra. Adriana Verdi, do SP Vinho e coordenadora da APTA na Secretaria de Agricultura do Estado de São Paulo, da decisão de Vv.Sa., no que diz respeito ao Artigo 72-A que determina que a ME ou EPP envasadora de bebidas optante pelo Simples Nacional é obrigada a instalar equipamentos de contadores de produção que possibilitem ainda, a identificação do tipo de produto, de embalagem e sua marca comercial, além de outros instrumentos de controle, na forma disciplinada pela RFB. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 17 § 5º, art 26, §§ 4º e 15)”(NR).

Solicito ao Comitê Gestor do Simples que retire essa determinação em nome da sensatez. Não é possível que seja verdade uma exigência tão contraditória ao Simples que visa justamente a simplificação de burocracia e de impostos para viabilizar a regulamentação e consequente arrecadação de pequenos e micro produtores de Vinho nesse País.

Será que o sr., do alto de seu gabinete tem noção do que determinou? Se fosse o sr. meu pai ganharia minha vergonha e decepção, fosse meu filho certamente uma carraspana e reprimenda. Mas graças a Deus o sr. não nem um nem outro, mas me envergonha como brasileiro e como ser humano.

Sr. Jorge Rachid, isso é fruto de descaso, de desantenção, de ignorância  ou de maldade? Fico tão curioso em saber disso.

Sr. Jorge Rachid, o sr. tem idéia da quantidade de arrecadação que a Receita perde por não viabilizar de uma vez esse Simples para os pequenos vitivinicultores? Estamos falando de cerca de mil vinícolas sr. Jorge Rachid.

Sr. Jorge Rachid, por gentileza, retire imediatamente esse Artigo 72. Falo em nome da inteligência, da sensatez, da dignidade e do respeito ao pequeno produtor que tem vida dura e quer se regulamentar, basta o governo deixar. Está em suas mãos a correção desse lamentável equívoco.

Vou ficar no aguardo de sua resposta e publicarei em meu site www.didu.com.br essa carta para que os meus seguidores saibam quem é o responsável por esse engano e publicarei também sua resposta.

Atenciosamente,

Didú Russo – Colunista de Vinhos

As novidades da Mistral

Estive hoje na Mistral para conhecer as novidades da importadora. Todos bons vinhos que iam de U$ 18,90  a U$ 139,50, sendo a maioria na faixa dos U$ 35/45. Meus destaques não desfazendo de nunhum estão abaixo:


Cabernet de entrada da Viña Montes, sem passagem por madeira, vinho simples, bem feito, direto, com tipicidade. Boa compra a U$ 18,90. Gosto dos vinhos simples de entrada das vinícolas, pois não cabe gastar dinheiro em sua elaboração e assim não estragam o resultado da fruta fermentada.

 

 


Outra boa compra este Riesling do Mosel da conhecida Selbach Oster, a U$ 29,90. fruta madura e seco, muito gostoso e fresco. Adorei.


 

Delicioso Bourgogne Aligoté do Joseph Drouin, eu adoro Aligoté e este 2015 está espetacular e custa U$ 39,90  delicioso com os queijos e a conversa descompromissada. O meu amigo Breno Raigorodsky comentou, acertadamente, que a posição dele na sequência entre os Rieslings o prejudicava. O Riesling tem muita força e personalidade e apagava o Aligoté, mas depois de limpar a boca com algo de comer e voltar a ele a coisa mudava de figura. Show de vinho.

 

 

O Rosé da Mathilde Chaputier que inclusive contava com a presença da sua representante lá, e que gravei com ela expicando o vinho, veja abaixo, inclusive um outro vídeo da própria Mathilde falando de sua criação. Vele ver.

 

 

Achei na internet este vídeo da própria Mathilde Chapoutier falando de seu vinho… Veja:

 

 

Este gostoso Petit Château da família Queyrens com um atraente preço U$ 25,90, faz bonito e recomendo. Com 13º e das castas Merlot, Cabernet Sauvignon e Cabernet Franc, o vinho é bem gostoso e típico Bordeaux, gastronômico e com classe.

 

Espetacular Carmen Gran Reserva Carignan 2014 que custa U$ 39,90. Guloso, suntuoso, mas com rusticidade, intenso. Ótimo vinho mesmo.

 

E o Le Petit Clos do Clos Apalta do qual falei ainda ontem e que hoje pude provar sem abrir o meu… U$ 139,50.

Mas meu predileto do dia foi o que mereceu ser O Vinho de Hoje:

 

Panorama atual do Vinho Natural

O gesto abaixo é deselegante mas muito apropriado para os delatores covardes que até agora se escondem no anonimato, aos que poderiam ter ajudado o Zenker e não ajudaram, às marionetes do Setor, aos covardes e falsos que manipulam as marionetes e ao babacas que têm medo de produtores de 5 mil litros de Vinho, aos invejosos incompetentes, aos que tremem diante do Vinho Natureba.

O momento atual evidencia a deprimente posição do Ibravin, veja os vídeo da mesa Redonda aqui, A postura do Instituto é de dono do Vinho, se imagina um Ministério do Vinho no Brasil, porém fica fazendo jogo de cena com a questão dos pequenos produtores artesanais, seja o nome que for, não atende as necessidades e está completamente fora da realidade.

Hoje há pessoas de bom nível e de altíssima competência, fazendo vinho natural no Brasil e que não compra gato por lebre. Ou o Ibravin se mexe com sinceridade e não com política barata que defende a indústria ou vai passar vergonha. Tomem nota do que estou dizendo.

Agora tem São Paulo no jogo político do Vinho.

 

 

Basta dar uma olhada nessa foto abaixo, do lançamento da Frente Parlamentar do Vinho Paulista e esta frente foi criada por sugestão do SP Vinho que vai municiar de sugestões os parlamentares, e conta com o apoio do Secretário da Agricultura do Estado e do Vice Governador.

 

Na hora que se mostrar ao Ministério da Fazenda o dinheirão que estão perdendo de arrecadação por inadequação de legislação que permita o trabalho legal dos pequenos produtores, quero ver como vai ficar.

Se sou Ministro com uma simples Instrução Normativa, resolveria tudo da noite para o dia:

Instrução Normativa do Didú:

A partir da data de hoje, entende-se como Produtor Artesanal, aquele produtor de vinho seja de uvas americanas seja de uvas vitis-vinífera, que respeita sua cultura local e suas tradições ou ainda resgate de processos ancestrais, e que tenha seu vinho analisado e aprovado para o consumo humano, até o volume de 20 mil litros.

De posse da análise de seu vinho, ele está apto a comercializa-lo para pessoas físicas ou jurídicas, mediante a emissão de Nota Fiscal do Simples Nacional, pagando 6% de seu faturamento.

Basta fazer conta, o Ibravin diz que das 1.100 vinícolas no Brasil, 90% são micro empresas ou pequenas empresas. Quantas produzem até 20 mil litros? Que volume é esse? Imagine o preço médio de R$ 10,00 por garrafa, recolhendo 6% de seu faturamento. Acho que o governo vai gostar e aí deixe o MAPA falando bobagens e inspecionando Indústria. E viva o mofo!!

 

 

 

Lançada hoje a Frente Parlamentar do Vinho Paulist

 

Estive hoje na Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo para o lançamento da Frente Parlamentar de Apoio à Vitivinicultura do Estado de São Paulo, coordenada pelo Deputado Roberto Morais. O evento bombou, com Deputados, Prefeitos e Produtores de uva e de vinho do Estado. Veja abaixo:

 

 

São Paulo não brinca em serviço, tem hoje cerca de 1 mil produtores de vinho, a maioria de vinhos de mesa, é o terceiro maior produtor de uva do Brasil e começa no Vinho Fino em alto estilo, com a Goes conquistando a posição de um dos 16 melhores vinhos na prova da Avaliação Nacional em 2015 com seu Cabernet Franc de poda invertida produzido em São Roque, há quem não saiba e quem não acredite também… Tem a Guaspari de Espirito Santo do Pinhal, que em pouquíssimo tempo conquistou duas medalhas que o Brasil nunca havia conquistado, a Medalha de Ouro da Revista Decanter Inglesa, considerado um dos maiores troféus para um vinho e de quebra, o excepcional vinho orgânico Entre Villas de São Bento do Sapucaí do irreverente e competente Rodrigo Veraldi, que tem vinho naturais de babar.

 

Eu gravei um pequeno fragmento do evento hoje, veja:

 

Esse rapaz, Prefeito de Jundiaí que foi Deputado Federal, Luiz Fernando Machado, foi na mesma cerimônia, eleito o coordenador da Frente de Prefeitos ligados a Uva e ao Vinho, outro movimento que nos ajudará nos pleitos que teremos no Estado de São Paulo e em Brasília.

 

 

Aqui, cabe uma reflexão e um elogio ao Fausto Longo, (em foto abaixo comigo quando o entrevistei no Wine Actors da ChefTV), que é hoje Senador Italiano representando os “oriundi” da América do Sul e que é o criador do SPVinho, que existe há 14 anos e que estava meio incubado e agora estamos reativando. E como estamos!…

Todo esse movimento vem de sua atuação política. O Fausto sabe lidar com isso, nem sei por que me chamou para o movimento, pois de político não tenho nada… Mas entendo e sei que sem a política nada se faz. Exemplo disso é o que já está em gestação no SPVinho e com apoio do Secretário da Agricultura do Estado de São Paulo, Deputado Arnaldo Jardim, que é entre outras prioridades, a contribuição à legislação que  possibilite a regularização de produtores artesãos de vinho.

 

 

Como vocês sabem, e o caso Zenker serviu para levantar essa bola mais ainda, é impossível se produzir um vinho artesanal dentro das exigências atuais do MAPA.  Já comentei aqui e insisto, que se o MAPA fosse para a Bourgogne, não teríamos Bourgogne… O SPVinho vai trabalhar nesse caminho, com prioridade. Inclusive o Senador estará em Brasília dia 16 na Mesa Redonda que haverá durante a 10ª Vinum Brasilis, o que agradeço ao meu amigo Petrus Elesbão, coordenador da Feira.

Hoje é um dia de festa para mim e para o Vinho, pois entra na agenda política com gente de qualidade e que gosta do vinho. Não posso deixar de mencionar e agradecer ao Vice-Governador Marcio França as palavras elogiosas a mim, que embora exageradas me envaideceram… sou um ser humano normal e me envaideço com elogios também, como você, ora… Grazie! Viva a Frente Parlamentar do Vinho Paulista!! Viva o SPVinho!  Parabéns Fausto Longo. como homenagem, o meu Vinho de Hoje, foi um Vinho Paulista…

 

O vinho de hoje é em homenagem à criação da Frente Parlamentar de Vitivinicultura coordenada pelo Deputado Roberto Morais e mais 23 Deputados. A pedido do SPVinho na Presidência do Senador Fausto Longo e com a presença do Vice-Governador Marcio França e do Secretário da Agricultura do Estado de São Paulo Deputado Arnaldo Jardim. São Paulo não brinca em serviço. Vamos contribuir com os pequenos artesãos do vinho e com novos produtores. O vinho Philosofia é um Cabernet Franc de São Roque que figurou entre as 16 melhores amostras de vinho da Avaliação Nacional em Bento Gonçalves. Mérito da Vinícola Goes. #saoroque #saopaulo #vinhopaulista #spvinho #dicasdodidu #instagay #instavin #instinho #artesanal #artesanalegal

A post shared by didu_russo (@didu_russo) on

Vinho de Mesa não faz mal não…

 

Uma das informações relevantes que tive em 2016, entre tantas, me chamou muito a atenção.

Intrigado que estava com críticas de gente do vinho sobre os malefícios do vinho de mesa, que continha Metanol, que provocava a cegueira e coisas que tais, fui buscar informações técnicas de professional. Afinal, apareceram dois vinhos com essas uvas muito legais que recomendo a você e que você encontra na Enoteca Saint Vin Saint, falo do Rovinai das Vinhas da Loucura do Eduardo Zenker, que é Isabel com Sangiovese, e do Praia do Rosa do Domínio Vicari, que é a Isabel vinificada em rosé. Um show.

 

 

O vinho de mesa como se sabe é o Vinho de Garrafão, que hoje alias inteligentemente é bastante vendido em garrafas tipo Bordeaux e com rótulos bonitos, e é produzido com uvas não viníferas, as Vitis-Labrusca.

Com ajuda do Diego Bertolini do Ibravin, contatei a Dra. Regina Vanderlinde da OIV. *

Eu escrevi a ela e perguntei sobre essas minhas dúvidas, afinal o brasileiro consome 3 vezes mais vinhos de Labruscas do que de viníferas. Se fosse verdade o que ouvi e o que dizem, muita gente estaria morta ou pelo menos cega, pela ingestão de vinho de labruscas, mas ao contrário do que dizem, a verdade é outra. Veja abaixo as respostas às minhas perguntas à Dra. Regina Vanderlinde:

 

Didú: Dra. Regina, os vinhos de mesa fazem mal à saúde como alegam muitos críticos? Tem metanol, etc?

Dra. Regina: Não fazem mal a saúde de jeito nenhum. As uvas Vitis labruscas podem conter mais metanol esterificados nas suas pectinas, mas como o tempo de maceração é muito curto ele não é extraído em altos níveis. O tempo de fermentação e portanto de maceração destes vinhos é muito curto, diferente dos vinhos de vinífera que tem um tempo de fermentação muito maior. Em todos estes 30 anos que trabalho com química analítica de vinhos raramente vi um vinho com valor superior ao limite de 350 mg/L que é, por exemplo, o limite da legislação brasileira. Ao contrário muitas vezes estes vinhos tem menos metanol que vinhos de vinífera, bem como muito menos metanol que outras bebidas destiladas.

Não há nestes vinhos outros compostos diferentes dos vinhos de viníferas que possam causar algum transtorno a saúde.

O que geralmente incomoda é o aroma do metil antranilato, caracterizado com “foxé”, mas que não provoca danos a saúde.

 

Didú: Os conhecidos benefícios à saúde que conhecemos, pela ingestão parcimoniosa e regular do vinho fino, acontece também com a ingestão dos vinhos de mesa?

Dra. Regina: Sim, estes vinhos também tem antioxidantes e resveratrol que são benéficos a saúde.

 

Didú: Certa vez em Portugal um enólogo da Quinta da Aveleda, me disse que na Europa se proibiu vinhos de não viníferas pois na fermentação produziam um sub produto cancerígeno! Isso procede? Ele até disse o nome da substância na ocasião. Mas faz tempo e não encontro a anotacão. Há algum fundamento nisso?

Dra. Regina: Esta informação não procede. Os vinhos Vitis labrusca não contém substâncias cancerígenas. O aroma pode não agradar a muitos consumidores, principalmente os europeus, porém não há cientificamente nenhuma diferença para a saúde humana entre estes vinhos e os de Vitis vinífera.

A Europa proibiu estes vinhos por causa do aroma “foxado” que, como você sabe, que vem de “fox”. Trata-se na verdade do aroma do antranilato de metila, éster típico de uvas Vitis labruscae seus híbridos. Com medo de desvalorizarem os seus produtos e perda das denominações de origem resolveram banir estes vinhedos que após a crise da filoxera foram introduzidos na Europa.

O componente cancerígeno era só o metanol mesmo, que se consumido em excesso afeta o sistema nervoso central e foi associado a cegueira.

Mas exceto pelo aroma característico não prejudicam a saúde, se assim fosse, o Codex Alimentarius não permitiria os sucos de uva de Vitis labrusca, bem como os vinhos produzidos em países importantes como o caso dos Estados Unidos.

 

 

* A doutora em enologia Regina Vanderlinde, é a primeira representante do Brasil na Organização Internacional da Vinha e do Vinho (OIV). Ela trabalha como secretária-científica da Subcomissão de Métodos de Análise de Vinhos. Foi aprovada por unanimidade por todos os representantes dos países que participam da OIV, por tanto a opinião dela não se trata de opinião pessoal, mas é opinião científica.

Regina é também professora da Universidade de Caxias do Sul (UCS) e gerente geral do Laboratório de Referência Enológica (Laren) da Secretaria da Agricultura, Pecuária e Agronegócio, mantido em parceria com o Ibravin (Instituto Brasileiro do Vinho).

 

 

Por tanto caro leitor, se você como a maioria dos brasileiros prefere um vinho simples de garrafão, fique à vontade e esqueça as críticas dos dos esnobes de plantão. Beba seu vinho e seja feliz.

O SPVinho avança.

 

O SPVinho avança fortemente, temos tido inúmeras reuniões e articulações para seu relançamento oficail no início de 2017. Nosso Presidente, Fausto Longo que também é Senador da República Italiana representando os brasileiros oriundi, tem tido uma performance fantástica e muito produtiva. Com sua agenda agitada acabei não conseguindo gravar com ele sobre os últimos avanços, mas ele me enviou este vído lá de Roma, veja:

 

 

 

 

Acima Adriana Verdi,  Sergio Gentile e Elena todos do SPVinho, com o Secretário Arnaldo Jardim, abaixo o Vice-Governador com Fausto Longo

 

 

Eu não tenho a menor dúvida de que com o apoio que o SPVinho oferecera em termos de assessoria, informação e retaguarda tecnica, inclusive em biodinâmica, São Paulo, terá ótimos vinhos em terras não produtivas, de micro empreendedores que ainda nem sabem que podem ter o seu próprio vinho, seja o artesanal seja o de escala, a exemplo do que ocorre jea com o Entre Villas, vinho natural de São Bento de Sapucaí, ou o Guaspari de Espirito Santo do Pinhal, ou ainda o Goes de Sao Roque, ou o Villa Santa Maria de Campos de Jordão, para citar alguns. Aguardem.

 

MP do Vinho. Volto a Insistir.

Presidente Temer, vou insistir nesta tese, pois quando a publiquei pela primeira vez o sr. era interino e estava com outras preocupações. Agora efetivado no cargo de Presidente do Brasil e pelas iniciativas que vem tomando, estou convencido de que o sr. pretende deixar um legado de competência e seriedade, dando uma necessária ajustada em nossa economia.

Minha idéia vem nesse sentido, acrescentando um pouco de criatividade. Acompanhe meu raciocínio:

 

 

Presidente Temer, sei que o sr. tem bom gosto, soube que aprecia vinhos da Bourgogne, inclusive abriu uma bela garrafa para comemorar a primeira aprovação da “PEC do Teto” ,mas imagino que o senhor não tem idéia do quanto pode fazer pelo Vinho, pela Saúde e pela Economia. Vejamos:

O Brasil tem um PIB de 5,9 trilhões de reais, o setor do Vinho não chega a 4 bilhões de reais, por tanto significa uma gôta do PIB, algo como 0,07%. Assim, qualquer medida de redução de impostos no Vinho, não mudaria absolutamente nada nas contas públicas. Isso é para acalmar o Ministro Henrique Meirelles. Ninguém pode negar que 0,07% não muda nada, concorda?

Porém, essa redução que quero lhe propor para ajudar o Vinho, pode aumentar a arrecadação e ainda ser o teste que venha a comprovar a tese de que menos é mais e que desonerar a economia é o caminho.

Assim, gostaria de sugerir que se reduza por MP, todos os tributos que o Vinho paga hoje em toda sua cadeia produtiva, para a metade de seus valores, pelo período de dois anos. Será um teste e a MP seria provisória mesmo. Apenas 2 anos.

 

 

Acho que o sr. não sabe, mas quando toma um DRC hoje, o sr. está pagando 100 e bebendo 16, pois a diferença é tributo. Se o sr. beber um Pinot Noir do Atelier Tormentas, o FVLVIA Pinot Noir por exemplo, já experimentou? Recomendo, o sr. se surpreenderá… Neste caso o sr. pagaria 100 mas beberia 36, pois a diferença seria tributos… É inaceitável isso. Incentiva a sonegação o contrabando e atravanca o crescimento do Seotr.

Se o sr. editasse essa MP do Vinho reduzindo para 50% TODOS os tributos que incidem na cadeira produtiva do Vinho, eu mesmo me encarregaria de reunir o Setor, as associações de importadores, de produtores, o Ibravin, etc., e proporia que repassassem metade desse ganho para redução do preço final e a outra metade destinar para uma campanha de comunicação, para educar os brasileiros a beber responsavelmente, 1 taça por refeição.

 

 

O que aconteceria é que o Setor cresceria, venderia muito mais, contrataria mais e a arrecadação cresceria! E mais, outra coisa que imagino que o sr. não sabe sr Presidente, é que existem mais de 2 mil estudos científicoscomprovando os benefícios à saúde de quem consome vinho regularmente com parcimônia e os principais ganhos são para o coração, fonte de uma das maiores despesas na saúde pública. Esse gasto reduziria! Não sou eu que estou imaginando, isto aconteceu em outros países.

 

 

O vinho consumido diariamente com parcimônia nas refeições apresentaram os seguintes benefícios à saúde, segundo estudos científicos, conforme Dr. Jairo Monson:

  • Aumenta o HDL e diminue o LDL
  • Diminui os Radicais Livres
  • Ajuda a Digestão
  • Previne Demência
  • É Neuroprotetor
  • Previne contra o Alzheimer
  • É bom para a Memória
  • É Anti-Cancerígeno
  • Tem Ação Antibiótica
  • Retarda o Envelhecimento
  • Previne a Osteoporose
  • Combate o Alcoolismo
  • Evita a Depressão
  • Combate o Diabetes do tipo B
  • É Anti-Oxidante
  • Faz bem ao Coração
  • Melhora a Pele
  • Combate o Câncer de Pulmão

Agora imagine Presidente a economia que teríamos com gastos públicos em saúde se os brasileiros tivessem o hábito do consumo diário e parcimonioso do Vinho! Isso se consegue com Comunicação e com preço baixo para o Vinho.

Agora, o melhor de tudo Presidente Temer é que este teste funcionando, essa medida poderia se estender a todos os setores da economia brasileira, com uma simples MP. Pense nisso. O momento é tão oportuno.

Saúde! Sucesso!