Acontece

Domaine Drouhin Oregom

Christophe Thomas

 

” Está na hora de se pensar no Pinot Noir fora da Bourgogne”. A frase é de Ciro Lilla, durante jantar com Christophe Thomas no Tre Bicchieri, diante da excepcional qualidade dos Pinot Noir do Domaine Drouhin no Oregon e da falta de vinho na Bourgogne que aumentou os preços e diminuiu as disponibilidades.

Imaginem que um produtor tradicional da Mistral disponibilizou para o Ciro Lilla apenas 24 garrafas de seu vinho!!… Não há vinho na Bourgogne para vender!… O encontro no Tre Bicchieri foi em torno do Diretor da Joseph Drouhin, Christophe Thomas, que estve no Brasil a convite da Mistral.

Realmente, esquecendo-se que Bourgogne é Bourgogne e não se discute, o fato é que há sim ótimas opções de Pinot Noir mundo afora. Começaria por citar Nova Zelandia, a Alemanha, o Chile e o próprio Brasil, com ótimas opções dessa casta. Mas o assunto hoje era Oregom. Que grata surpresa.

A primeira surpresa foi provar o vinho que foi meu destaque da noite e era o mais barato deles, um Pinot Gris, casta que eu aprendi a respeitar na Asace e que o produtor Joseph Drouhin no Pregom produz com muita qualidade e custa U$ 39,90. Adorei. Vinho que encara além dos óbvios peixes, também os defumados, as carnes brancas e aves. Uma delícia de vinho.

A outra surpresa foi rever o simpático Christophe Thomas, um grandalhão borgonhês de uma simpatia ímpar, um ótimo humor e que se lembrou que nos conhecemos há vinte anos atrás quando trabalhava para o Chapoutier… Christophe sabe escolher onde trabalhar, foi para outro biodinâmico apaixonado, o Drouhin. Aliás o Ciro Lilla me contou que o convite se deu durante um Encontro Mistral, lugar que eu não sabia mas que rendeu já grandes negócios, afinal relacionamento de alta classe é o que não falta nesses encontros.

Christophe comentou que as vendas das 70 mil caixas de vinhos da Drouhin Oregom vão em primeiro lugar para os Estados Unidos, em segundo para o Japão, em terceiro para Inglaterra e em quarto para o Brasil!… Bacana saber disso.

Outra surpresa foi saber que todos os vinhos da Chapoutier são de leveduras indígenas e que embora não sejam certificados os vinhos são orgânicos ou biodinâmicos, paixão dos Drouhin. Música para meus ouvidos. O Chardonnay deles foi meu outro destaque, não sei se por estar gostando muito mais de brancos, mas o fato é que achei o Chardonnay ainda mais surpreendente que os Pinot Noir. Um espetáculo que custa U$ 79,50, vale cada gota.

Era o momento de umas palavras do Christophe Thomas que discorreu sobre como se deu a compra das terras no Oregon. Vale ver pois ele não economiza em informações inclusive sobre valores. Veja:

 

 

Fomos então para os tintos. Eram quatro deles:

  • Claudine Pinot Noir 2015 U$ 49,50
  • Roserock Pinot Noir 2014 U$ 79,50
  • Pinot Noir Dundee Hills 2014 U$ 99,90
  • Pinot Noir Laurène 2013 U$ 149,50

Meu predileto às cegas seria o Laurène, o mais classudo deles, mas considerando os valores, elegi o Roserock de solos vulcânicos como meu preferido, não desfazendo de nenhum deles, é que gosto demais do toque mineral rústico que o solo acrescenta ao vinho, uma rusticidade com classe. Uma delícia de Pinot Noir. Confesso que fui com expectativa de preços maiores considerando o status do produtor e da fama do Oregom.

A frase de Ciro Lilla merece realmente uma reflexão e vale experimentar as alternativas, pois costumamos nos surpreender. Saúde. Grazie Mistral pela oportunidade. Saúde!

 

 

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