Almoço com Paul Hobbs

 

Ontem tive agradavel almoço com Paul Hobbs a convite da Mistral. Ele dá consultoria em toda parte, é um dos mais exuberantes e promocionais winemakers, mas também tem sua própria vinícola, a Paul Hobbs Winery, cujos vinhos estão na Mistral.

Ele é um craque e personagem importante do mundo do vinho, foi no passado quem levou o nome Catena para o mercado americano e hoje entre suas consultorias está Bertrand Vigouroux do Cahors. Uma inusitada consultoria, pois seu Malbec Chateaux de Haut Serre é simplesmente estupendo e reconhecido mundialmente, mas por incrivel que pareça Paul Hobbs promoveu mudanças que deixam o vinho pronto mais cedo e ganhou respeito do mercado que hoje valoriza mais o vinho.

Quando Hobbs assumiu a consultoria, declarou que na França as vinícolas careciam de limpeza. Achei grosseiro na época e discordei de sua postura e até escrevi uma crítica sobre essa postura Aqui.

Ontem tocamos no assunto e eu perguntei a ele como explicava que a Borgonha com o mesmo padrão de “higiene” produzia maravilhas respeitadas no mundo todo… Ele argumentou que os mofos da Borgonha não eram as bactérias que encontrara no Cahors de Vigourous. Não polemizei por que gosto dele e não queria estragar o gostoso almoço, mas o assunto é polêmico pra caramba, afinal se fosse mesmo falta de higiene que o Vigouroux tinha, por que seus vinhos ficavam extraordinários com a idade? Não me convenceu.

Hobbs como Rolland estão conectados ao mercado. É o mercado quem manda, tanto que hoje ele só usa leveduras indígenas e Rolland trabalha com biodinâmica, Hobbs também em boa parte. E o mercado, principalmente o americano, quer vinhos prontos mais cedo. Para que esperar 20 anos para o vinho estar delicioso? Aliás essa a razão também dos Porto Vintage serem consumidos com tres ou quatro anos de idade, o que continuo considerando enorme sacrilégio, dada a impressionante alteraçnao que o vinho oferece após 20 anos. Quem já provou sabe. Mas para um produtor, imagino a diferença que faz em seu cash-flow, vender um Cahors pronto com dois anos de garrafa…

Mas no problem, Hobbs não gosta dos aromas que eu gosto e nem da sinceridade dos vinhos que eu gosto, o que não quer dizer que eu não goste também de seus vinhos, que agora são todos frescos e sedutores para satisfazer o consumidor.

Nós degustamos:

Eu pedi ao Paul que descrevesse e explicasse seus dois Pinot Noir e ele deu um show. Um craque que sabe bem o que faz e valoriza qualquer vinho que tenha sua assinatura.

Agradeço a oportunidade, como digo sempre, é muito bom escrever de vinhos e não de parafusos…

 

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