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Luiz Argenta pula na frente

Eu gosto de emitir minhas opiniões, pois são sinceras, bem intencionadas e acredito que contribuam. Infelizmente poucos vêm assim. Um caso claro disso são as condutas políticas do Vinho com relação ao pequeno produtor artesanal que hoje está refém da grande indústria do vinho. Só tenho a lamentar e critico sempre que posso. Um caso de miopia e ganância temperada com ignorância e prepotência.

Outra crítica que faço sempre é da falta de personalidade da maioria dos vinhos brasileiros que procuram ser chilenos em vez de serem eles mesmos dentro de seu terroir com suas características intrinsicas, uma pena, poucos respeitam isso de verdade.

Nessa crítica costumo engatar uma outra que diz respeito à liberdade dos enólogos. Já que querem copiar o Chile, que copiem as boas coisas, por exemplo, a maioria dos grandes produtores chilenos já há alguns anos, deram liberdade a seus melhores enólogos a ousarem em projetos próprios, nascendo assim grandes vinhos de autor, alguns até entrando em linha premium dessas vinícolas, caso de Concha y Toro e Ventisquero, para citar apenas dois gigantes…

Com isso eles ganham um experimento sem colocarem em risco sua marca, seguram o enólogo que se sente à vontade de se realizar com experimentos e o melhor de tudo, contribuem para abrir a cabeça do mercado.

Pois fico sabendo que a Luiz Argenta do meu amigo Deunir Argenta parece que vai pular na frente. Explico. Minha amiga Marcia Maluf Palei, que além de arquiteta e engenheira é uma estudiosa do vinho com ótimo curriculum, inclusive na Itália, e com grandes e importantes realizações no setor, como o sensacional projeto das Oficinas de Degustação para a Mostra do Vinho Catarinense (evento oficial do estado) para fomentar a Cultura do Vinho Oficinas de Degustação para Deficientes Visual, entre tantos outros trabalhos, me conta que em um curso que participou na Luiz Argenta com o craque Edegar Scortegagna, soube que ele estava fazendo um vinho em ânfora! Um projeto experiemental. Fiquei muito curioso e entrei em contato com o Edegar, que é um professor e que não canso de publicar (aqui vai outra vez) ele me falando da evolução do Barolo…

 

E o Edegar me mandou um áudio, nas vésperas de minha viagem para a Espanha, muito simpático explicando o vinho. Eu não sei como se posta um áudio aqui, então vou contar o que ele me falou do vinho:

As ânforas (ovos de terracota), vieram da Toscana e são feitas de barro sem nada por dentro. Ele está fazendo um vinho na contra mão do que a Luiz Argenta faz, ou seja, Zero de tecnologia. Um vinho sem tecnologia. E lá ele 60% Sauvignon Blanc, 25% de Riesling Itálico apenas e 15% de Trebbiano Romagnolo. A fermentação foi espontânea e ficou uns 4 meses com as cascas (vinho laranja) ele contou que o Trebbiano Romagnolo, foi colocado posteriormente, pois serviu para completar a ânfora após a retirada das cascas, embora o vinho tenha sido feito nos mesmos moldes mesmo que fora da ânfora.

Ele espera lançar o vinho lá pelo final do ano, dependendo da evolução do seu laranja.

Fiquei tão feliz por ver essa perspectiva acontecendo e nas mãos de um grande craque como o Edegar. A Luiz Argenta com isso dá uma bela lição que deveria, secondo me, ser imitada por outros grandes produtores. Vivo cobrando do Miguel da Miolo que faça seu vinho de autor e até agora nada… Quem sabe agora ele faça.

Ao Edegar meus cumprimentos, ele que já havia sido pioneiro num vinho de apassimento agora oferece um laranja, vinho de autor, na contra-mão dos bons vinhos da Luiz Argenta. Parabéns!

Abaixo uma foto da Marcia ao lado das ânforas. Veja:

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