Premium Tasting WOFA – Segundo Dia

O segundo dia do Premium Tasting do wines of Argentina em São Paulo teve um formato maior que o das Master Classes de ontem. Hoje, dois salões abrigaram cerca de duzentos profissionais do vinho interessados nas novidades dos vinhos argentinos. Veja na foto do Deco Rossi abaixo.

A mesa foi composta por Suzana Balbo, Susana Barelli que foi jurada este ano em Mendoza e Guilherme Corrêa que foi jurado em 2011.

Foram degustados 29 vinhos que variaram de R$ 55,00,  o gostoso Torrontés biodinâmico da Colomé, único branco, até o Bodega Luigi Bosca Icono da Familia Arizu a R$ 495,00! Para ficar em dois vinhos da Decanter, curiosamente o mais caro e o mais barato dos selecionados.

O critério da seleção foi de vinhos, ou pontuados alto pelo Luis Gutierrez, representante de Robert Parker, ou vinhos que ganharam Trophy no último Premium Tasting de Mendoza que aconteceu no início deste ano.

Os vinhos eram servidos às cegas em grupos de cinco amostras, num serviço absolutamente impecável, coordenado pelo simpático e articulado Sommelier Rodrigo Khon,  Sommelier-Chef do Hotel Intercontinental Mendoza que na foto aparece ao lado do enólogo Alejandro Vigil e Deco Rossi.

Os objetivos do WOFA de mostrar aos brasileiros que as 400 bodegas argentinas que hoje exportam para 126 países, podem vender mais de outros vinhos certamente foi alcançado.

 

Afinal, todos puderam constatar que hoje a Argentina apresenta vinhos com menos madeira, menos densos, menos musculosos, com consequente maior frescor e mais aptidão para as harmonizações com comidas e o melhor, há muito mais que bons Malbec.

Os Cabernet Franc, os Cabernet Sauvignon, os Bonarda e os assemblages encantaram a platéia nesses dois dias, mostrando a versatilidade de um país que mantém como marca registrada a intensidade de fruta madura em seus vinhos.

Eu gravei alguns momentos neste vídeo que vale você ver, principalmente para ver uma demonstração de elegância, classe e competência em descrever um vinho. Claro, falo do Sommelier Guilherme Corrêa.

 

 

Eu esperava o final do tasting para fazer duas perguntas a Suzana Balbo que não consegui, pois não sabia que não haveria perguntas ao final. Eu não quis ser grosseiro e atravessar a degustação para fazer as perguntas, então faço-as agora e deixo no ar aos leitores para reflexão. P{eço que entendam que o objetivo é contribuir com o bom vinho argentino.

Pergunta 1:

A cada vinho apresentado, Suzana Balbo falava da nota que o vinho havia conseguido com o degustador de Parker e em seguida fazia a descrição do crítico e sua previsão de longevidade do vinho. Ora.

Será que a descrição do vinho não seria melhor feita pela própria Suzana Balbo, enólga de longa e competente carreira e que conhece todos aqueles vinhos?

Será que o Luis Gutierrez já cultivou, já podou, já irrigou, já rezou para não cair granizo, já colheu e vinificou?  Então, como é que ele pode sentenciar o tempo de vida que aquele vinho terá?

Depois, a Suzana Balbo acha mesmo bom para os vinhos, ficar se perpetuando essa ditadura da pontuação em vinhos, turbinando cada vez mais o poder de um crítico? Eu não acho.

E devo dizer: Não dou a mínima para nota alguma e não divulgo nota. Nota de crítico só serve para tres tipos de pessoas: Os que vendem vinho, os que não sabem de vinho e os snobs. To fora. Meus leitores querem prazer, experiências novas, sedução e se custar menos de 50 Paus, tanto melhor.

Pergunta 2:

A variação de preços entre os vinhos era muito superior à variação de qualidade entre eles. Como explicar isso ao consumidor?

E mais, São Paulo tem uma oferta de 22 mil rótulos de vinhos de toda parte do mundo para o consumidor escolher. Esse consumidor não tem conhecimento algum de vinho. Ele não sabe nem que existe o Valle de Uco, muito menos que existe Altamira, e nem imagina que o Sebastián está lá procurando conhecer melhor seu terroir.

Um Marcel Deiss depois de 40 anos produzindo maravilhas biodinâmicas em Bergheim, revolucionando o conceito de castas e de terroir da Alsace, tem vinhos hoje de R$ 140,00 a R$ 548,00.

 

Falando em alternativas com o mesmo dinheiro, o consumidor tem em cada um dos importadores dos vinhos, alternativas bem atraentes. Veja por exemplo:

  • Magari IGT Toscana de Angeo Gaja R$ 320,00
  • Anima Negra de MiguelAngel Cerdà R$ 287,00
  • Viña Tondonia Reserva de Lopez de Heredia  R$ 273,00
  • Caves São João Reserva 1970  R$ 456,00
  • Gravner Ribolla Gialla a R$ 433,20
  • Pio Cesare Barbera D’Alba Fides a R$ 254,00

Como explicar ao consumidor que os vinhos argentinos estão nessa mesma faixa de preço? Ele disputa o mesmo dinheiro do consumidor. Não é prematuro? Não temos muito a caminhar antes de chegar a esses níveis de valores? O vinho argentino  “Secondo Me” está caro diante da percepção de qualidade e de tradição que ele tem no mercado.

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