Acontece

Os nºs do Adão Morellatto

Outro dia publiquei um artigo sobre o enorme crescimento da importação do Vinho no Brasil em 2017 em comparação a 2016 com uma informação de 54% em Volume!!! A informação era da International Consulting de Adão Morellatto que costumeiramente faz esse levantamento e refería-se ao período de jan a nov de 2017 x 2016. Acontece que havia uma enorme distorção nos nºs da França que posteriormente foram corrigidos. Ainda assim, os números surpreendem:

 

Nessa matéria Veja AQUI, ouvi o próprio Adão e outras importantes fontes do nosso setor, vale rever. Depois o Carlos Cabral que estava em férias, e a quem também fiz os questionamentos, me enviou suas impressões:

“Amigo Didu,
Feliz 2018!!
Regressei hoje do México onde estive em férias com a Família.
Sobre as tuas perguntas posso responder que:

Surgiram muitas empresas de Marketing Direto, agora as antigas importadoras e os novatos no ramo tem muita segurança em oferecer seus vinhos, bombardeando com mensagens constantes via todos os meios e assim não necessitam mais correr muitos riscos de vender fracionado no varejo de lojas e restaurantes e depois ainda ter de receber.

A venda direta tem a segurança de ser uma venda à vista, mesmo pagando-se com o Cartão de Crédito. Sendo assim, todos foram as compras, mesmo quem não se dedicava a importar direto.

Com a importação direta, você tem uma redução no preço de venda de 50% e a lucratividade é maior, além de ter briga de muitos venderem o mesmo vinho e lançarem uma guerra de preços.

Os Supermercados entraram nessa também, veja o caso do Pão de Açúcar e do Angeloni de Santa Catarina. Com o compromisso da compra feita pelo associado, o calote é zero, pois você entrega e já desconta do cartão de crédito do comprador.

O vinho comum vem melhorando muito e a oferta de vinhos importados por preços bem baixos é a grande sacada do momento.

Existem centenas de rótulos de vinhos espanhóis e portugueses sendo oferecidos a preços que não passam de 2 euros FOB! Chile e Argentina estão seguindo esse caminho para manterem a liderança.

Em um mercado onde poucos sabem de vinhos é muito importante ter uma empresa com alguns experts selecionando vinhos, da uma enorme segurança ao consumidor.

Esse mercado vai continuar crescendo mas ainda há espaço para uma super mega loja como a Total Wine que tem 70 lojas nos Estados Unidos que oferece 8.000 rótulos de vinhos 2.500 rótulos de destilados e 2.000 rótulos de cervejas!!! OU seja uma verdadeira Disneylândia de adultos apaixonados por vinhos!!!

Vejo 2018, se o Governo não atrapalhar como um excelente ano, igual a 2017!!!
Abraços,
cabral “

 

Agora recebo do Adão Morellatto o fechamento final 2017 x 2016 com as distorcões corrigidas. Delicie-se com os números e lembrem que o Vinho vem apresentando crescimento em cima de crescimento, porém o mercado está mudando e bastante. Vale pensar a respeito e encontrar o seu caminho. Saúde!

 

MERCADO DE VINHOS EM 2017

Caros amigos. Costumeiramente há 17 anos venho apresentando esta análise mercadológica periódica do comportamento de vinhos importados. Nesta, agregamos as 3 tipologias mais consumidas aqui: Vinhos Finos, Champagne e Espumantes. Retificando e revendo os números da fonte pesquisada, Ministério da Indústria, Comércio e Desenvolvimento, utilizando uma análise de apuração ponderada, de mês a mês, principalmente referente a França, onde havia uma distorção aritimética eminente, encontramos um valor mais “adequado” para 2017 que surpreendeu-nos com um expressivo crescimento de 31,21% em Valor e 32,35% em Volume, demostrando uma maturidade bem alicerçada….Pois nem as adversidades cambiais e tributárias balançaram este setor. Observem que mesmo com a economia recuperando-se em diversos setores, há ainda alguns segmentos que sequer atingem 1/3 desta performance. Como sou um por natureza um entusiasta e positivista, acredito fielmente que esta trajetória irá continuar em 2018, sejam pela possibilidade de negócios a curto e médio prazo, sejam por vocação individual enológica, seja por descobrirem novos nichos específicos ou mesmo para escoar a enorme produtividade mundial. Grandes grupos nacionais e estrangeiros estão se movimentando e estudando para prospectar-se neste setor. Falo com toda a segurança que o modelo atual de negócios encontra-se em uma linha delimitadora ou as Importadoras tradicionais mudam seus métodos atuais, se atualizem, se reinventem, se especifique, se alterne, se rejuvenesça ou então estarão fadados a uma vertiginosa limitação ou mesmo algumas a desaparecer. Com o advento dos eCommerce e a forte presença dos Supermercadistas, é cada vez mais forte a atuação destes playeres neste setor, além é claro do vasto surgimento de pequenas importadoras com atuação bem característica e direcionadas a uma região ou produtor, com foco somente neste campo. Não é prudente, tampouco concebível, qualquer empresa que seja atuar com um portfólio com mais de 700 produtos. É humanamente impossível administrar as vendas, clientes, estoques, equipe, produtores, finanças e logística com uma massa de produtos. Obviamente que aqui, como qualquer lugar no mundo, o grosso de consumo situa-se no patamar entre USD 10,00 á USD 30,00 aqui um pouco mais devido a altíssima carga tributária. Nosso preço médio litro de entrada aqui está na faixa de USD 3,07. Além de atribuir toda a cadeia logística e fiscal, ainda há que se agregar o financeiro dos investidores. Lembrando a todos que nossa tributação dar-se por antecipação, isto é, antes de qualquer movimentação logística, deve recolher quase que na íntegra, todos os impostos e taxas.

Como se manifestou o mercado por exportador:

1. CHILE. Caiu quase 5 pontos em valor, mas mantém sua tradicional e ponteira firme e tranquila com participação de 39,77% em valor e 42,76% em volume. Talvez tenha atingido seu ponto de equilíbrio??? Veremos mais adiante esta perspectiva. Cresceu “apenas” 18,69% em valor e 18,47% em volume. Seu preço médio de USD 2,85 é idêntico aos valores apresentados por Itália e Portugal. Está em análise um acordo comercial entre Mercosul e União Européia para 2018, o vinho faz parte da pauta de negociações. Concretizando- se, podem ter certeza que este quadro irá mudar significativamente.

2. ARGENTINA: Reverteu sua queda apresentada em 2016 e cresceu neste período 16,18% em valor e 11,60% em volume, porém um pouco inferior ainda de seu melhor ano (2011) quando vendeu quase USD 59 milhões ao mercado brasileiro. Contribui com 14,63% em valor e 13,34% em volume e com leve valoração de 4% de seus vinhos. Eles serão o principal exportador que poderá ser prejudicado pelo acordo em trânsito. Seus vinhos são em média 18% mais caros do que os exemplares da Itália e Portugal. Isto pode refletir muito no momento intuitivo da aquisição.

3. PORTUGAL: Eis aqui um que bateu pesado em 2017, cresceu 51,89% em valor e 49,23% em volume, com participação de 12,10% em valor e 13,02% em volume. Há uma infinidade de pequenos e médios produtores buscando parcerias e atuando diretamente, mesmo que seja com uma única vinícola e com no máximo uns 10 tipos de vinhos. Mas como atuam diretamente nos pontos de venda, são mais agressivos na políticas comerciais e também muito mais flexíveis as mudanças decorrentes de enúmeros fatores.

4. FRANÇA: Como já comentado acima, foi necessário estudar cirurgicamente seus números, pois apresentavam uma enorme disparidade no volume. Após esta interpretação ponderada, chegamos a um número também muito convincente, com crescimento de 44,04% em valor e 38,32% em volume, em sintonia com o segmento. O produto Champagne contribui com aproximados 1⁄4 do volume total, pela metologia aplicada de agregar os 3 tipos verificados. Seu Market share posicionou-se com 10,90% em valor e 5,60% em volume, tendo um valor médio de USD 5,97 por litro fortemente influenciado pelo Champagne com preço médio de USD 25,82 p/ litro.

5. ITÁLIA: Outro forte exportador que também mostrou sua capacidade de atuar mundo afora. Sua diversidade produtiva é sua grande vantagem e seu legado mais evidente. Claramente os 4 europeus, cresceram sobre os números do Chile. Em 2017 colaborou com 10,61% em valor e 11,26% em volume e expandindo em 52,79% em valor e 51,03% em volume, porém ainda um pouco abaixo (6,17%) de seu melhor ano aqui já exposto: USD 35.428.719,00 em valor. O vinho tipo espumante (prosecco) apresentou um acréscimo de 65,68% e representa 14,40% sobre toda a exportação.

6. ESPANHA: Foi o país que mostrou maior agressividade de crescimento, desde 2010 já cresceu aqui quase 127,91% em valor. Em um artigo antigo do mesmo período, utilizando um estudo de Robert Parker, de que já mostrava esta dinâmica, pois com sua vasta produtividade, preços atrativos e aplicando tecnologias avançadas, é o país que mais cresce em participação no mundo. Em termos de custo benefício, são imbatíveis. Mesmo tendo entre os europeus um preço mais elevado: USD 3,26 por litro. O produto cava representa em seu rol quase 22% em valor. Em 2017 cresceu 62,52% em valor e 62,87% em volume. Também cresceu sua participação para 6,89% (quase 23,92% de crescimento participativo) em valor e 6,47% em volume.

7. DEMAIS PAÍSES: Destaque positivo de 90,84% da África do Sul, 52,55% do Uruguai e 40,55% dos EUA. Austrália, Nova Zelândia e Alemanha decresceram.

Análise de minha única e inteira responsabilidade e competência, estando liberado para divulgação, comunicação e publicação, respeitando seu conteúdo na íntegra.

INTERNATIONAL CONSULTING ADÃO AUGUSTO A. MORELLATTO

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