O episódio Zenker escancara a incompetência do MAPA

Reproduzo abaixo o texto da Lis Cereja, que mostra como o Ministério da Agricultura brasileiro é voltado para a grande indústria e absolutamente despreparado para entender o Artesanal.

O “Vigneron” no Brasil atual não tem como sobreviver legalmente e ainda é taxado de bandido pelos seus colegas da indústria do vinho, aqueles que matam a natureza e depois reconstróem artificialmente o que restou dela dentro da vinícola com insumos importados. Isso é vinho industrial. Isso não é atitude digna, mas ignorância.

A falta de respeito ao natural e a falta de consciência do setor é inaceitável. O Ibravin precisa se posicionar oficialmente sobre isso, afinal 90% dos produtores brasileiros são pequenos. Bastou um artesão fazer sucesso por suas qualidades para ser crucificado injustamente.

Se o MAPA brasileiro fosse aplicado na Bourgogne, não haveria mais Bourgogne. Que informações têm esses burocratas para decidir sobre isso? Com que respaldo decidiram por essas regras?

Eu acho que esse tiro vai sair pela culatra. Afinal, como o governo pode justificar para o Mundo inteiro por exemplo:

  • Permissão para uso de inúmeros químicos na agricultura , já proibidos no exterior.
  • Exigir normas fito-sanitárias que impedem a existência de vinho biodinâmico ou natural.
  • Querer implantar DOs quando a indústria de vinho usa leveduras selecionadas do lugar que quiser do Mundo? Isso já acontece na DO Vale dos Vinhedos por exemplo. Que terroir é esse?
  • Permitir o uso de cerca de 400 insumos químicos e punir quem não usa nenhum?
  • Exigir que quem não usa nada justifique tudo e quem usa tudo não conte nada.
  • Confiscar os vinhos de um produtor que está em um xeque-mate normativo que o impede de ser artesão? Ele não tem como ser legal e é tratado como criminoso e impedido de vender seus vinhos!!
  • Aprovam o Simples mas exigem as normas feitas para vinho industrial.
  • Vinhos produzidos no exterior, respeitados, analisados e permitidos ao consumo do brasileiro, produzidos exatamente igual aos do Zenker. Milhares diga-se.

A novela vai continuar e eu não vou sossegar com esse tema não. Sorry. Fico aguardando a posição do IBRAVIN e do MAPA. E esse assunto não é só do vinho como podem ver nas colocações da Lis. A coisa é séria, inaceitável e revoltante. Bem do país da JBS mesmo.

Abaixo o texto da Lis:

 

Como todos sabem, a polícia fechou as portas da vinicola Arte da Vinha, de Eduardo Zenker, essa semana. O que aconteceu com ele no fundo só mostra a real situação do produtor artesanal brasileiro: o dilema entre continuar artesanal e ser clandestino ou deixar de ser artesanal e se regularizar. Sim, pois a grosso modo é isso que acontece hoje em dia. Não existe lugar nas legislações para um pequeno produtor de vinho natural se regulamentar. Portanto, grande parte vive a vida na ilegalidade, sem poder comercializar oficialmente seus vinhos, enquanto lutam por mudanças ou adaptações nas legislações e normas de regulamentação. Sabemos que isso – regulamentação ou mudanças nela – no nosso país leva tempo, trabalho, requer muita influência, paciência e até alguma sorte. Até mesmo pessoas que se encaixam nas normativas tem dificuldade de estar 100% regularizadas. Imaginem então os produtores artesanais que nunca se encaixarão nessas normas. Pois é. Isso já aconteceu com o queijo de leite cru, com produtos de sangue animal, com o café. As legislações foram formularas em certa época para abranger a indústria de larga escala – mas a maior parte da tradição alimentar brasileira nunca foi de larga escala. E todos os produtos e métodos e agricultores tradicionais ficaram “orfãos”, sem se encaixar em nenhum tipo de legislação plausível. O vinho é só mais um desses produtos órfãos no Brasil. #saintvinsaint #artesanalélegal

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