50 paus

Didú na Serra Gaucha – 3º Dia.

Meu último dia na Serra Gaucha com Rafael Gusolfi começava com o que seria minha maior alegria da viagem, escrevi sobre isso aqui logo que cheguei pois estava eufórico e feliz com o que porvara, Leia.

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Realmente a prova das duas amostras de tanque (Nebbiolo e Tannat), com 15 graus de álcool, zero de SO2 e de leveduras indígenas me deixou muito feliz, muito feliz mesmo. E o entusiasmo (En Teus si Mesmus) ou seja ter Deus dentro de si, que senti e vi nos olhos da Monica, me deixaram realmente satisfeito com a Serra Gaucha. Parabéns Lídio Carraro!

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Antes de sair uma foto com a Ivone que trabalha na Lidio Carraro e que acompanha no Didu.com.br, no Face e no Instagram…, quem não gosta de ser querido? Grazie Ivone. Bacio.

 

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Saí de lá com meu mais novo predileto tinto nacional Abaixo dos 50 Paus, o Faces Merlot 2015. O predileto branco nacional Abaixo dos 50 Paus é o Chardonnay do Venturini.

Eu havia combinado com o Jair, nosso simpático motorista, que nos telefonava lembrando sempre do horário (anotem o telefone dele e se foram à Serra Gaucha não exitem em chama-lo: (54) 8149 0619 ), e com o Rafael, que apressaríamos nossa programação para não irmos para o aeroporto no sufoco, mas com aquela euforia toda na Lidio Carraro, já comecei o dia atrasando…

 

Partimos então para a Dal Pizzol, antigo e tradicional produtor brasileiro que não gosta de madeira nos vinhos e sou se manter fiel ao seu propósito. O lugar é um espetáculo, curiosamente a Dal Pizzol não fica no mesmo endereço da Vinícola, niunguém, visita a vinícoala, mas seu espaço cultural, onde há um museu, um restaurante, uma adega Enoteca, com raridades que se abre vez por outra, abaixo uma foto nossa com o Toninho Dal Pizzol.

 

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E um vinhedo experimental que é único na América do Sul e contempla 390 castas diferentes de todo mundo!!! Veja a foto com o Toninho nesse vinhedo que se chama Vinhedo do Mundo.

 

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O Rinaldo e o Toninho fizeram a gentileza de abrir duas garrafas desse vinhedo, o Vinum Mundi, que a cada safra aumenta o número de castas, no vídeo abaixo eles nos falam disso, veja:

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Discutimos muito sobre mercado, sobre o abandono do Governo com o Setor enquanto saboreávamos a polenta, o franguinho ensopado e o pão caseiro com o molho do frango. Um sonho de aconchego.  Fizemos a degustaçnao de seus vinho na própria mesa de almoço, para ganharmos tempo e o Rinaldo me presenteou com seu livro em tres volumes que lerei com carinho e atenção.

 

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De lá seguimos para a Salton, nossa última parada  e fomos recebidos pelo Daniel Salton, hoje o Presidente da Vinícola que largou suas responsabilidades para nos recepcionar, uma pena que o Lucindo estava fora, mas ele havia nos deixado alguns vinhos previamente selecionados para prova.

 

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O Daniel nos mostrou a Cave da Evolução, inaugurada no ano passado e que é uma espécie de Labirinto escuro entre grades que protegem preciosidades em repouso para o futuro e aqui e alí há estações com Anjos ilumidaos. Muito bonito. Ao som de canto gregoriano o visitante anda por esse labirinto de caves e anjos até chegar na sala principal onde há uma tavola rotonda onde se pode fazer eventos privados para 12 pessoas. Todo esse projeto de interessante curiosidade turística, ocupa o local onde ante se faziam os grandes almoços, como este que retratei aqui, nos cem anos da Salton, reveja:

 

 

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Bem, acabado o passeio e a visitação fomos para a degustação onde pude revisitar alguns rótulos e provar novamente o delicioso rosé Lucia Canei em homenagem à tataravó das meninas Salton.

 

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Fiquei triste por saber que a linha Volpi não existirá mais, parece que houve problemas de renovação dos direitos de uso de imagens do pintor, agora há duas linhas, a Intenso que está nos super mercados, aliás o Merlot/Tannat dessa linha é bem legal, e a linha Paradoxo que parece terá um pequeno residual de açúcar. Falei com a Luciana Salton por e-mail e ficamos de degustar todos juntos, quero localizar o velho e bom Merlot Volpi que era meu predileto e evoluía muitíssimo bem na garrafa.

Terminava assim nossa gostosa viagem à Serra Gaucha em agradável companhia do Rafael Guisolfi, vencedor de O Aprendiz de Sommelier. Agradeço ao Ibravin pela oportunidade e gostaria de deixar aqui meu depoimento sobre a impressão geral que tive dessa viagem.

Fiquei bastante bem impressionado com a nova geração de pessoas com as quais estive, e mesmo alguns não tão da nova geração, mas que são pessoas abertas e sem aquele “nhem”, “nhem”, “nhem” que era comum na Serra Gaucha. Encontrei pessoas entusiasmadas com suas IPs e suas DOs, pessoas entusiasmadas com o que estão fazendo, e sem aquele antigo choramingo.

Gostei também de ver o entusiasmo das pessoas com o eno-turismo, que certamente crescerá e contribuirá para o vinho.

 

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Agradeço a companhia interessada, respeitosa e educada do premiado Rafael Guisolfi, que foi entusiasmante para mim e mostrou a qualidade de meus leitores.

Percebo de um modo geral que o vinho brasileiro ainda é muito carregado de madeira. Entre o que provei, o panorama mostra um vinho voltado ainda para um consumidor que está acabando, hoje se quer vinho mais fresco, com menos álcool e menos madeira, vinhos mais leves. Até a Argentina está produzindo esse perfil de vinhos que está bem fora de sua aptidão.

Outra constatação é que existe dois mundos de enólogos hoje. Os que querem controlar a natureza, pois foram educados assim por professores da geração da indústria química e das correções na adega. E há os que querem o mínimo de correção e estão entendendo que não é apenas conversa de marketeiro dizer que: “o vinho se faz no vinhedo…”

Esse enólogos, “secondo me” se darão melhor num futuro muito próximo. O consumidor está mudando, os jovens mudaram mais e mais rapidamente, os vinhos manipulados perderão muito de seu espaço e será muito difícil agregar valor à marca fazendo vinho tecnológico.

Não haverá espaço para se falar de terroir usando produtos químicos, abrindo mão das leveduras nativas, matando o sotaque de seu vinhedo.

Dois bons exemplos desses dois mundos são a Monica Rossetti e o Edegar Scotegagna, para ficar apenas em dois destaques do que visitei desta vez. Os dois são super bem informados, os dois estudaram na Itália, os dois produzem vinhos de alta qualidade e os dois são diametralmente opostos em seus critérios.

Ficam aqui minhas impressões, minhas contribuições que espero entendam como construtivas, e meus agradecimentos e minha esperança para que o Governo Federal tenha um pouquinho só de consciência e olhe com mais carinho e respeito o trabalho do viti-vinicultor brasileiro. Ou será que teremos que marchar até lá e encher de vinho aquele espelho d’água do palácio do Planalto?

Espero também que a próxima novela das oito que está sendo gravada neste momento e que será ambientada no mundo do vinho, venha ajudar nisso. Já escrevi aqui sobre isso, é tudo o que precisamos, que a Globo escolha o vinho como um mercado promissor anunciante que ela não tem. Se ela quiser, teremos instantaneamente um mercado dez vezes maior do que temos.

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