Acontece

O problema dos Concursos está na Divulgação

Uma das perguntas mais frequentes que recebo é a respeito da seriedade dos Concursos de Vinho. Costumo responder que pelo que sei e pelos diversos Concursos em que participei, eles são sérios sim, o problema está muito mais na representatividade das amostras e na divulgação dos resultados do que nos concursos em si.

Esta semana o assunto ficou quente e eu recebi de diversos leitores, amigos e web-espectadores, o vídeo de divulgação (veja abaixo), dos vencedores do Rio Wine & Food Festival, evento enorme de grande repercussão, bem organizado e tal. Eles me questionavam a mesma coisa. Mas é sério isso?…

 

A totalidade desses amigos me questionavam espantados se  o Miolo Selecão Rosé era o Melhor Rosé do Mundo mesmo…

Esclareci a todos que ao que eu sabia, até por conhecer os organizadores, alguns dos jurados e principalmente o Copello, o Concurso certamente deveria ser sério, feito  às cegas, com vinhos avaliados por pontuação em fichas própria para isso, mas que não considerava a forma como foi divulgado o resultado a mais adequada, pois não considero o Miolo Seleção Rosé o Melhor Rosé do Mundo, afinal já provei mais de uma centena de Rosés bem superiores ao Miolo Seleção que diga-se, é um excelente Rosé para seu padrão de vinho e de preço, mérito do Miguel Angelo Vicente de Almeida.

O que na minha opinião deveria ser divulgado seria: O vinho que ganhou na categoria Rosés, aberta a todos os países produtores, entre as amostras inscritas (que não vi divulgada), foi o Miolo Seleção Rosé. Aí ok, tudo certo.

O chatododidú insiste nisso, pois esse tipo de divulgação, como aquela do Moscatel da Perini que foi eleito “o Melhor Espumante do Mundo”, acaba por desmerecer o Concurso. Gera chacota entre as pessoas sérias, os profissionais e os que entendem um pouco de Vinho. Acho errado.

Outro dia, em uma entrevista, o craque Dirceu Viana deu uma boa resposta comparativa a esse tipo de resultado (Veja entrevista completa AQUI), que causou algumas reclamações de leitores, dizendo:

“Admiro a família Perini, são grandes pessoas, fazem bons vinhos e não devemos tirar o mérito do trabalho sério e bem feito que fazem. Entretanto, dizer que o moscatel da Casa Perini é um dos melhores espumantes do mundo é incorreto. Usando uma analogia, um time de futebol brasileiro que disputa um torneio qualquer na Europa onde não estão jogando Real Madrid, Paris Saint Germain, Manchester United, Bayern Munique, Barcelona, Manchester City e outros grandes clubes europeus não pode ser considerado um grande campeão na Europa. Dentro da categoria moscatel a Casa Perini faz um bom exemplo de vinho e deve ser reconhecida e parabenizada por isso, mas não podemos enganar o consumidor ou a nós mesmos pensando que espumantes brasileiros podem ser considerados os melhores do mundo. Ainda estamos longe dos grandes franceses e italianos que optam por não participar desses concursos.”

Concordo em gênero, número e grau com o Dirceu e ainda acrescento o que ninguém soube me explicar: Por que nenhum espumante brasileiro participou do Sparkling Wine World Championships, onde rivalizam lado a lado os grandes de Champagne e Franciacorta?

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