A Delação Premiada chegou ao Vinho.

 

A Delação Premiada chegou ao Vinho Brasileiro. A premiação no caso é o sigilo sob peso da justiça da divulgação dos covardes delatores. Uma pena, pois deveria ser tudo às claras secondo me.

 

Mas no Brasil a coisa é engraçada, ainda mais em lugares pequenos como Pinto Bandeira ou Farroupilha ou mesmo Bento Gonçalves. Tudo se sabe, tudo se avisa, todos sabem de tudo…

Eu, neste momento, estou estarrecido e chocado, pois soube dos nomes dos delatores que não posso divulgar sob pena de responder na justiça. Mas muitos sabem quem são. Aliás sabem há alguns meses já. e o pior são pessoas respeitadas e ligadas a entidades do Setor.

Todos negam. O Ibravin nega e diz desconhecer. Não acredito, até por que os envolvidos foram alertados por gente muito próxima dos principais dirigentes da entidade que insiste em postura política. Eu acho errado e não condiz com minha postura e nem temperamento.

 

Não sei se todos assistiram ao filme Brave Heart, o Coração Valente. Lá há uma cena dramática em que William Wallace persegue o enigmático e oculto sob máscara, opositor, e ao alcançá-lo e arrancar sua máscara, descobre se tratar de Robert de Bruce seu amigo, que havia se vendido ao Rei da Inglaterra. É um momento dramático do filme que escancara a decepção do herói. Eu me senti assim esta semana ao saber dos nomes desses delatores. De arrepiar e mais, de personagens importantes, influentes e respeitados, que produzem grandes produtos e um deles inclusive duvido que o respeitado vitivinicultor seu patrão saiba do que ele fez, pois pelo caráter dele certamente demitiria essa pessoa. Não tenho a menor dúvida disso. Um terceiro não conheço, graças a Deus, e soube que é um dos maiores vendedores de veneno. Combina com delator não?…

Eu tentei interceder, pela ligação que tenho com as partes, porém sem sucesso. Os produtores artesanais não têm como se legalizar nesse momento, pois a legislação do Artesanal, exige que 70% das uvas sejam prórprias e que as vendas sejam feitas apenas na propriedade ou em feiras regionais. Um piada pronta para não resolver o problema deles.

A alternativa do Simples tão pedida e tão trabalhada, só entra em vigor em janeiro de 2018 e não tem legislação complementar que acomode as exigências aos padrões de vinho artesanais e nem regulamenta como legalizar vinhos em estoque. Assim também não resolve a situação, embora pareça ser o caminho de solução. Eles estão praticamente obrigados a serem ilegais, Uma arapuca.

Esses produtores chegaram a esboçar a criação de uma Cooperativa a Naturvin que noticiei aqui com grande alegria na ocasião. Segundo os participantes a Naturvin não foi em frente por entraves jurídicos. Mesmo com a assitência do Ibravin à época, não havia uma saída que permitisse a produção artesanal como eles fazem, preservando a cultura e as tradições. O Brasil não prioriza a cultura artesanal, está ordenado para o volume industrial. O próprio Ibravin segundo eles, recomendou que eles esperassem o Simples.

Procurei o Ibravin para saber disso e solicitar que eles fizessem uma declaração em defesa do Eduardo Zenker que hoje vive uma situação absurda de confisco de suas poucas garrafas por estarem em desacordo com as exigências fiito-sanitárias e por não cumprir as “boas práticas vinícolas”. Queria queria que o Ibravin interviesse junto ao MAPA e publicasse a declaração de que eles mesmos teriam sugerido que esperassem o simples e por tanto não era justo essa punição agora. O Ibravin se negou. Carlos Raimundo Paviani me disse que essa sugestão aconteceu antes de terem aprovado o Simples e por tanto não caberia essa justificativa.

Ora, se foi antes a sugestão a situação do Ibravin é ainda pior, pois a principal entidade do vinho brasileiro sugere aos desamparados pelas normas do MAPA e da Anvisa que esperem por uma lei que não havia nem sido aprovada?!?!?  Heim???!! Mas é assim a política. Sabedores de que eu tinha conhecimento de que dois dos envolvidos  tinham ligação com a entidade fizeram de tudo para não se envolverem. Feio isso. disse a eles. Lamento demais. Acho que é algo que mereceria uma investigação interna. O que me deixa convencido de que sempre souberam do que hoje negam,

No fundo, fiquei aliviadao de não ter conseguido minha pífia tentativa política para uma solução ao amigo Zenker, mas ao mesmo tempo contente por poder fazer meu papel que é falar o que sei e dar a opinião de um pé-franco e biodinâmico que sempre fui.

A coisa vai ferver. O mercado está absolutamente indignado com a postura do Ibravin em não procurar uma solução sensata e ficar ao lado dos denunciantes. Denunciantes COVARDES e que agiram por EGO e não por mercado ou justiça. Que atire a primeira taça aquele que não tem uma culpa com nossa legislação.

E ainda pior é que não têm a competência e a inteligência de ajudar, de aprender, de se solidarizar. São estes vinhateiros que estão arregalando os olhos da imprensa francesa, espanhola e portuguesa por exemplo. Que pobreza… No post que repassei ontem do blog da Isabelle do Paladar , dando destaque ao movimento que se reforça em defesa do Zenker que foi impiedosamente tratado como bandido, quando seguia as sugestões do Ibravin, (vale a leitura no link acima), foi interessante o comentário do sério e competente Daniel Geisse:

“Que absurdo o que aconteceu. Pensar que meu pai começou igualzinho.Um sonho na cabeça e um passo por vez. Imagina se tivessem tomado com ele a mesma atitude 40 anos atrás…”

Agora, vai ser um quiprocó. O mercado se une em defesa de Zenker. A Lis Cereja e um grupo de pessoas estão se mobilizando para ajudar este cara genial hoje tomado por um bandido, por vingança de pequenos e incompetentes Egos…  Por que a ação no Zenker não foi orientadora e punitiva? Qual a razão disso? É essa a função do Ibravin? Na minha opinião seria de amparar. Desse um prazo, discutirias-se as dificuldades e soluções. Mas isso não foi feito.

Hoje se produziu a tradicional foto de nus para a Feira de Naturebas, que será em protesto ao que estão fazendo com os vinhos Naturais Brasileiros. Haverá grandes reações e inclusive um Debate em Mesa Redonda está marcado em Brasília durante a Vinum Brasilis em 16 de agôsto, para discutir esse abando aos Artesanais, não só de vinho e da dicotomia entre Anvisa e MAPA, com um orientando e outro punindo e ninguém solucionando, é assim com o vinho, com o queijo com o café e com tudo.

 

 

Não há cabimento a situação em que vivem hoje estes desamparados Artesão e o descaso do Ibravin. Para se ter uma idéia, foi pedida a cabeça do Diego Bertolini Diretor de Marketing do Ibravin, que aliás vem desenvolvendo um ótimo trabalho na entidade há tempos, com a justificativa de que ele estava promovendo produtores contraventores!… Ora, a pauta do Globo Reporter, origem dessa ira dos covardes incompetentes, era de vinhos naturais. Quem mais faz isso no Brasil?… Ora. O Ibravin que se ufanava por ter conseguido a pauta, que na verdade saiu da Enoteca Saint Vin Saint e não do Ibravin, logo tratou de voltar para cima do muro, lugar que lhe apraz, pela pressão de associados e enviou comunicado se esquivando dos méritos. Por favor não?

Muito bem, os próximos passos vocês saberão certamente por aqui. O que já sabemos é que teremos aqui um novo caso de sucesso como o L ‘Ínterdit do Jean Luc Thunevin. O tiro vai sair pela culatra, pois os vinhos se venderão todos e o Zenker ficará famoso. Não tenho a menor dúvidas disso.

 

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