Como foi o 1º Venda Vinho$

Quem foi no 1º Venda Vinho$ saiu de lá uma pessoa bem mais informada e mais qualificada do que entrou, quem não foi perdeu muito. Quem acha que não tem nada a aprender vai continuar achando, quem só olha para seu próprio umbigo, vai continuar míopemente olhando o próprio umbigo, afinal o Brasil é Amador…

Quando há um ano o Regis Oliveira (ao centro) do Jornal Vinho & Cia convidou o Prof. Sergio Inglez de Souza (esquerda) e a mim para um almoço e nos convidou a ajudá-lo no projeto Venda Vinho$, fiquei logo entusiasmado. Afinal, sou convicto de que o que mais falta ao vinho é discutir o setor e avançar. Temos tanto a avançar.

Nesta semana, mais precisamente nos dias 1 e 2 no Wine House Baby Beef da Marginal Pinheiros, aconteceu a primeira edição do evento que contou com o patrocínio e apoio da La Pastina, da WorldWine, do Ibravin e co-patrocinio de Salton, Perini, Villa Francioni, Global Wine  e Wine House.

Quem não foi deixou de saber em detalhes por exemplo, por que o Brasil é Amador e por que seria tão fácil vender 1,5 bilhão de garrafas de vinhos finos por ano. Foi o que disse em minha apresentação de abertura que afirmou. Somos AMADORES.

Quem não foi, deixou de saber em detalhes dos problemas de entraves, burocracias e números do mercado no painel de Adão Morelatto.

Quem não foi, deixou de aprender com Carlos Cabral, quais foram as coisas importantes que ele aprendeu ao montar a equipe de atendentes de vinho que levou o Pão de Açucar hoje representar quase 19 milhões de garrafas de vinho/ano e não ficou sabendo como fazer isso. Ele contou o que uma consultoria cobraria caro, dando detalhes preciosos desse processo todo. Não ficou sabendo por exemplo, que um dos grandes problemas hoje, é as férias dos atendentes, pois as vendas de vinho caem 50%!!

Quem não foi deixou de saber por que o Chile é líder e a Argentina é a segunda, pois diante da apresentação dos vinhos brasileiros eles deram um show de apresentação. Deco Rossi contou do potencial e qualidades de outras castas como Bonarda, Cabernet Franc e Cabernet Sauvignon, que independente da ícone Malbec, fazem bonito e crescem muito como alternativa aos consumidores e deu detalhes de cada região desconhecida da maioria.

Nicolas Torres da Ventisquero deu um show sobre Chile, ensinado por que Chile e como vender Chile. Com alta performance profissional e de material, demonstrou as qualidades do país, a diversidade, a confiabilidade, os estilos, a capacidade de fornecimento, o pioneirismo e ainda demonstrou que produto oferecer para cada perfil de consumidor. Uma verdadeira aula.

Luciana Salton contou o case de sua marca e falou das dificuldades brasileiras enquanto Naura Lorenzo contou do caminho da Villa Francioni em vinhos de qualidde e como vem ocupando seu espaço.

Quem não foi lea deixou de saber das peculiaridades do pais de maior diversidade de vinhos e da maior quantidade de DOCs., que é a Itália e do apelo gastronômico, turistico e cultural na venda do vinho Italiano, pelas informações preciosas do Emilio Pelizzon da agência ICE Itália e nem do que vem por aí como promoção dos vinhos italianos.

Quem não foi deixou de saber na palestra de Raphael Sena Evangelisti, as razões de se vender um paraiso de castas autóctones de Portugal, com detalhes e atributos de cada região.

Quem não foi deixou de saber por que um Sommelier não pode se corromper aceitando propinas e dúzias de 15 e que tais, que diminui sua estatura, diminui sua dignidade e não constrói nada para o vinho, só o encarece.

Deixou de saber de tudo sobre vinhos orgânicos, biodinâmicos e naturais por um pioneiro nessa área e expert no assunto, Jacques Trefois. Veja neste link dois vídeos que fiz com ele. E isso apenas no primeiro dia.

 

 

No segundo, quem não foi, deixou de saber por exemplo, por que a Enoteca Saint Vin Saint conseguiu mostrar resultado focando num difícil nicho de “Naturebas” e hoje virou referência, trabalhando com uma das menores margens de preço ao estilo dos Bistros franceses que têm a dona na cozinha e o marido no salão. Deixou de saber por que eles priorizam os pequenos importadores e quais suas margens.

Deixou de saber por exemplo, das margens praticadas por restaurantes e bares, na palestra de Cesar Adames, que demonstrou como se pode ganhar com margens baixas.

Quem não foi lá, deixou de saber do extraordinário case de Lamberto Percussi, uma pessoa apaixonada com o que faz e de sua sinceridade em explicar o quanto quer ganhar em cada garrafa de vinho e por que. Corroborando com a palestra do Ramatis, Lamberto explicou por que as margens em garrafas de menor valor são maiores que as margens nas garrafas de maior valor. Contou apaixonadamente por que o Restaurante é o melhor lugar para o show de um vinho.

Quem não foi lá,  deixou de saber como é que se pode vender mais vinhos em Restaurantes e em Pizzarias, nos depoimentos pessoais de André Cavalcante do Ráscal que contou desse segmento do grupo, montado por insistência e persistência dele e do sucesso no vinho que Alexandre Levy da Pizzaria Prestíssimo conseguiu, com espaço específico para o vinho.

Quem não foi lá deixou de saber também por que e como o Sommelier TOM transformou a carta do La Casserole numa participação de 75%  em vinho franceses e como consguiu com os Clientes de lá viabilizar uma importadora focada em pequenos produotres franceses e italianos que vive praticamente dos mesmos Clientes do Restaurante.

Quem não foi lá, deixou de saber do enorme desafio de distribuição que vive o Setor do vinho hoje no Brasil e não ficou sabendo por que e como funciona na Itália o Sistema Just In Time de estoque de vinhos nas apresentações de Paola Tedeschi do ICIF e do Marco Renzetti da Osteria del Petirosso.

Quem não foi lá deixou de saber por exemplo do desafio do Restaurante D.O.M. com as taças de vinho, das exigências de seus Clientes, da quantidade de taças que tem que ter, da quantidade de quebra, de como se resolve esse problema, na palestra de Gabriela Monteleone, responsável por gerir esse desafio com sua equipe.

 

Quem não foi lá, deixou de ter uma das melhores aulas sobre venda de vinhos em lugares de clima quente, na Palestra excelente de Gilvan Passos, consultor de vinhos de Natal e nem soube do extraordinário case do sincero Gugu Barbosa da Picola Forneria de Santos, que hoje vende 800 garrafas de vinho trabalhando apenas à noite e sendo a maioria vinhos brancos.

Também perdeu um outro show de vendas na palestra de Marcio Bonilha, um dos mais tarimbados na área, contando o que se deve fazer para vender vinhos em grandes centros, e nem ficou sabendo do que é fundamental para se montar uma equipe eficiente de venda de vinhos na visão de Bruno Airaghi.

 

 

Quem não foi lá, perdeu em saber do que o Ibravin está fazendo de efetivo na qualificação da Mão de Obra do Vinho, tanto em sua gestão como em serviço, no arrojado projeto Qualidade na Taça que em parceiria com o Sebrae está destinando R$ 5 milhões para qualificar mais de 1200 restaurantes e bares nas principais capitais do Brasil. Como será e o que fará, foi o tema de Leocir Bottega.

Quem não foi lá, deixou de saber dos entraves do e-commerce no Brasil na visão de Manuel Luz, que deu um show de apresentação com conteúdo e sinceridade e da visão do lojista na visão de Egidio Silvestri da Wine Pro.

Depois de dois dias inteiros lá, ajudando na mediação dos painéis, dois dias estes que deixei a Nazira de cama e sozinha em casa, para cumprir o que considerava fundamental, perguntei ao Regis sobre a divulgação do evento, que “Secondo Me”, era para ter fila na porta e ouvi dele o seguinte:

” Didú, o Vinho&Cia tem um grande mailing de profissionais do mercado, divulgamos vários comunicados ao longo de meses pelo site e pelo Face, você mesmo, que tem uma grande audiência, fez várias matérias e vídeos, o Sergio Inglez divulgou, publicamos na edição impressa do Vinho&Cia um anúncio, fizemos um convênio com a Abrasel de SP para divulgação pelo mailing deles, convidamos os associados da Abracohr, duas meninas minhas durante um mês inteiro telefonaram e mandaram e-mails para as pessoas, e etc.

Porém, a gente sabe, é um evento novo, diferente, que não era para as pessoas irem provar vinhos, como é comum, e, sim, para discutir o vinho. Avalio que algumas pessoas com maior visão se despertam no começo para esse tipo de iniciativa. Por exemplo, o Sidnei Brandão, da Ville du Vin, que foi presidente da Apple no Brasil e que estava na plateia nos dois dias.

Além do mais, parece que as pessoas estão muito sem tempo em São Paulo. Convidamos mais de 50 assessoras de imprensa para participar, aquelas mais representativas no mercado, que procuram ajudar seus clientes a vender mais vinhos por meio de contato com os veículos de imprensa e blogueiros. Duas apenas confirmaram presença, e nenhuma delas compareceu. Convidamos muitos blogueiros. A maioria confirmou presença, mas acho que apenas um foi. Dos veículos de imprensa especializados mais representativos, convidamos todos, o Horst Kissmann da Prazeres da Mesa foi cobrir.

Mas, com certeza, no próximo evento em 2015 vamos fazer ainda mais, para divulgar mais e despertar mais interesse de todos para além do próprio umbigo. ”

Como digo sempre. Somos AMADORES, falta União do SETOR, mas com o tempo, eventos como o Venda Vinhos, Wine In, Debate do Vinho Fecomercio, que buscam discutir o negócio, o setor, com seriedade, vai contribuindo com seu papel profissionalizante. Não custa sonhar. Parabéns Regis.

 

 

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